Por Heitor Coutinho, professor da FDC.
Entre muitas coisas, o sucesso dos negócios está relacionado com a capacidade de antecipação às mudanças no ambiente externo e à compreensão sobre prováveis disrupções em determinados setores, à competência de explorar oportunidades para a escolha de uma estratégia de resposta apropriada e única a essas mudanças e, finalmente, ao êxito na execução de estratégias. Nas próximas décadas, a capacidade de lidar com esses desafios será o fator determinante para a sobrevivência de muitas organizações. Com um mundo se tornando cada vez mais dinâmico, complexo e incerto, há claras evidências de que os modelos de gestão utilizados até então precisam ser adaptados ou substituídos. Não se pode falar de planejamento de longo prazo perante alta imprevisibilidade, por exemplo. Nem tão pouco de vantagens competitivas sustentáveis sob a ótica do dinamismo. Ou seja, a gestão empresarial está necessitando de um processo considerável de inovação. A não atenção às transformações sobre as quais o mundo dos negócios vem passando pode, inclusive, aumentar ainda mais o índice de insucesso das iniciativas para o desenvolvimento organizacional.
Uma estratégia ágil, adaptativa a volatilidade dos mercados, é um poderoso instrumento para a obtenção de vantagens temporárias em série em ambientes dinâmicos. Do propósito ao direcionamento, as abordagens estratégicas orientadas a agilidade organizacional produzirão diferenciais competitivos e novos modelos de negócio capazes de romper com o paradigma clássico das estratégias prescritivas baseadas em planejamento, possibilitando até a moldagem integral de setores já consolidados.
No entanto, a formulação de uma estratégia campeã não terá sentido se não for possível executá-la a contento. Os altos índices de insucesso na execução por meio de projetos, apurados ao longo de décadas, têm nos alertado sobre uma repetida questão: quais são os fatores que efetivamente conduzem as organizações ao sucesso? Infelizmente a resposta não é direta e simples, devendo abranger mecanismos integrados de liderança e gestão, capacidade para lidar com os maiores desafios, aplicação de métodos adequados a cada situação e ir além do padrão com melhores práticas. A vida real está repleta de condições e dependências. Assim, a carência de repertório para se formar visão sistêmica pode ser nefasta. Por vezes é cabível não usar modelo algum e adotar experimentação e aprendizagem pela própria experiência e pelo erro ou empregar frameworks flexíveis. Em outras situações, o rigor metodológico pode ser crucial.
Os complexos desafios das organizações passam também pela compreensão dos paradoxos, que são proposições que contrariam os princípios básicos e gerais que costumam orientar o pensamento humano. Paradoxos se caracterizam pela aceitação de seus contrários. Portanto, lidar com o curto e longo prazo, competir e cooperar, restringir e flexibilizar ao mesmo tempo, são antagonismos do dia a dia organizacional.
Dessa forma, para desenvolver de forma perene qualquer organização é preciso adotar modelos adaptativos, identificar caminhos exclusivos e pertinentes a cada situação, compreender as variáveis que levam ao êxito, adequar-se ao mundo dinâmico e imprevisível e, finalmente, aplicar conhecimento sistêmico e integrado para elevar substancialmente as probabilidades de sucesso pelo alto desempenho, impactos positivos e resultados relevantes e frequentes para todos.