
O PAPEL DAS FAMILY OFFICES
Estruturas de Gestão de Patrimônio de uma ou mais famílias com objetivo de integrar soluções de administração e avaliação de ativos, de forma racional, considerando o perfil, objetivos, necessidades e aspirações de todos os envolvidos no processo. Essa é a definição do Family Office, tema da palestra de Paulo Colaferro, sócio da Taler Multi Family Office, de São Paulo.
Segundo Paulo Colaferro, as fases patrimoniais se dividem em construção, onde há uma concentração do patrimônio e em perpetuação. Na segunda fase, quando há diversificação e os riscos começam a ser mais avaliados, começa também a necessidade de estruturas de gestão e controle. É neste momento que a estrutura de Family Office começa a fazer sentido para as organizações familiares.
De acordo com dados estatísticos, as famílias crescem mais rápido do que o patrimônio e o grande desafio é transmiti-lo entre as gerações. Para vencer esta dificuldade, as Family Offices entram em cena. As funções são claras: administração do patrimônio, promoção da governança familiar, informação e educação das partes relacionadas, proteção do patrimônio e do padrão de vida dos proprietários e manutenção do sigilo e confidencialidade.
Controlar o caixa da empresa e dos sócios, fazer investimentos locais e internacionais, cuidar de projetos, das participações e imobiliários, tanto da incorporação quanto dos familiares são responsabilidades das Family Offices. “Junto com estas responsabilidades, vem o arcabouço deste processo todo que são a parte tributária, o planejamento sucessório, funcionamento da operação, contratos, acordos e treinamentos”, explica Colaferro.
Os temas deste tipo de serviço variam conforme o tipo de estrutura. Nas multi Family Offices, os temas tratados são pertinentes ao patrimônio e à sociedade. As exclusivas podem ter um escopo de atuação mais amplo, conforme necessidades e objetivo da família.
Responsabilidades

Paulo Colaferro defende que as boas estruturas definem claramente o papel e a relação entre acionistas, conselheiros e gestores. “Informações claras e sempre disponíveis, respeito às agendas de debates e fóruns são fundamentais para que isso aconteça. O Family Office entra como um dos instrumentos que as empresas podem utilizar para regulamentar todo este processo, assim como Estatuto Social, Código de Conduta, Conselho de Família e vários outros”, explica.
A participação dos membros da família em um Family Office, segundo Paulo, deve ser uma opção. “É recomendável que estas pessoas ocupem estes cargos por merecimento e em conformidade com os termos definidos nos acordo de acionistas e protocolos pré-estabelecidos”, aconselha.
Quanto aos resultados, ele explica que quem contrata ou estrutura uma Family Office não busca a mesma rentabilidade oferecida por um banco. O resultado não pode ser avaliado exclusivamente pelo retorno, mas também pela gestão de riscos, sigilo, confidencialidade e preservação do relacionamento familiar.
No Brasil, estas empresas movimentam mais de R$ 200 bilhões por ano, o que corresponde cerca de 10% do mercado de alta renda. Nos Estados Unidos, o número chega a US$ 30 trilhões, ou seja, 70% do mercado americano. “Daqui pra frente, com os juros cada vez mais baixos, todos vão ter que empreender, gerar empregos e incentivar a economia do país, para ter um crescimento patrimonial de fato”, finaliza.