A agricultura é um dos pilares da economia brasileira, responsável por alimentar milhões de pessoas e impulsionar o desenvolvimento socioeconômico do país. Contudo, o modelo convencional de produção, baseado em práticas intensivas e monoculturas, tem causado sérios impactos ambientais, como degradação do solo, perda de biodiversidade, escassez hídrica e aumento das emissões de gases de efeito estufa. O Brasil, como um dos maiores produtores agrícolas do mundo, enfrenta ainda desafios ligados à expansão sobre biomas sensíveis, elevadas emissões pela mudança no uso da terra e pressões internacionais por conformidade ambiental e social.
Nesse cenário, a agricultura regenerativa surge como uma alternativa promissora, indo além da mitigação de danos para restaurar ecossistemas e promover saúde do solo, conservação da água, biodiversidade e resiliência climática. Além dos benefícios ambientais, traz ganhos econômicos e sociais, como maior produtividade no longo prazo, uso otimizado de insumos e geração de valor para produtores e toda a cadeia produtiva. Apesar de seu potencial, sua adoção em larga escala é limitada por barreiras como a falta de integração entre políticas públicas e iniciativas privadas, carência de dados confiáveis e ausência de mecanismos robustos de rastreabilidade e monitoramento.
Diante desses desafios, o projeto “Modelo de Agricultura Regenerativa Tropical” propõe uma abordagem inovadora, integrando ciência, políticas públicas e modelos de negócios para criar condições favoráveis à transição sustentável. A iniciativa inclui o desenvolvimento de uma plataforma integrada de dados, a criação de um Índice de Agricultura Regenerativa e a interoperabilidade de tecnologias de rastreabilidade, aliados a mecanismos de incentivos financeiros. O objetivo é fortalecer a credibilidade e a transparência do setor, apoiar produtores e empresas e acelerar a consolidação de um modelo agrícola regenerativo nos países tropicais.
Nossa proposta está estruturada em quatro eixos fundamentais:
i. Ciência e Inovação – com a criação do Índice de Agricultura Regenerativa Tropical (Ag-Reg), instrumento técnico-científico que permitirá mensuração, monitoramento e credibilidade internacional;
ii. Estratégia e Mercado – modelagem de uma Plataforma Integrada de Dados, capaz de promover transparência, rastreabilidade e alinhamento regulatório com políticas públicas e diretrizes locais;
iii. Incentivos Financeiros – mecanismos de crédito e instrumentos de pagamento por serviços ecossistêmicos;
iv. Mobilização Internacional e Governança Multissetorial – assegurando articulação entre governos, setor privado, sociedade civil e organismos internacionais.