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23/03/2010Por Cláudio Boechat, professor da Fundação Dom Cabral
O século XXI tem apresentado muitas mudanças e a maior delas talvez seja a superação do paradigma da produção de riqueza econômica como grande mobilizador das sociedades. Reflexo direto, empresas que se preocupam apenas com a sua lucratividade representam um modelo que está se esgotando ou, pelo menos, sendo mais questionado a cada dia: a produção de mais riqueza gerando simultaneamente mais desigualdade.
Empreendedores estão fazendo surgir as organizações empresariais que seguirão modelos mais adequados. Um deles é o dos negócios inclusivo, um modelo que se preocupa com o lucro e os bons resultados, mas que gera produtos e serviços de tal forma que se realize a inclusão social no seu processo e no cerne de seus negócios.
Os exemplos são muitos e podem ser encontrados em vários lugares do mundo, como a distribuição de automóveis mais baratos nos mercados da Europa, dos Estados Unidos e da América Latina, a fabricação de casas populares de baixo custo a partir de processos industriais integrados, ou ainda empresas de produção de celulose que estão incluindo mão de obra de assentados rurais ou mesmo pequenos proprietários no seu processo de plantação.
Outro modelo é o das empresas sociais, modelo concebido e utilizado pelo Grameen Bank, de Bangladesh. São empresas desenhadas para atender às necessidades básicas das pessoas, porém não têm como objetivo único a maximização do lucro. Elas devem gerar lucro, no entanto ele é, a priori, delimitado. Pode-se estabelecer um retorno de capital de x% ao ano, e o que passar dessa projeção é reinvestido no próprio negócio. O Grameen tem tido sucesso em sociedades com a Danone e com a Basf.
Nesse novo panorama, a entrada dos BRICs (Brasil, Rússia, Índia e China) na agenda da economia mundial é também, sem dúvida, um marco dessas transformações. O fato de alguns desses países estarem emprestando dinheiro ao FMI, mesmo que os valores não sejam tão expressivos, é uma iniciativa emblemática.
São novos atores que entram em cena e esses países se transformam em lideranças, mesmo não tendo as maiores rendas per capita ou os maiores potenciais militares do planeta. São nações que estão desenvolvendo uma grande capacidade de reduzir a pobreza dentro de suas fronteiras, com condições também de sanear as finanças, promovendo a justiça social e a preservação ambiental.
Esse novo paradigma organizacional é uma tendência forte para os próximos anos e se encaixa como uma luva no desenho das soluções para a crise internacional atual. Sem dúvida que muitos aspectos dos velhos negócios serão restaurados, mas haverá espaços também para se gerarem novos paradigmas de desenvolvimento econômico e social, que certamente implicarão em importantes transformações no universo corporativo e na gestão das organizações.
Portanto, todo profissional que está no mercado – ou pretende se introduzir nele – deve ficar atento a essa tendência, pois ela representa, mais do que uma boa notícia, uma janela de oportunidades para as pessoas que desejam desenvolver uma carreira que tenha também um cunho social e humanitário. E não se esqueça: você pode fazer parte desse momento histórico!
29/01/2010Por Cláudio Boechat, Professor e Coordenador do Núcleo de Sustentabilidade e Responsabilidade Corporativa da Fundação Dom Cabral.
Nos dias atuais, é fundamental que todo profissional que pretende ou ocupe cargos de liderança nas organizações, encare as questões da sustentabilidade sob uma ótica empresarial estratégica.
A princípio, você pode pensar as ações de sustentabilidade como respostas a dois motivadores: riscos e oportunidades para os negócios hoje e no curto prazo. Mas, há um terceiro viés, decorrente da percepção de que grandes mudanças ocorrerão como conseqüência da evolução da sociedade e devido a imperativos ambientais.
Em outras palavras, a rota pela qual temos caminhado não nos atende mais. É certamente mais inteligente e mais perspicaz identificar os desafios impostos pela sociedade e pelo planeta às empresas e ao mercado hoje, buscando novas estratégias de negócios para estarmos presente em um futuro desejado, em alguns aspectos, e inexorável, em outros.

