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Sustentabilidade > Blog
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3/7/2009Autor: Maria Raquel Grassi
A maneira como agimos é resultado da nossa percepção do mundo. Com a predominância de uma concepção mecanicista e cartesiana, o homem moderno se “descolou” da sua origem e de sua conexão com a natureza. Perdeu, assim, a capacidade de perceber a vida com mais amplitude e, conseqüentemente, os efeitos que suas pequenas ações podem provocar no planeta e na sociedade. Ainda não enxerga a relação de causa-efeito entre a ação humana predatória e os desastres sociais e ambientais.
A educação é a única possibilidade que temos de resgatar essa compreensão da vida e o nosso senso de conexão. A sensibilização para os problemas mundiais e a noção de que somos parte do organismo vivo que é a Terra é, mais do que nunca, uma tarefa do processo educacional.
Essa “alfabetização para a sustentabilidade” deve chegar a todos os indivíduos. Um grupo que merece especial atenção é o dos líderes empresariais. As empresas detêm hoje um grande poder de transformação: das 100 maiores entidades do mundo, 49 são países e 51 empresas. Exatamente por isso não podem se manter alheias às mazelas sociais e ambientais. Não apenas pelo seu potencial de transformação, mas também porque sua competitividade depende da saúde da comunidade e do meio-ambiente que a rodeia.
É nas universidades, escolas técnicas e de negócios que preparamos os profissionais para atuarem nas empresas. As escolas de negócios, em especial, cuidam da capacitação para o exercício da liderança e do gerenciamento. Precisam, portanto, oferecer uma educação transformadora, capaz de despertar a consciência coletiva dos indivíduos. Elas ainda mantêm um currículo tradicional, fragmentado, que incute nos executivos uma visão parcial.
A educação para a sustentabilidade requer bem mais do que o aprendizado de conceitos e modelos. Por lidar com a vida, sustentabilidade implica conscientizar e inserir o indivíduo na realidade social e natural.
Na verdade, esse é o “pano de fundo” e não pode ser tratado como uma especialidade qualquer do currículo padrão. O desafio que se impõe ao educador para a sustentabilidade é a utilização de uma linguagem adequada a cada especialidade. Enxergar um novo sentido no trabalho e na carreira; ver a empresa como um ser social; perceber-se como motor de mudanças no seu entorno – essas são algumas das “lentes” especiais que a educação para a sustentabilidade deve fornecer aos alunos.
Autor: Isaac Edington
O conceito Ecodesenvolvimento nasceu durante os anos 70, por causa da polêmica gerada na primeira Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente, em Estocolmo, entre aqueles que defendiam o desenvolvimento a qualquer preço, mesmo pondo em risco a própria natureza e os partidários das questões ambientais. O termo foi proposto por Maurice Strong e, em seguida, ampliado pelo economista Ignacy Sachs, que, além da preocupação com o meio ambiente, incorporou as devidas atenções às questões sociais, econômicas, culturais, de gestão participativa e ética.
Como uma derivação do conceito do Ecodesenvolvimento, surgiu a idéia de Desenvolvimento Sustentável. Em 1987, a Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (CMMAD), presidida pela a então primeira-ministra da Noruega, Gro Harlem Brundtland, adotou o conceito de Desenvolvimento Sustentável em seu relatório Our Common Future (Nosso Futuro Comum), também conhecido como Relatório Brundtland. Esse novo conceito foi definitivamente incorporado como um princípio durante a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento - a Cúpula da Terra de 1992 (Eco-92) -, no Rio de Janeiro. Em sua essência, o Desenvolvimento Sustentável busca o equilíbrio entre proteção ambiental e desenvolvimento socioeconômico e serviu como base principal para a formulação do documento Agenda 21 Global, com o qual mais de 170 países se comprometeram. A premissa básica do Relatório Brundtland é: Independente da existência de atores sociais implicados na responsabilidade da degradação ambiental, a busca de soluções seria uma tarefa comum a toda humanidade.
Existem diversas semelhanças entre os conceitos de Ecodesenvolvimento e Desenvolvimento Sustentável, o que permitem interpretações de que ambos são sinônimos, como considera o próprio Sachs. Os dois tratam de ser abrangentes conjuntos de metas para a criação de um mundo, enfim, equilibrado e com uma sociedade sustentável. De acordo com o Relatório Brundtland e a Agenda 21 Global, hoje, toda a humanidade vive e está condicionada a um modelo de desenvolvimento já saturado, no qual as relações sociais, ambientais e econômicas estão desordenadas e ultrapassadas.
Por isso há tanta pressão por uma mudança de conduta imediata, principalmente, por parte do cidadão para com os governos e corporações. Todos devem trabalhar em prol dessa mudança. É fundamental repensarmos a maneira em que planejamos o desenvolvimento e como ele influi em três aspectos básicos: o social, o ambiental e econômico. O desenvolvimento não deve ser mais pensado para poucos, mas sim ter como objetivo a satisfação das necessidades básicas sociais, elevando o nível de vida de todos. Também deve garantir a preservação de ecossistemas e, ao mesmo tempo, estimular o crescimento econômico e social ordenado.
Nesse contexto, a informação é um elemento fundamental para se alcançar a sustentabilidade, segundo os princípios definidos no capítulo 40 da Agenda 21 Global:
“No desenvolvimento sustentável, cada pessoa é usuário e provedor de informação, considerada em sentido amplo, o que inclui dados, informações e experiências e conhecimentos adequadamente apresentados. A necessidade de informação surge em todos os níveis, desde o de tomada de decisões superiores, nos planos nacional e internacional, ao comunitário e individual. As duas áreas de programas seguintes necessitam ser incorporadas para assegurar que as decisões se baseiem cada vez mais em informação consistente: redução das diferenças em matéria de dados e a melhoria da disponibilidade da informação.”
