Busca
Ir para Pesquisa
 
Solicitar Senha
O que é RSS ? Português English Español
Ir para o conteúdo principal

Espaço de Diálogo Sustentabiliadde

Portal FDC
Homepage
Inicio
Página Principal
Início
10.000 Women
Copa 2014
Página inicial
  

Portal FDC > Página Principal > Espaço de Diálogo Sustentabiliadde
Indicadores de sustentabilidade na gestão das organizações – Parte 3: A necessidade de o profissional enxergar sentido no processo


Por: Lucas Amaral Lauriano – Pesquisador da FDC


Como vimos nos textos anteriores, os indicadores são uma forma clara e objetiva de medir e avaliar a sustentabilidade dos processos e ações das organizações. Entretanto, se o profissional responsável não enxergar o objetivo dessa atividade, a sustentabilidade é encarada como mais uma atividade, e não uma oportunidade de mudança e inovação organizacional.

No trabalho realizado com a empresa MASB, foram feitos diversos workshops para que os profissionais percebessem que a sustentabilidade não é somente uma palavra pomposa e, atualmente, excessivamente utilizada. Nos encontros, foi estimulado que os profissionais refletissem sobre os impactos ambientais, econômicos e sociais de suas atividades, reflexões estas que levaram à mescla da realidade da organização com os temas ligados à sustentabilidade. Isso fez com que a sustentabilidade fosse compreendida como algo ligado ao cotidiano da empresa, da rotina e do estilo de vida dos indivíduos.

Esse passo foi essencial, e a mudança no comportamento dos profissionais foi visível. De espectadores, eles passaram a avaliar, criticar e demandar mudanças em suas respectivas áreas e também na organização como um todo. O exercício proposto com os workshops e a escolha dos indicadores a serem avaliados em cada área fez, ainda, com que os profissionais se dessem conta da amplitude da responsabilidade de cada função para a avaliação do processo como um todo.

Com essa mudança de comportamento e pensamento dos indivíduos, o processo que ocorre na MASB torna-se perene, na medida em que esses profissionais estão constantemente buscando melhorias e inovações em seus processos e ações em prol da sustentabilidade, o que não ocorreria caso eles não compreendessem o que está sendo feito e o porquê desse trabalho.

Na quarta e última parte da série, veremos que não é preciso reinventar a roda dentro da organização para avaliar e medir a sustentabilidade ao utilizar o sistema de gestão da qualidade como plataforma de apoio nesse processo.

 

Indicadores de sustentabilidade na gestão das organizações – Parte 2

Por: Rafael Tello


No primeiro texto desta série foi destacada a importância da utilização de indicadores nas organizações com o objetivo de tratar das questões ou desafios ligados ao conceito de sustentabilidade. O objetivo deste segundo texto é aprofundar no processo de criação de indicadores, tendo como base a experiência adquirida na incorporadora e construtora MASB.

No projeto em questão, primeiramente destacamos a importância de existirem indicadores para cada área da organização. Este ponto, ainda pouco abordado no campo de estudos da sustentabilidade corporativa, foi central para a pesquisa na MASB. A lógica por trás da divisão é manter cada área focada nas questões em que podem ter contribuição mais significativa, dividindo a responsabilidade por resultados ambientais, econômicos e sociais equilibrados. Em termos concretos, a área de comunicação pode concentrar-se em comunicar aos stakeholders as atividades e intenções da empresa, enquanto a arquitetura busca desenvolver edifícios mais eficientes e o pessoal de obras preocupa-se em reduzir os resíduos no canteiro.

Um segundo ponto relevante é a necessidade de um balanço na avaliação do esforço e desempenho. As organizações devem acompanhar tanto as condições dadas para uma atuação mais sustentável de seus profissionais (observando políticas ou diretrizes implementadas e investimentos realizados), quanto os resultados obtidos (melhoria de processos, redução de desperdício, aumento de valor do produto, por exemplo). A construção de indicadores para acompanhamento dos dois grupos é fundamental para que estes indicadores possam tornar-se um instrumento de gestão, apoiando planejamento e tomada de decisões pelos gestores.