Observe, por exemplo, as mudanças climáticas. Ocorre, há décadas, uma emissão exagerada de gases de efeito estufa pelo homem, um fenômeno natural pelo qual uma camada de gases na atmosfera retém no ambiente uma parcela da energia recebida do sol.
Isso acontece, entre outros fatores, quando queimamos combustíveis fósseis nos automóveis, indústrias e usinas de energia, quando incendiamos as florestas ou mesmo pelos gases emitidos na criação de gado. Quando essa camada fica mais densa, mais energia fica presa na biosfera, resultando no seu aquecimento. E, as conseqüências são inúmeras: mudanças de regimes de chuvas e de temperaturas, maior ocorrência de catástrofes climáticas (como secas e inundações), elevação do nível dos mares e derretimento das geleiras. Este é um aspecto inexorável do futuro.
Quais seriam as formas de uma empresa pensar estrategicamente as mudanças climáticas? O planejamento de riscos e de oportunidades pode levar uma empresa a estratégias que “aproveitem” enquanto os custos não são afetados pelas mudanças que ainda virão. Isto pode beneficiar alguns no curto prazo, mas certamente agravará o problema no longo prazo. Nesses casos, é comum ouvirmos argumento como “no futuro, os custos serão divididos por todos” ou “afinal de contas, eu não estarei aqui mesmo...”
Porém, planejar estrategicamente para a sustentabilidade significa construir, a partir de hoje, o futuro desejável, considerando os efeitos do que é inexorável. Ou seja, reduzir ao mínimo as emissões de gases de efeito estufa e se adaptar a mudanças inevitáveis, ao mesmo tempo em que se reduzem a pobreza e as diversas desigualdades entre pessoas e regiões, recuperando a natureza para todas as espécies de vida do planeta.
Assim, as empresas podem hoje tomar atitudes pró-ativas de inserção de novos processos no seu modelo de negócio. É possível perceber que os fenômenos climáticos ampliarão o mercado do setor da construção com a relocação de cidades e estradas, as construções de diques e obras de preservação dos litorais e a reconstrução de áreas destruídas por catástrofes. Entre outras mudanças, será necessário também alterar os locais e as formas de produção agrícola e pecuária, aprender como explorar as riquezas de florestas e produzir matérias primas de maneira sustentável.
Na medida em que crescem as demandas decorrentes de maior consciência ambiental e de justiça social, é certo que as empresas com tal pensamento estratégico se posicionarão em condição competitiva absolutamente diferenciada, garantindo antecipadamente um novo posicionamento no mercado e assegurando bons resultados econômicos.
27/05/2009
Por Cláudio Boechat - Coordenador do Núcleo de Sustentabilidade e Responsabilidade Corporativa da FDC
Com seu olhar de especialista, Anne Louette conseguiu reunir informações antes dispersas, revelando-nos seu sentido comum. A interpretação do mundo a partir das nações é útil para o poder público, para os dirigentes empresariais e, evidentemente, para a Academia. No caso da sustentabilidade, essa visão é simplesmente fundamental.
A contribuição da FDC para esse Compêndio se deu com os estudos de Competitividade Responsável das nações, fruto de parceria com a AccountAbility desde 2003. A Competitividade Responsável tenta demonstrar a facilidade ou dificuldade de fazer negócios responsáveis nos países. Na evolução de construção bianual de rankings, Simon Zadek e Alex McGillivray produziram uma interessante matriz de estágios de evolução, em aglomerados de países iniciantes, cumpridores, assertivos e inovadores. O Brasil está no grupo dos cumpridores. 06/04/2009
Por Raimundo Soares Professor da Fundação Dom Cabral
O que acontece com um mundo que não está como a maioria gostaria?
Proponho aqui uma reflexão sobre as relações entre a sustentabilidade e o poder nas organizações, saindo um pouco do discurso acadêmico e com maior sensibilidade à percepção direta e mais visceral, do mundo comunitário com os crachás que usamos e sua relação com o ambiente externo.
