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23/11/2011
Por Hugo Ferreira Braga Tadeu, professor convidado da Fundação Dom Cabral
Um tema com absoluta importância para o desenvolvimento dos países é a infraestrutura, envolvendo os investimentos em rodovias, ferrovias, portos, aeroportos, saneamento básico, energia e telecomunicações. Para que uma nação cresça e se desenvolva, é preciso que uma parcela relevante do PIB seja destinada para esta função.
Não obstante, diversas instituições, destacando-se o Banco Mundial, bem como empresas privadas, vêm apresentando uma preocupação elevada para a solução destes problemas, com diversos entraves relacionados à tomada de decisão pública. O objetivo central de qualquer empresa está relacionado à entrega de produtos e serviços aos clientes, com responsabilidade, qualidade elevada e custos reduzidos.
Ao mesmo tempo, as análises sobre a infraestrutura disponível e a sua máxima utilização, estão a cargo da área de logística, ainda vinculada, erroneamente, a questões operacionais, quando deveria ser considerada uma função estratégica. Destaca-se a própria interpretação, muitas vezes equivocada, nas estruturas organizacionais desta unidade de negócio, quanto a sua união às áreas comercial, produção ou até mesmo a sua independência.
Tanta complexidade de mercado e organizacional vem trazendo à tona a reflexão quanto à busca por empresas especializadas – operadores logísticos – na execução dos serviços de transportes, armazenagem, aspectos tributários e sistemas de informação. Se, no passado, os operadores apresentavam um baixo grau de qualificação técnica e gestão, desde a ação direta de investidores, estas empresas vêm elevando a sua especialidade, atuando por segmentos e com alto grau de satisfação dos clientes.
Esta estratégia de mercado vem trazendo uma reflexão: estaria a logística tornando-se um fundamento e aspecto básico para as empresas? Caso a resposta seja positiva, a busca por uma visão estratégica, relacionada à gestão de indicadores, visão de mercado e até mesmo à gestão de modelos sustentáveis, seria a tônica do mercado. Neste modelo, a gestão de serviços seria mais relevante, destinando a preocupação para as análises quanto à infraestrutura e distribuição para especialistas.
A busca por experiências empresariais poderia ser uma saída para compreender os fenômenos acima avaliados. Empresas, outrora de produção, vêm dedicando seu tempo à gestão de serviços, terceirizando linhas, atuando em parceria com fornecedores e gerenciando apenas a sua marca, dentro do contexto da cadeia de valor e processos.
Desta forma, os custos logísticos totais poderiam ser reduzidos e não representariam uma parcela significativa da receita líquida, havendo recursos em caixa, para o melhor atendimento aos clientes. Trata-se de uma nova postura de negócios, do pensamento estratégico e de gestão.
08/09/2011
Por Hugo Ferreira Braga Tadeu – Professor convidado da FDC
A cadeia de valor foi um tema elaborado por Porter (1989), destacando-se as pesquisas para a vantagem competitiva organizacional. Quando da exposição deste conceito para o meio empresarial, muito se relacionou o tema à gestão das operações internas e externas, bem como à busca por margens satisfatórias e atendimento pleno aos clientes. Qual executivo nunca relacionou a cadeia de valor à reengenharia, ao downsizing e ciclo PDCA (Plan-Do-Check-Act)? Um ponto importante seria a ausência de aprofundamento destas metodologias pelas empresas, associando todas elas simplificadamente à redução de custos e de pessoal.
No entanto, diversos estudos vêm sendo conduzidos por empresas dos setores de mineração, siderurgia, aviação, energia, tecnologia, serviços, entre tantos outros, para a melhor compreensão da cadeia de valor. A moderna proposta do tema envolve o alinhamento extremado entre todos os fluxos internos e externos, com amplo apoio da direção destas organizações, com indicadores de desempenho claros e constantemente revisados. Mas seria somente isto?
Além dos critérios abordados anteriormente, deve-se compreender que a proposta da cadeia de valor não deve ser estendida às indústrias unicamente, mas em larga escala também para as empresas focadas em serviços. Em ambos os casos, qual seria a importância dos critérios: (i) cultura organizacional, (ii) ambiente de negócios e (iii) sustentabilidade?
Pensar em cultura organizacional e sustentabilidade impõe uma nova forma da gestão quanto ao tratamento das pessoas, do conhecimento organizacional, dos processos executados, mapeados e da proposta de valor para o respeito a estas condições e à limitação de recursos. Pensar em respeitar normas, podendo citar as séries ISO, não é o fator preponderante para a cultura de negócios. Devem-se observar os movimentos do ambiente de negócios, envolvendo os concorrentes, novos entrantes e o risco regulatório. Logo, como garantir a longevidade empresarial?
Cabe aos executivos pensar no valor gerado por negócios bem gerenciados, isto é, com a participação das equipes na sua revisão, das análises associadas às margens de contribuição e na conhecimento do nível de serviço percebido pelos clientes, bem como pelos concorrentes constantemente compreendidos e no respeito ao meio ambiente.
