Professora do FDC Agroambiental analisa como estratégias eficazes no agro podem impulsionar a marca
No dia 23 de setembro, a professora Kelly Nakaura, da Fundação Dom Cabral, participou de um Diálogo Agroambiental na PwC em Piracicaba. A discussão trouxe conceitos de imagem, reputação e posicionamento estratégico do agronegócio brasileiro, reunindo profissionais, futuras lideranças e representantes do setor para debater os desafios da comunicação e da construção de valor em um dos segmentos mais relevantes da economia nacional.
Durante sua apresentação, a professora abordou a evolução histórica do agronegócio brasileiro e sua crescente relevância econômica e social. Segundo ela, o agro foi responsável por abrir novas fronteiras econômicas, impulsionar o surgimento de empresas e até mesmo cidades, ampliando a cadeia de negócios e a geração de empregos em diversas regiões do país.
A professora também discutiu os fatores que contribuíram para a atração de investimentos e para a modernização das atividades agropecuárias. Segundo ela, o movimento de "follow the money" trouxe empresas interessadas no potencial do setor e receptivas à inovação. Nesse cenário, destacou ainda que o produtor rural brasileiro apresenta um perfil mais jovem quando comparado a produtores de outros mercados consolidados, característica que contribui para a adoção de novas tecnologias e modelos de gestão.
A professora enfatizou a necessidade de ampliar a compreensão sobre o papel da construção da marca dentro do agronegócio. Segundo ela, o público-alvo da comunicação do agro não se restringe aos agentes do campo, mas engloba também empresários, investidores e consumidores dos centros urbanos.

Durante a palestra, a professora definiu branding como um instrumento de construção de valor e reputação. Conforme destacou, branding significa estabelecer valor, construir parcerias e compreender que mensagens produzidas localmente podem gerar impactos em escala global. Trata-se de criar, desenvolver e manter uma reputação que transcende fronteiras e influencia a percepção de diferentes públicos.
A docente também apresentou a visão de que a marca deve ser entendida como um ativo estratégico capaz de diferenciar produtos, organizações e iniciativas do agronegócio em mercados cada vez mais competitivos.
Em outro momento da discussão, ressaltou que a construção de reputação não depende apenas das mensagens emitidas pelas organizações, mas também da forma como elas são percebidas pelos diversos públicos. Como sintetizou durante sua apresentação, "não é sempre sobre o que você mostra, mas sim sobre o que o outro percebe em você".
Ao tratar dos desafios da comunicação setorial, a professora defendeu que a narrativa do agronegócio deve ser sustentada tanto por evidências quanto por estratégias de posicionamento. Segundo ela, a combinação entre dados, informações consistentes e branding é fundamental para fortalecer a construção de uma imagem associada à sustentabilidade e à responsabilidade corporativa.
Encerrando sua participação, a professora reforçou que as empresas precisam ter maturidade para falar sobre sustentabilidade de uma forma mais holística e integrada, conectando-as ao próprio modelo de negócio e à cadeia de valor. Em suas palavras: "Garantir a resiliência corporativa, sobre a importância de um propósito que vá além do lucro e sobre a construção de modelos de negócios capazes de gerar impacto positivo. Isso inclui inovação voltada para o impacto social, cadeias de suprimentos circulares, alinhamentos com as ODSs e, principalmente, estratégias de adaptação e mitigação das mudanças climáticas.”