Para entender o contexto mundial, retomemos algumas das famosas informações sobre os grandes desequilíbrios contemporâneos, que de tão repetidas por cientistas, políticos, formadores de opinião e a mídia em geral, vão penetrando na nossa memória.
- Se toda a humanidade consumisse como nos países ricos, precisaríamos de quatro planetas para suprir essas demandas. Aqui se faz uma crítica ao nível de consumo e aos produtos supérfluos. Não seria um deslumbre por encontrarmos vida inteligente em outras “esferas”, a carência na azul local?
- 348 bilionários detêm quase 50% da riqueza de toda a população. A história nos alerta para a elevada concentração de renda em sociedades cujas condições de vida apresentam risco – promove encontro de fatores altamente inflamáveis, tornando-se fonte de conflitos. O fato é que hoje temos embates nos quatro cantos do mundo, com argumentos de vitrine distintos, porém, essencialmente motivados por intenções vitais semelhantes. Em nosso país mesmo, temos sido considerados, erroneamente, como um povo pacífico. Somos um tanto amigáveis, mas pacíficos nunca. Estamos numa verdadeira guerrilha pela distribuição de renda há décadas, e agora declarada.
- A cada 8 segundos, morre uma criança de fome no mundo, ou seja, quase 11.000 por dia.
- Observações sobre o meio ambiente apontam também para a escassez de água, evidenciando a dura realidade de 35% da população com dificuldades em obtê-la. A continuarem as nossas estruturas sociais e de produção modeladoras desse comportamento, iremos nos deparar com uma situação bastante restritiva: 2/3 da população mundial em 2025 conviverá com este problema. Com relação à temperatura do planeta e ao nível do mar, as expectativas e alertas pulverizados pelos meios de comunicação revelam dados que desenham escalas graduadas em valores que variam dos menos pessimistas até os mais pessimistas, mas sempre pessimistas.
- A poluição do ar vem mudando a química do favorecimento à vida, alterando a taxa de mais de 21% de oxigênio, elaborada pela natureza, para a média de 19% em áreas impactadas. Nos grandes centros urbanos a variação seria de 12 à 17%. Quanto à diversidade de organismos, anualmente temos conhecimento da extinção de grande número de espécies.
- Falta credibilidade às instituições políticas no mundo todo. A função política, o exercício do poder, seria uma das atividades mais nobres de um cidadão, cabendo-lhe avaliar a evolução da sociedade na qual se encontra, identificar suas principais carências e, então, co-construir um projeto de nação que atenda às reais expectativas e demandas de seus componentes. Mas a descrença é uma epidemia global que vai muito além das fronteiras do setor público. Aliás, por qual instituição “colocaríamos a mão no fogo”? Os sindicatos de trabalhadores? Os sindicatos patronais? As empresas? As instituições religiosas? O sistema educacional? A instituição familiar (não considerando a nossa, claro)? As ONGs? As respostas, em geral negativas, da grande maioria dos participantes de eventos que temos realizado, ratificam que algo muito sério está ocorrendo com nosso nível de convivência.
Poderia me estender nos exemplos, mas já estão de bom tamanho. As críticas em geral são complementadas por algumas estatísticas que mostram como seria pequeno o investimento para retardar, ou reorientar nosso “Titanic” social, que se encontra em rota de colisão com a racionalidade. Algumas das considerações comparam gastos com armamentos bélicos, ou consumo de perfumes ao montante necessário para retirar parte da população mundial da miséria. Um dado – os 7 bilhões de dólares necessários para permitir acesso à água limpa para
2,6 bilhões de pessoas, em 10 anos, representam menos do que o que os europeus gastam, anualmente, com perfumes.
Aliás, a história do Titanic traz em si alguns simbolismos interessantes que evidenciam muitas de nossas características atuais. A idéia de ter afundado uma embarcação considerada muito segura, retrata bem a presunção da nossa espécie frente aos fenômenos naturais. Ao longo de nossa “viagem” por este mundo, também vamos em classes turísticas distintas e, quando o navio começa a afundar, os botes salva-vidas são para poucos passageiros da primeira classe, enquanto se mantém trancados com cadeados os porões da embarcação.