Em novembro de 2008, o Instituto EcoDesenvolvimento (EcoD), uma organização sem fins lucrativos, lançou o portal EcoDesenvolvimento.org. A proposta do portal é de oferecer a sociedade um completo veículo de comunicação online, de abrangência nacional que já amplia a cobertura para países de língua portuguesa.
Com design arrojado e uma ampla rede de colaboração no Brasil e exterior, o portal disponibiliza notícias, vídeos, podcasts, fóruns, entrevistas, debates, biblioteca e uma acervo de importantes documentos, acordos, protocolos e relatórios relacionados à temática da sustentabilidade. O nosso propósito é, através de uma ampla rede de parcerias, fazer com que mais e mais pessoas tenham acesso aos conteúdos gratuitamente. Desta forma, contribuiremos diariamente para a conscientização da sociedade na direção de um modo de vida sustentável.
Acreditamos em um futuro melhor, mais justo e próspero, porém sabemos que ainda há um longo caminho a ser percorrido para que todos os setores da sociedade tenham total consciência do seu papel, para então construir um modo de vida sustentável em sua plenitude. E a mudança de atitude é uma das principais ferramentas para acelerar a transição de um mundo baseado nesse modelo esgotado de relações ambientais, econômicas e sociais fragmentadas, para então alcançarmos a nova era da sustentabilidade. E acreditamos no poder da informação para encurtar o longo caminho que o homem precisar percorrer para uma mudança de consciência. Informação comprometida com a causa da sustentabilidade, apresentando soluções, encorajando e inspirando pessoas, promovendo e disseminando princípios e práticas de responsabilidade socioambiental que precisam ser incorporados por todos.
Autor: Cláudio Boechat
O que se esconde por detrás da palavra "sustentabilidade"? Qual a principal idéia que ela sintetiza? Tenho ouvido muitas versões, algumas delas absolutamente pessoais. Portanto, julgo direito dar, eu próprio, minha versão. Não é para fazer suspense e prender o leitor, mas vou deixá-la mais para o final. É que eu preciso propor duas idéias antes.
A primeira idéia que proponho é a dos futuros possíveis. Uma dimensão de nossa vida é o espaço. O tempo é a dimensão que movimenta o espaço. Passado, presente e futuro são os instantes que a cada momento se sucedem. Como os dormentes de uma estrada, cada segundo que presenciamos deixa para trás os segundos que já vivemos, e nos aproxima dos segundos que nos esperam. Para os fatalistas, a vida de cada um de nós está traçada e a estrada de ferro é um caminho pelo qual nossas vidas transitarão em mão única. Para mim, ao contrário das estradas de ferro, a cada dormente abrem-se inúmeras estradas. O futuro é inevitável, oras! Mas quais são os futuros possíveis?
Já ouvi que, não tem jeito, o eixo da Terra vai se inverter em 2012. Mas há outras menos definitivas. O escritor italiano Umberto Eco imaginou que uma nevasca em Nova York causará problemas de tráfego nos arredores do aeroporto John Kennedy, semente de repercussões que atingirão, primeiro, os sistemas de transporte e comunicação e, depois, os de energia e alimentação. Ele chamou a confusão fatal de engarrafamento final. No dia da demolição das torres gêmeas, achei que estávamos à beira do engarrafamento final. Ficar de olho nos boletins de tráfego nos arredores do aeroporto de Nova York me tranqüilizou muito. Eu recomendo.
Parece que ainda não chegamos ao ponto de nos autodestruirmos automaticamente. No entanto, crescem as evidências de que estamos tentando para valer. Energia, água, destruição de ecossistemas e de sua capacidade de renovar-se são os problemas que mais nos ameaçam do ponto de vista ecológico. Todos eles têm sua origem no tamanho da população e na forma como vivemos e projetam um futuro com problemas bem cabeludos.
A segunda idéia que proponho é a da auto-inclusão. Na última e curiosa história da série de Douglas Adams, O Guia do Mochileiro das Galáxias, Arthur Dent, uma pessoa de nossos tempos, tenta se adaptar a um planeta com uma sociedade muito mais primitiva que a nossa. Todo o conhecimento que acumulou na Terra de nada servia naquele ambiente. Ele estava excluído. Nos idos de 60, os seres a sobreviverem à virtual hecatombe atômica seriam alguns insetos e seres microscópicos.
Recentemente, o inglês James Lovelock disse que a Terra seria sustentável para uma humanidade com população máxima de 1 bilhão de pessoas. Acima disto, as condições de vida humana deteriorarão a ponto de atingir o equilíbrio ecológico que nos sustenta. Ora, a população em 2020 será de 7,8 bilhões. Como viverão essas pessoas? Que competências devemos desenvolver em nós e em nosso entorno para estarmos lá?
Finalmente, para mim, a idéia que a sustentabilidade sintetiza é a da vida.
Há poucos dias, o professor Mozart Pereira dos Santos, aqui da FDC, disse que experiência é como um cheque sem fundo. "O que podemos fazer é agregar essa experiência a nossas ações para dar a ela um propósito". É esse propósito que nos faz escolher a cada momento por qual trilho seguiremos. O futuro é construído a cada instante, decisão e escolha. A nossa inclusão nos futuros possíveis é uma auto-inclusão, que depende de nos inserirmos permanentemente no fluxo da vida do presente, com um sentido.
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