O terceiro ponto importante é a necessidade de um direcionamento claro por parte da liderança da organização. A sustentabilidade é um conceito amplo, e lidar com todas as suas questões apresenta-se como um desafio praticamente impossível para as organizações. Deste modo, a liderança das organizações deve indicar quais as prioridades a serem tratadas. Esta definição permitirá que seus profissionais concentrem seus esforços em poucos desafios e que possam tratá-los de modo organizado.

Por fim, recomenda-se o diálogo constante com os profissionais das áreas e com a equipe responsável pelo sistema de gestão para a construção dos indicadores. Este esforço tem a desvantagem de tornar o processo de implementação mais lento, contudo, ele faz dos profissionais das diferentes áreas coautores dos indicadores, aumentando o compromisso com a implementação e acompanhamento. Além disto, promove a coerência do tratamento da sustentabilidade na empresa, com o seu atual sistema de gestão, e da empresa como um todo.

O diálogo com os profissionais das áreas possui ainda a vantagem de gerar sentido naquilo que está sendo feito a essas pessoas, tornando todo o processo algo mais natural dentro da organização. Este assunto será tratado no próximo texto da série.

 
Indicadores de sustentabilidade na gestão das organizações – Parte 1 – Por que indicadores?

Por: Rafael Tello, pesquisador da FDC

Os indicadores são fundamentais para que as empresas possam monitorar suas ações, mensurar seus resultados e buscar melhorias continuamente. Além disso, os indicadores podem ser instrumentos para motivar colaboradores e tornar mais clara e efetiva a comunicação com diferentes stakeholders. Por essa razão, ao atuarem buscando sustentabilidade, as empresas demandam indicadores para acompanharem suas ações e observarem se estão produzindo resultados ambientais, econômicos e sociais positivos e equilibrados.

Esta foi a motivação de uma pesquisa conduzida pelo Centro de Desenvolvimento da Sustentabilidade na Construção (CDSC) para a constituição de uma ferramenta capaz de auxiliar as empresas do setor a construírem seus indicadores e os incorporarem em seus sistemas de gestão. A ferramenta vem sendo testada na incorporadora e construtora MASB, associada ao CDSC.

Logo no início da pesquisa, observou-se que o conceito de sustentabilidade ainda é muito amplo e abstrato para grande parte dos profissionais do setor da construção, o que é uma dificuldade para a criação de indicadores. Por essa razão, recomendamos que o primeiro passo neste processo seja a definição de uma base que deixe mais claros os temas ligados à sustentabilidade. Entre as opções disponíveis estão os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, os Capítulos da Agenda 21, o padrão Global Reporting Initiative (GRI) para relato da sustentabilidade e os Desafios da Sustentabilidade para Empresas Brasileiras – este último produzido pelo Núcleo Petrobras de Sustentabilidade e disponível aqui. Esta definição é fundamental para que os profissionais nas empresas entendam o que a sustentabilidade representa e como eles podem atuar para alcançá-la.

Além da base conceitual, também é relevante que os indicadores de sustentabilidade sejam incorporados em uma base “estrutural”. Recomendamos que o sistema de gestão vigente nas empresas deve incorporar estes novos indicadores, pois isso reduz custos de adaptação e promove a inclusão da sustentabilidade em suas atividades centrais. No setor da construção, os sistemas de gestão da qualidade – com destaque para as normas da série ABNT ISO 9.000 e a certificação PBQP-H – são amplamente utilizados, o que justifica seu uso como plataforma para abrigar os indicadores de sustentabilidade a serem utilizados pelas empresas do setor.

O próximo artigo da série abordará como as empresas partem dessa base para a construção de indicadores de sustentabilidade.

 
Repensando Negócios

Por Hugo Ferreira Braga Tadeu, professor convidado da FUNDAÇÃO DOM CABRAL

O ambiente econômico contemporâneo é reconhecidamente turbulento, observando o comportamento dos países europeus e Estados Unidos. O resultado para os problemas fiscais e monetários atuais é consequência direta da especulação financeira americana, bem como da política de preços do setor imobiliário do país, gerando perdas incalculáveis em todo o mundo. Para os países em desenvolvimento, citando os BRICs - Brasil, Rússia, Índia e China -, resta a atenção especial às exportações e a continuidade de uma política centrada no crescimento. Mas até quando isto será possível?

