Por Lucas Amaral Lauriano, pesquisador da FDC.
Em meio às discussões da Rio+20, uma das questões paralelas ao evento se dedicou a mostrar como as escolas de negócio podem educar líderes globalmente responsáveis. Nesse contexto, a Fundação Dom Cabral realizou, no dia 11 de junho, um encontro com o objetivo de apresentar o projeto “Agenda 50+20”, da Universidade de Saint Gallen, Suíça.
O nome do projeto vem do fato de que, há 50 anos atrás, houve uma revisão da agenda sobre educação para a gestão e educação executiva. Além disso, há 20 anos, ocorreu a Rio 92, que redefiniu o conceito de “desenvolvimento”. Os dois marcos dão significado ao grupo 50+20.
O grande desafio do projeto é encontrar respostas às seguintes perguntas: como fazer com que nove bilhões de pessoas possam viver nos limites do planeta? Como os países emergentes irão se manter? Que tipo de sociedade queremos? Como os negócios podem colaborar nesse processo?
Esses questionamentos são necessários na medida em que há a percepção de que os meios se confundem com os fins, isto é, o lucro é visto como um fim em si mesmo, e não como um meio para a obtenção de outros fins. Dessa forma, as organizações devem perceber que o objetivo de sua existência não é gerar lucro, e sim utilizá-lo como forma de alcançar benefícios mais amplos. Para que essa mudança na educação da gestão ocorra, a Agenda 50+20 propõe uma metodologia baseada em três papeis:
1. Educar e desenvolver líderes globalmente responsáveis - o objetivo das escolas de negócio continuará sendo o de ensinar, o que se transformará é o que será ensinado.
2. Engajar na transformação dos negócios e na economia - O engajamento, por sua vez, ainda não ocorre nas escolas de negócios. Os acadêmicos se isolam em sua própria realidade, ao mesmo tempo em que a forma como os negócios são realizados na atualidade parecem desconectados com as observações teóricas.
3. Habilitar os negócios a servirem ao bem comum - as escolas de negócio devem possuir linhas de pesquisa alinhadas aos preceitos da sustentabilidade, com o objetivo de deixar claro como as organizações podem contribuir nesse processo.
Os três papeis para a mudança no ensino da gestão devem vir acompanhados do desenvolvimento e treinamento do corpo docente, estabelecimento de benchmarks e orientação das pesquisas para o bem comum. O modelo apresentado pelo 50+20 na Fundação Dom Cabral também o foi na Rio+20, no âmbito do Fórum Global do PRME.