O fato é que vivemos um momento histórico delicado, cheio de paradoxos, percebemos iniciativas relevantes, como: grandes articulações internacionais envolvendo nações, empresas, a sociedade civil organizada; movimentos voltados para redução do consumo e para uma vida mais simples, mais natural; desenvolvimento de sistemas que permitam às empresas se avaliarem e serem avaliadas sobre seus níveis de relacionamento com as diversas partes interessadas, que são influenciadas pela sua existência e que as influenciam; esforços que buscam criar condições para o desenvolvimento de uma competitividade ética e responsável, além de diversas iniciativas visando atentar para a transparência política e as negociações envolvendo empresas, dentre outros tantos movimentos. Pesquisas recentes demonstram que até na sociedade americana percebe-se uma parcela significativa (25%) já internalizando um jeito de conviver mais coerente com as grandes demandas mundiais. Mas, apesar de tudo isso, nossa experiência mostra que seja no Brasil ou no exterior, a sensação de grande parcela das pessoas é de um imenso caos, uma grande lacuna de certezas e muita apreensão.
No que tange às possibilidades do futuro, vamos encontrar um vasto cardápio. Para mencionar apenas algumas: a era das incertezas; do conhecimento; da informação; da internet; de “Aquarius”; da espiritualidade; dos serviços; das marcas; da governança corporativa; da mulher; do silício; pós-industrial; das sensações; solar; da sustentabilidade; da consciência; da globalização; do caos; da terceira onda; e do capital humano.
Quando analisamos mais profundamente as características do que essas diversas eras querem dizer, emergem três olhares preferenciais: o que aponta para um mundo caótico, sem referenciais; outro, caracterizando meios mais recentes de produção e geração de riquezas; e um terceiro olhar, voltado para uma consciência mais integradora, na perspectiva de uma interdependência bem desenvolvida.
Afinal, o que acontece num mundo em que boa parte das pessoas e dirigentes acredita estar fazendo o melhor e, quando juntamos o melhor de todos, resulta em condições bastante adversas?
02/04/2009Luis Augusto Lobão Mendes Professor da Fundação Dom Cabral
Por vezes se confunde o conceito de sustentabilidade com outros termos de amplo uso no mundo dos negócios hoje. Muitos autores, empresários e consultores utilizam à expressão responsabilidade social para se referir ao compromisso da empresa para com a sociedade. É importante entender que a sustentabilidade não se resume somente à geração de benefícios para os grupos sociais fora da empresa, mas atribui igual importância aos benefícios desfrutados pela própria empresa.
A sustentabilidade tem a ver como a empresa aborda uma gama de temas de negócios referentes ao meio ambiente, direito dos trabalhadores, proteção aos consumidores, assim como sobre o impacto das atividades da empresa em relação às questões sociais mais abrangentes, tais como fome, pobreza, educação, saúde e direitos humanos, sempre considerando os efeitos destes temas sobre o lucro. As empresas sustentáveis devem ser capazes de medir, documentar e responder com resultados positivos em três dimensões: econômico, ambiental e social.
Quero deixar claro, que sustentabilidade não é simplesmente uma questão de boa cidadania empresarial, tampouco se trata apenas de uma questão ética de negócios. A sustentabilidade é o hoje o princípio fundamental da gestão inteligente dos recursos, produtos, meio-ambiente, clientes e sociedade. Vou arriscar a dizer que as empresas de fato sustentáveis não precisam fazer doações para instituições de caridade como uma retribuição do trabalho oferecido por elas, pois as suas operações diárias enriquecem a comunidade. A sustentabilidade é uma área de convergência entre interesses da empresa e públicos.