Neste ambiente econômico amplamente volátil, as empresas necessitam de uma avaliação estratégica precisa e atenta aos movimentos do mercado. Não basta ter uma estratégia de negócios bem formulada, pois esta precisa ser constantemente revisada, atualizada e comunicada aos demais níveis organizacionais, para o seu pleno entendimento. Para este caso, os modelos tradicionais de negócios, citando a análise dos pontos fortes, fracos, ameaças e oportunidades, bem como a dinâmica das forças competitivas do mercado, não seriam mais suficientes como tempo de resposta aos humores do mundo corporativo.

Torna-se imperativo compreender as conexões entre os países, as suas finanças, mas como regra número um deveria estar o respeito à legislação, aos clientes e, como nova vertente, à sustentabilidade, compreendendo os limites da ação humana. Neste contexto, repensar os negócios é algo determinante. Ser sustentável não remete exclusivamente ao modelo verde. Ser sustentável refere-se aos resultados financeiros, trazendo retorno aos acionistas, mas também incluir a compreensão da cultura organizacional, dos limites éticos dos negócios, do bom relacionamento com fornecedores, sociedade e a ampla otimização de recursos.

Não são raras as noticias de empresas que não estão preparadas para atuar neste mercado complexo, gerando prejuízos ambientais e até mesmo com seus colaboradores. Muitas são as técnicas de gestão, mas as boas práticas deveriam ser mais estudadas e pensadas como exemplo. Empresas sustentáveis são aquelas que pensam em práticas responsáveis no curto e longo prazo. Destacam-se as iniciativas que outrora pareciam desacreditadas, como a adoção de embalagens retornáveis, combustíveis menos poluentes e novos contratos de trabalho.

Sairão na frente aquelas empresas que entenderem que os tempos críticos atuais reforçam a necessidade por uma mudança de postura, tanto das empresas e seus modelos de gestão, bem como dos indivíduos que as conduzem, com uma atuação mais responsável e verdadeiramente ética. Esta nova forma de pensar em gestão não deve estar em manuais, mas na percepção dos dirigentes organizacionais. É urgente repensar os negócios e os resultados que estes trazem para a sociedade. 

Fonte: Portal NewsComex – 05/12/2011
http://www.newscomex.com.br/mostra_artigo.php?codigo=613

 

 
Indicadores de sustentabilidade na gestão das organizações – Introdução

Por: Lucas Amaral Lauriano – Pesquisador da FDC


Uma das propostas do Centro de Desenvolvimento da Sustentabilidade na Construção (CDSC), parte do Núcleo Petrobras de Sustentabilidade da FDC, é a de ajudar as organizações a incorporarem a sustentabilidade em seus sistemas de gestão. Com esse objetivo, foi iniciado em 2010, um projeto piloto com uma das empresas associadas ao CDSC, a MASB Desenvolvimento Imobiliário.

Neste projeto, foi realizado um processo de conscientização do corpo de funcionários para a sustentabilidade, acompanhado da escolha e incorporação de indicadores de sustentabilidade na gestão da empresa, tendo como apoio o sistema de gestão da qualidade da organização.

Nesse contexto, não é possível chegar à empresa com um produto finalizado, pois cada organização possui sua própria realidade. Para que o projeto funcionasse, era necessário que os objetivos do CDSC estivessem alinhados com a missão, visão e valores da empresa.

Dessa forma, ao mesmo tempo em que era necessária uma abordagem ampla o suficiente, que pudesse ser replicada, deveria haver espaço para as adaptações necessárias em cada organização. O resultado foi a criação de uma ferramenta, denominada provisoriamente de Gestão da Responsabilidade Total.

Nesta série de artigos, alguns dos pontos principais do projeto serão mostrados, totalizando quatro textos, que abordarão os seguintes temas:

1. Por que utilizar indicadores?
2. Criação de indicadores de sustentabilidade.
3. A necessidade de o profissional enxergar sentido no processo.
4. Uso do Sistema de Gestão como estrutura de suporte.

A descrição desse processo foi realizada no artigo "INTEGRANDO A SUSTENTABILIDADE À GESTÃO CORPORATIVA: uma proposta de ferramenta para desenvolvimento e integração de indicadores", disponível na Dom – a revista da Fundação Dom Cabral, v.15.

Clique aqui para ver o resumo da ferramenta. 

As empresas e a cidade sustentável*


Por: Rafael Tello – Pesquisador e Professor da FDC
e Lucas Amaral Lauriano – Pesquisador da FDC 

Como garantir que uma cidade é sustentável? Como identificá-la? Estas perguntas não são fáceis de serem respondidas. Na verdade, a resposta para a primeira é simples: não há garantias. O que existe hoje são cidades que levam em consideração mais ou menos aspectos da sustentabilidade.

Existem diversos exemplos de cidades que se autoproclamam sustentáveis, mas que focam em questões bastante diversas. Algumas delas, que denominaremos Cidades Intensivas em Tecnologias Sociais, como as capitais dos países escandinavos, priorizam questões sociais, como governança local, mudanças de comportamento e atitudes, revisão dos objetivos do planejamento do uso do solo, entre outros. Essas cidades são grandes espaços para empresas de tecnologia de informação e comunicação, capazes de promover inteligência em diferentes áreas como Governo, mobilidade, edificações, infraestrutura, etc. – um mercado de US$ 10 bilhões em 2015, segundo a IBM. Também surgem oportunidades para novas tecnologias de comunicação, diálogo e engajamento, capazes de acelerar e tornar mais eficazes as tomadas de decisão envolvendo muitos e distintos stakeholders.

Outras cidades, aqui denominadas Cidades Intensivas em Alta Tecnologia Ambiental, como Masdar, nos Emirados Árabes; New Sogdo, na Coreia do Sul; e Dongtan, na China; geralmente planejadas desde sua concepção, fazem uso de alta tecnologia em questões como energia, mobilidade e gestão de resíduos, com o objetivo de alcançar altos índices de desempenho em aspectos como emissões de gases de efeito estufa e destinação de resíduos. Estes espaços são verdadeiros laboratórios a céu aberto para empresas na fronteira tecnológica, que testarão muitas inovações e poderão influenciar a construção de cidades no futuro.

É preciso olhar mais de perto esses processos e cidades que se proclamam sustentáveis para entender como elas pretendem lidar com suas questões ambientais, econômicas e sociais, e, ainda, as oportunidades para que as empresas possam atuar desenvolvendo mercados e apoiando as cidades em suas iniciativas.

Além destes dois grupos de cidades, as empresas podem ainda se beneficiar e promover sustentabilidade nas áreas mais degradadas das grandes cidades, especialmente nos países em desenvolvimento, onde há cidadãos emergentes, com muitas demandas e ainda vítimas de taxas abusivas para obtenção de bens e serviços. Destaca-se que as 400 maiores cidades dos países emergentes serão responsáveis por metade do crescimento global nos próximos 15 anos. Um mercado promissor em tempos de crise.

* Os dados deste texto foram retirados da Edição Especial da Scientific American Brasil de outubro de 2011, com o tema “O Futuro das Cidades”.

 
Congestionamentos e suas consequências
Por: Lucas Amaral Lauriano – Pesquisador da FDC e
Rafael Tello – Professor e Pesquisador da FDC
 
Nas últimas quatro décadas, as grandes cidades brasileiras, como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, receberam uma massiva leva de migrantes de outras regiões, o que, combinado com a modernização econômica, resultou no aumento do uso dos transportes, tanto públicos quanto individuais.
 
Hoje em dia é muito comum as pessoas trocarem o transporte público pelo individual, seja pelo suposto ganho de tempo, conforto, praticidade, etc. Como consequência, os congestionamentos nas grandes capitais tornaram-se uma realidade que se agrava. De acordo com pesquisa realizada em 2010 pelo Núcleo CCR de Infraestrutura e Logística da FDC, o problema vai além do número de veículos nas ruas, “[...] resultando na perda de tempo, combustível e deterioração da qualidade de vida da população, além de influenciar negativamente no desempenho operacional dos ônibus.”
 
A busca por soluções individualistas para o problema resultou em grandes perdas sociais. Para se ter uma ideia, de acordo com a mesma pesquisa, em Belo Horizonte houve redução de 6% no número de viagens de ônibus, enquanto os custos totais com a sua manutenção subiram 15%. Resultados semelhantes foram encontrados para outras quatro capitais analisadas.
 
Merece destaque a constatação de que este processo cria uma espiral que aumenta o problema constantemente: congestionamentos impedem o bom funcionamento do transporte público e gera uma demanda no aumento do número de ônibus circulando para atender à mesma população; o aumento da frota de ônibus, por sua vez, cria novos incentivos para cidadãos optarem pelo transporte individual, resultando assim em mais congestionamentos.
 