Partindo do principio de convergência e busca de oportunidade, podemos utilizar os conceitos da sustentabilidade de três formas: proteção da empresa – inclui a redução dos riscos de prejudicar o cliente, os empregados e as comunidades. Este cuidado de analisar os riscos eminentes e potenciais do negócio e reduzi-los, garante a longo prazo perda de credibilidade e dinheiro envolvidos em indenizações, reparos e recuperação da marca e credibilidade no mercado. Gestão da empresa – abrange a redução de custos, melhoria da produtividade, eliminação de desperdícios e acesso a fonte de capital a custo mais baixo. Significa de maneira simples a redução da quantidade de recursos utilizados para a produção de bens e serviços, aumentando o lucro da empresa e, ao mesmo tempo, reduzindo o impacto ambiental. O terceiro ponto eu considero o mais vantajoso, pois significa uma nova forma de pensar e agir das organizações, este ponto tem haver com a promoção e crescimento da empresa – inclui a abertura de novos mercados, lançamento de novos produtos, inovação, conquista de novos clientes e desenvolvimento de redes de interesse. A sustentabilidade é uma máquina poderosa para promover o crescimento, impulsionando a inovação e novas tecnologias.
Novos mercados desenvolvem-se, criando novas fronteiras para os negócios. Mercados antes desconsiderados por se tratar de mercados de baixa renda, demonstram como novas oportunidades. C. K. Prahalad, no livro denominado a Riqueza na Base da Pirâmide, mostrou vários casos entre eles o das Casas Bahia, que garante a acessibilidade às classes C e D, de produtos comprados pela classe média brasileira, a Unilever, que conquistou parcela significativa dos mercados em países africanos, com embalagens de baixo preço, projetadas especificamente para combater endemias. Precisa-se de criatividade para descobrir maneiras de alcançar estes novos mercados potenciais.
Infelizmente, nem sempre a sustentabilidade é um jogo ganha-ganha fácil, surgem situações, sobretudo no curto prazo, em que a sustentabilidade impõe custos adicionais. Achávamos que poderíamos ficar sentados dentro dos nossos escritórios confortáveis, cuidando dos clientes, zelando pelos empregados e que o mundo nos deixaria em paz. O que nos aguarda o futuro? Como as responsabilidades das empresas se expandirão nos próximos anos? As empresas sustentáveis procuram compreender essas realidades em transformação e antecipar-se aos problemas antes que se manifestem, para isto também precisa de coragem.
25/03/2009
A Fundação Dom Cabral aderiu à campanha A Hora do Planeta 2009. No dia 28 de março, apagará as luzes de suas unidades no Alphaville Lagoa dos Ingleses, em Belo Horizonte e São Paulo, durante uma hora, de 20:30 às 21:30.
A Hora do Planeta é um ato simbólico no qual governos, empresas e a população de todo o mundo são convidados a demonstrar sua preocupação com o aquecimento global e as mudanças climáticas. O gesto simples de apagar as luzes por sessenta minutos, possível em todos os lugares do planeta, tem o significado de chamar para uma reflexão sobre o tema ambiental.
Conhecido mundialmente como Earth Hour, a Hora do Planeta será promovida no País pela primeira vez pela ONG WWF-Brasil.
Mais de 170 cidades de 62 países já confirmaram sua adesão à Hora do Planeta.
A FDC apóia esta campanha e convida a todos os parceiros, participantes e colaboradores a aderirem à campanha também.
19/03/2009
No próximo domingo, 22 de março, comemoraremos o dia internacional da água. Recebi um artigo muito interessante, de uma ex-participante da FDC, sobre o assunto e gostaria de compartilhar com vocês.
Vale a pena ler!
Um abraço,
Cláudio Boechat Professor da Fundação Dom Cabral
Agenda internacional da água Por Adriana Fileto*
No próximo dia 22 de março é comemorado o Dia Mundial da Água. Esta data que foi criada pela ONU (Organização das Nações Unidas), em 1992, requer atenção especial de todos nós que devemos refletir bem sobre o uso de fazemos da água. A água é um bem renovável, mas finito e escasso. De toda a água existente no Planeta, 97% é salgada, 3% é doce e menos de 1% está disponível para consumo. Nos próximos 20 anos, a quantidade de água disponível para cada pessoa no mundo será reduzida em um terço. Para se ter uma idéia, nós temos hoje 6,5 bilhões de pessoas no mundo e destas, 2 bilhões não têm acesso à água potável. No Brasil, 22 milhões de pessoas não têm acesso à água potável. Segundo o Instituto Akatu, que trabalha em prol do consumo consciente, no nosso país, 60% das doenças tratadas pelo sistema público de saúde têm origem na má qualidade da água.