A questão da mobilidade urbana nas grandes capitais relaciona-se diretamente com a sustentabilidade, tanto quando consideramos os impactos ambientais do aumento do uso de veículos individuais e quando observamos a perda da qualidade de vida da população e, ainda, em termos financeiros. Percebe-se que se não houver um tratamento desta e outras questões urbanas por uma perspectiva ampla, a soma das soluções individuais leva a uma piora da situação nas cidades.
A Sustentabilidade Urbana

Por Lucas Amaral Lauriano – Pesquisador da FDC
e Rafael Tello - Professor e Pesquisador da FDC

 
Quando planos, estratégias, ferramentas e ações em prol da sustentabilidade entram em curso, muitas vezes passam despercebidas algumas características do ambiente em que esses processos ocorrem. Falar em sustentabilidade hoje é incluir a cidade e o urbano no centro das atenções, já que a maioria das pessoas se encontra em áreas urbanas. De fato, de acordo com a UN-Habitat (2007), mais da metade da população global na atualidade é urbana – tendência que deve se fortalecer, com previsões de 75% de participação em 2050.
 
O processo de industrialização é descrito em “A constituição do Estado” (GIDDENS, 2005) como um dos responsáveis por tornar a sociedade urbana. A industrialização, vista como o surgimento da produção mecanizada, dependente de energias inanimadas como o vapor e a eletricidade, ultrapassou suas origens europeias. Sem tecnologia, grande parte da população estava presa à agricultura. A denominada revolução verde gerou ganhos de produtividade, que reduziram a necessidade de mão-de-obra no campo, dando condições para a estrutura urbana das sociedades industriais atuais.
 
O crescimento ocorreu em países desenvolvidos, e ainda ocorre em países em desenvolvimento, devido à migração de pessoas das áreas rurais para as áreas urbanas, atraídos por um misto de falta de oportunidades no campo e a promessa de uma vida melhor nas cidades. As cidades se tornam então centrais em diversas esferas da vida da população: financeira, econômica, política e cultural.
  
Com o aumento da população nas cidades, muitos se horrorizaram ao perceber que a miséria e a desigualdade aumentavam na mesma proporção. Uma questão social ainda pouco abordada remete ao estilo de vida dos habitantes urbanos. Consumidores intensivos de bens de consumo e energia, grandes geradores de resíduos e com mobilidade baseada em transporte motorizado individual, os cidadãos urbanos estão na raiz de muitos problemas ambientais observados por todo o mundo, mesmo em regiões distantes dos grandes centros urbanos.
 
À medida que se tornar mais claro como o estilo de vida urbano compromete a qualidade de vida e ameaça importantes serviços ambientais, haverá demanda por novos produtos e serviços que estejam adequados ao estilo de vida que respeite os limites do planeta, e é aí que as empresas preparadas para oferecerem soluções sustentáveis se tornarão dominantes no mercado.
 
O Isomorfismo Coercitivo e a Sustentabilidade nas Organizações
Por: Lucas Amaral Lauriano - Pesquisador da FDC e
Rafael Tello - Pesquisador e professor da FDC

Quando se pensa em sustentabilidade, a imagem que surge em nossa mente é a luta pela transformação das organizações e atitudes das pessoas em relação ao meio ambiente. É interessante observar que, uma vez que atitudes sustentáveis ocorrem, existe a tendência de que outras organizações também adotem o mesmo tipo de comportamento, dando início a novos padrões de atuação.
 
A tendência de homogeneização que as organizações podem possuir é chamada por Dimaggio e Powell (2005) de isomorfismo institucional, um processo que força uma organização, ou população, a se assemelhar a outras que enfrentam o mesmo conjunto de condições naquele ambiente. Um dos processos que podem levar a essa homogeneização é o chamado isomorfismo coercitivo, advindo de pressões formais e informais exercidas por organizações poderosas, como o governo ou uma grande empresa, ou ainda por expectativas culturais da sociedade na qual as organizações estão inseridas.
 
Isso não quer dizer que as organizações atuarão de maneira idêntica, mas sim que seguirão os mesmos rumos, especialmente quando falamos de temas amplos como sustentabilidade e inovação. Falar de sustentabilidade é incluir uma gama de temas que variam imensamente de um elo a outro na cadeia produtiva, desta forma, mesmo com todas as organizações agindo em prol da sustentabilidade, cada uma atuará de maneira distinta.
 
No setor da construção, por exemplo, é cada vez maior o número de consumidores que exigem a eficiência no consumo de água e energia das instalações prediais. Esse comportamento faz com que as organizações adotem medidas para que o desperdício dos recursos seja minimizado. Apesar de ser uma pressão informal, as construtoras adotam determinado padrão de construção que está de acordo com essa pressão. O setor governamental também pode incitar o processo de isomorfismo coercitivo, com a criação de leis mais rigorosas e alinhadas com os princípios de sustentabilidade.
 
Os gestores nas empresas, interessados em promover a sustentabilidade em suas áreas de atuação, podem não apenas responder a pressões externas, mas ainda criar processos internos geradores de pressão positiva ou negativa (como remuneração atrelada a desempenho socioambiental) que promovam a conscientização dos colaboradores e atuação isomórfica focada na sustentabilidade.
 
Programa de Certificação em Sustentabilidade Ambiental da Prefeitura de Belo Horizonte


Por: Lucas Amaral Lauriano - Pesquisador da FDC e
Rafael Tello - Professor e pesquisador da FDC


O Programa de Certificação em Sustentabilidade Ambiental está sendo desenvolvido pela Prefeitura Municipal de Belo Horizonte e busca incentivar a prática de processos mais sustentáveis em empreendimentos no que se refere ao uso eficiente de água, energia e materiais de construção.

O programa almeja, além de estabelecer diretrizes que previnam e mitiguem os impactos ambientais negativos causados pelas construções existentes e em licenciamento no município, valorizar os empreendimentos que buscam a diminuição destes impactos.

Foram definidos quatro temas da sustentabilidade que serão avaliados nos empreendimentos: água, energia, resíduos e emissões atmosféricas. A certificação ocorre quando os empreendimentos atendem ao menos um dos temas apontados. A análise feita para indicar os resultados de cada dimensão será baseada na entrega de dois resultados, dependendo do valor alcançado em cada tópico avaliado.

Mais interessante do que o projeto em si, é o processo que o antecede, e as consequências esperadas dessa iniciativa. Com relação ao processo anterior, têm sido realizados workshops com a participação de construtores, consultores e profissionais de diversos órgãos e empresas interessados no programa. Nos eventos, são apresentadas iniciativas ligadas a empreendimentos sustentáveis que estão em processo de execução. O Centro de Desenvolvimento da Sustentabilidade na Construção (CDSC) tem acompanhado esse processo de perto.

Além de ser um importante espaço para troca de informações e experiências, é também uma situação que conscientiza seus participantes das vantagens de diminuição de impactos negativos de empreendimentos. Esses eventos ainda seguem o princípio da sustentabilidade de diálogo com stakeholders, figurando como uma importante ferramenta de comunicação, essencial para o sucesso do projeto no longo prazo.

Apesar de não ser obrigatório, por ser uma certificação estimulada pela Prefeitura de Belo Horizonte, existe pressão informal da sociedade para que os empreendimentos a busquem. Também é cada vez maior o número de consumidores que percebem as vantagens da eficiência energética e no uso de água, e demandam empreendimentos que possuam esses diferenciais. Observa-se o potencial de vantagens competitivas para as organizações que atuarem de acordo com as recomendações do certificado, por terem maior capacidade de atendimento das demandas emergentes. Espera-se que elas também se tornem referências para aquelas organizações que queiram implantar os mesmos procedimentos. 

Iniciativas como o selo da PBH indicam que organizações ligadas ao setor da construção estão buscando gerar benefícios para empresas que reduzam os impactos ambientais e sociais negativos de seus empreendimentos. Para que isso se converta em sustentabilidade nos diversos elos da cadeia produtiva do setor da construção, é fundamental que os profissionais das empresas saibam como atuar para gerar resultados positivos para todos os seus stakeholders.

Mais informações sobre a certificação acesse aqui.

1 - 10 Próximo

Mais sobre o assunto

 

Programas

Gestão Responsável para a Sustentabilidade
 
 

 ‭(Oculta)‬ Links Administrativos

Voltar
Política de Privacidade
Alianas Internacionais
Voltar
Poltica de Privacidade