A falta ou escassez de água potável provoca sede, doenças, morte de pessoas, plantas e animais, enfim gera um completo desequilíbrio ambiental. Para se obter mais água limpa, buscam-se novas fontes de água e gastam-se mais recursos para tratar água imprópria para o uso. Todo este processo para aumentar a oferta de água potável acaba encarecendo o tratamento da água e consequentemente provocando o aumento de impostos. Assim, aqueles que desperdiçam água acabam no final das contas, pagando mais impostos e obrigando outros a pagarem mais para ter acesso à água limpa. Para se evitar o desperdício desse líquido tão precioso para a vida, é importante que pensemos também no uso que fazemos da chamada água virtual.
Pouca gente sabe, mas existe também a água virtual. Á água que gastamos não é só aquela que sai da torneira, pois tudo o que é produzido gasta água. Esta água que você não vê, mas que está presente na fabricação de qualquer produto é chamada de ÁGUA VIRTUAL. Assim, por exemplo, até para produzir carne se gasta muita água, pois é preciso levar em conta toda a água utilizada no processo de produção, desde o plantio do pasto que alimenta o gado até o combustível utilizado no veículo que transporta a carne aos açougues. A quantidade de água virtual utilizada varia de produto para produto. Enquanto para se produzir um quilo de carne são necessários pelo menos 13.500 litros de água, para se produzir um quilo de soja são necessários 2.300 litros.
A cada ano que passa as discussões sobre a importância e a escassez de água ganham mais força. Desde o dia 16 de março de 2009, está sendo realizado em Istambul, na Turquia, o V Fórum Mundial das Águas que insere a questão da água na agenda internacional. O objetivo central do evento é, através da colaboração global, buscar soluções para os principais problemas do setor que são o acesso à água e a falta de saneamento básico. Segundo a Organização das ONU, cerca de 2,6 bilhões de pessoas, no mundo, vivem sem saneamento básico e 1,5 bilhão não têm acesso à água potável. O evento é realizado trienalmente pelo Conselho Mundial da Água em colaboração com países convidados.
O Brasil vai participar do Fórum Mundial das Águas apresentando a Carta de Minas para as Águas, documento elaborado com base nos trabalhos desenvolvidos na Conferência Internacional Diálogos da Terra no Planeta Água, realizado em Belo Horizonte, em novembro de 2008, constituindo-se em um dos mais importantes fóruns de discussão da sustentabilidade do planeta e que pela primeira vez foi realizado na América Latina.
A sustentabilidade é mais do que nunca uma questão das mais importantes da agenda global e o Brasil, sem dúvida alguma, como detentor de 17% das reservas de água doce do mundo, segundo a ONG WWF-Brasil, terá muito a contribuir com as discussões, em Istambul, no Fórum Mundial das Águas, em março próximo. O desenvolvimento sustentável, embora seja um objetivo difícil de ser alcançado, é possível, mas são imprescindíveis a união, a cooperação e a solidariedade de todos. A Carta de Minas para as Águas finaliza dizendo: “o sonho de um desenvolvimento sustentável, economicamente viável, socialmente justo e ecologicamente equilibrado, se faz realidade se continuarmos unidos pelo diálogo, e fortalecidos pela certeza de que é possível mudar, cada um fazendo a sua parte, e acabando com a cultura de ‘esperar que os outros e o governo façam por nós’ ".
*Mestre em Administração (UFMG), Sócia da Rede Três – Educação e Consultoria para a Sustentabilidade e Consultora do Instituto Akatu
18/02/2009
Cláudio Boechat
Professor e pesquisador do Núcleo de Sustentabilidade e Responsabilidade Corporativa da Fundação Dom Cabral.
A sociedade contemporânea tem vivenciado, em todo o mundo, uma nova tendência no contexto empresarial que pode influenciar a carreira profissional das gerações que estão chegando ao mercado de trabalho.
Boa parte dos jovens está atualmente frente a um dilema que merece uma reflexão mais profunda: obedecer aos ditames tradicionais das empresas que buscam, a qualquer custo, resultados financeiros cada dia mais expressivos ou optar por trabalhar em organizações que já desenvolvam outros valores, como a preservação do meio ambiente, a inclusão social das minorias e o respeito às diferenças individuais.
Trata-se de um conflito de consciência que, em muitos casos, tem criado uma fragmentação pessoal entre o funcionário e o cidadão. O problema é complexo, no entanto sua causa é positiva. Afinal, esse dilema surge da preocupação de uma parcela crescente da sociedade com questões do mundo moderno e do futuro do planeta.
Há uma diferença significativa entre gerações. Por um lado, a chamada geração do pós-guerra, com idade entre 40 e 50 anos, buscou criar um mundo de paz e contribuiu expressivamente com a aceleração do crescimento bem como pela geração dos bons resultados nas empresas. Por outro lado, a geração que está chegando ao mercado privilegia novos valores e se sente cada dia mais responsável pela reconstrução do mundo. Tal geração exige uma visão diferenciada das organizações, com foco na redução do consumo ou, até mesmo, na mudança de várias linhas de produtos de modo a torná-los mais acessíveis às faixas de renda mais pobres.
Vale destacar também que tem sido crescente o número de empresas que se preocupam com essas novas questões, que originaram o conceito de sustentabilidade nas empresas. Tal denominação prevê a sustentação dos negócios em três pilares: resultados econômicos, a preocupação social e a preservação ambiental.
O que ocorre nos Estados Unidos hoje, principalmente após a eleição de Barack Obama, ilustra a necessidade de revisão de conceitos e conflitos de idéias de gerações diferentes. Os jovens norte-americanos têm se questionado, por exemplo, sobre a intervenção na Guerra do Iraque ou ainda na redução da emissão de CO2, em contraposição à manutenção de uma política de desenvolvimento com base em combustível fóssil e poluição com carbono.
São esses jovens que trazem para dentro das empresas um processo formativo relacionado à responsabilidade corporativa e que estão na ordem do dia no mundo contemporâneo. Eles vivem esse um novo dilema e têm dificuldade de conciliar os aspectos em questão.
Assim, essa nova geração, que valoriza mais sua realização pessoal e profissional do que o salário garantido no final do mês, deve assumir suas vontades e correr os riscos necessários. Pode ser que os talentos desses jovens não sejam facilmente reconhecidos, mas é fundamental cavar e criar novas oportunidades.
Os mercados do futuro irão se adaptar a esse contexto, porém esses jovens não devem se esquecer que é preciso também ter persistência e, principalmente, muita flexibilidade pessoal. Saber cativar espaços é diferente de ter uma postura de teimosia e inviabilidade profissional. Basta, portanto, confiar no talento pessoal, superar os dilemas e dar o salto em busca do futuro. 03/12/2008
Por Maria Raquel Grassi Professora da FDC
O homem moderno perdeu a capacidade de perceber a vida com mais amplitude e, consequentemente, os efeitos que suas pequenas ações podem provocar no planeta e na sociedade. A maioria das pessoas ainda não consegue enxergar a relação de causa-efeito entre a ação humana predatória e os desastres sociais e ambientais.
A educação é a única possibilidade que temos de resgatar essa compreensão da vida e o nosso senso de conexão. A sensibilização para os problemas mundiais e a noção que é a terra - e não meros proprietários ou passageiros – são, mais do que nunca, tarefas do processo educacional.
Essa alfabetização para a sustentabilidade deve chegar a todos os indivíduos, com destaque para as crianças, os verdadeiros inquilinos do planeta. Outro grupo que merece especial atenção é o dos líderes empresariais. As empresas detêm hoje um grande poder de transformação das 100 maiores entidades do mundo, 49 são países e 51, empresas.
Exatamente por isso, não podem se manter alheias às mazelas sociais e ambientais, não apenas pelo seu potencial de transformação, mas também porque sua competitividade depende da saúde da comunidade e do meio ambiente que as rodeiam. Muitas organizações já estão buscando práticas que não só impeçam a destruição de valores sociais e garantam acesso às necessidades básicas de sobrevivência, mas também as posicione como protagonistas das mudanças.
É nas universidades, escolas técnicas e escolas de negócios que preparamos os profissionais para atuarem nas empresas. As escolas de negócios, em especial, cuidam da capacitação para o exercício da liderança e do gerenciamento. Precisam, portanto, oferecer uma educação transformadora, capaz de despertar a consciência coletiva dos indivíduos, reacender o seu senso de participação e, sobretudo, ensinar ao homem como criar e garantir a perenidade de sua excelência.
A realidade social e ambiental deve ser inserida, de forma sistemática e pró-ativa, na atuação das escolas de negócios. A maioria das instituições ainda mantém um currículo tradicional que transmite aos alunos uma visão fragmentada e distorcida do mundo dos negócios.
A educação para a sustentabilidade requer bem mais do que o aprendizado de conceitos e modelos. Por lidar com a vida, implica conscientizar e inserir o indivíduo na realidade social e natural. Na verdade, esse é o pano de fundo e não pode ser tratado como especialidade qualquer do currículo padrão.
O desafio que se impõe ao educador é a utilização de uma linguagem adequada a cada especialidade, que revele os aspectos em que cada uma delas lida com a vida. Enxergar um novo sentido no trabalho e na carreira, ver a empresa como um ser social e percebe-se como motor de mudanças no seu entorno são algumas das “lentes” especiais que devem ser passadas aos alunos.
Somente a partir dessa educação progressista será possível formar líderes empresariais pautados pela sustentabilidade, com alguns desafios-chave: pensar e agir em um contexto global, ampliar seu propósito corporativo de modo que reflita sua prestação de contas para a sociedade, colocar a ética de contas para a sociedade, colocar a ética no centro de seus pensamentos e ações e, finalmente, orientar sua formação para incorporar a responsabilidade corporativa.
Com uma liderança desse nível será possível equilibrar os interesses da empresa e das demais partes interessadas, garantindo um ambiente que atenda às nossas necessidades sem comprometer a sobrevivência das gerações futuras. 28/11/2008
Por Paulo Darien Núcleo de Sustentabilidade e Responsabilidade Coporativa
O desafio de provocar a reflexão e de lançar os primeiros fundamentos para a construção do modelo do varejo do futuro foi plenamente alcançado no I Fórum do Varejo do Futuro, evento realizado pela Fundação Dom Cabral, através do seu Centro de Desenvolvimento do Varejo Responsável (CDVR) e com o patrocínio da Souza Cruz.
O objetivo do evento foi apresentar os resultados obtidos pelo CDVR, no seu primeiro ano de atividade, fazer o lançamento do Prêmio do Modelo do Varejo do Futuro e suscitar o debate sobre as fronteiras do novo varejo, com um modelo de negócios gerando vínculos sustentáveis e riqueza para todas as partes interessadas. Para isso, tivemos uma mesa-redonda, mediada pelo Professor Hélio Mattar, Presidente do Instituto Akatu pelo Consumo Consciente, e com a participação de empresas e instituições tais como: Unibanco, Banco Real, Souza Cruz, Grupo Martins, Sebrae e o Instituto do Varejo Responsável.
Foi feita uma pesquisa interativa com todos os participantes sobre o modelo do varejo de futuro, que gerou subsídios importantes para a construção dos fundamentos que vão embasar o nosso projeto de pesquisa.
Encerramos o encontro com a palestra do Professor Luiz Moutinho, Doutor em Gestão, pela University of Sheffield, que falou sobre os movimentos da sociedade mundial em direção a um novo modelo nas relações de consumo e suas implicações para o varejo e sua cadeia de valor.
O Fórum possibilitou uma divulgação ampla do propósito do CDVR e dos seus projetos, gerando oportunidades de adesão de novas empresas ao centro e fortalecendo ainda mais os vínculos entre as organizações associadas e as instituições parceiras.
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