Desta forma, a cadeia de valor não seria uma simples concepção da proposta original de Porter (1989), ou seja, da gestão das operações internas e externas, mas de uma geração de valor superior para a própria empresa e o ambiente em que está inserida.
18/07/2011
Por: Hugo Ferreira Braga Tadeu, professor convidado da FDC
A leitura atual dos jornais é repleta de artigos com títulos como “investimentos em logística”, “expansão da aviação comercial”, “mobilidade urbana”, “trem bala”, “infraestrutura”, “paradoxos da infraestrutura”, “crescimento econômico comprometido” entre tantos outros. É perceptível a importância destes temas nos meios de comunicação, bem como para as organizações, em especial, para o desenvolvimento de longo prazo.
Historicamente, o Brasil viveu movimentos de crescimento e redução do seu ciclo econômico, fruto de inúmeros problemas macroeconômicos, mas também, microeconômicos, destacando a sua logística deficiente, sendo evidente que ainda não foi internalizado o “dever de casa” quanto à necessidade por planejamento integrado, envolvendo o governo, demandas empresariais e o bem-estar da sociedade.
Existe um risco sistêmico na economia nacional, dada a sua diversidade, instabilidade e assimetria público-privada, com um planejamento de longo prazo claudicante para os recursos disponíveis. Seria um problema cultural a falta de planejamento? Qual caminho deseja-se para o longo prazo? Qual o melhor modelo que o país deveria seguir para crescer de forma sustentável?
Os limites atuais para o crescimento não estão concentrados somente na política econômica e fiscal, mas relacionados à infraestrutura. Este é o problema central. Vive-se em um país que trabalha duro, seguindo os modelos de mercado, com evolução dos seus indicadores internacionais, mas que precisa caminhar ainda mais rápido.
Atualmente, existem inúmeras circunstâncias a serem analisadas e resolvidas, citando a gestão governamental para o setor de transportes e infraestrutura, com projetos duvidosos, o trem bala (em um momento com inúmeras demandas a serem solucionadas), as condições das estradas, aeroportos, marco regulatório para os portos, ferrovias e maior participação privada nestas questões. Da mesma forma, crescimento econômico é sinônimo direto da capacidade exportadora, algo em dúvida no momento, devido aos problemas citados.
Não é nenhuma novidade a abordagem quanto às demandas do país para o seu sistema de transportes. O que deveria ser espantoso é a velocidade como países concorrentes diretos, como a China vem executando em pouco tempo melhorias na mobilidade urbana e um pensamento sustentável de longo prazo, para garantir a sua viabilidade internacional. Logo, em que ponto estaríamos nesta corrida internacional?
Novamente, corre-se o risco de se perder a oportunidade de inserção do Brasil no cenário internacional, devido aos problemas citados, algo registrado no contexto histórico, relembrando décadas passadas de investimentos nos setores siderúrgico, petrolífero e das grandes obras de engenharia civil, mas com amplo descasamento dos movimentos internacionais.
Deve-se pensar sistemicamente e resolver com a máxima urgência as demandas expostas para não se perder a oportunidade do crescimento, devido às próprias fragilidades institucionais nacionais.
09/06/2011
Por Hugo Ferreira Braga Tadeu – professor convidado da FDC
Historicamente, os ciclos econômicos são marcados por inovações, podendo registrar os ganhos oriundos da revolução industrial e dos avanços tecnológicos contemporâneos. No entanto, apesar de todo o crescimento dos mercados, há a necessidade de profundas reformas na gestão pública em busca da eficiência, maior capacidade de geração de recursos e melhorias significativas para o bem-estar geral.
Para o caso brasileiro, percebe-se o amadurecimento das organizações em geral, bem como das finanças públicas, observando a melhoria no grau de risco pelas agencias especializadas neste tema. Porém, a preocupação com o crescimento econômico nacional relaciona-se também com o risco inflacionário, cãmbio e gasto público. Pensar em gestão também seria interessante para racionalizar recursos, pessoas e infraestrutura, sendo esta última a responsável pelos ganhos oriundos com as exportações.
O paradoxo do crescimento está justamente relatado no parágrafo anterior: organizações, crescimento econômico, gasto público e infraestrutura. Como melhorar este último item sem repensar todo o seu contexto capacitante? Qual empresa não vem apresentando problemas na sua cadeia de valor, mesmo com crescimento econômico?
Uma solução seria o pleno entendimento das operações e logística em busca de um nível de serviço maximizado, custos adequados, pessoas capacitadas e o pleno atendimento aos consumidores finais. A procura por uma nova forma do conhecimento, menos focada nas indústrias e mais relacionada à gestão de serviços, poderia ser um bom caminho para o crescimento de longo prazo e inovações incrementais.
01/06/2011
Por Hugo Ferreira Braga Tadeu – professor convidado da FDC
A logística reversa vem ganhando relevância para as organizações públicas e privadas, devido às exigências relacionadas à sustentabilidade e às atuais políticas de resíduos sólidos, já implementadas pelo governo.
A economia atual é regida pelo consumo como fonte alimentadora do seu crescimento, tendo como grande exemplo a dinâmica capitalista americana. Neste cenário, as empresas se vêem obrigadas a constantemente inovar os seus processos produtivos, reduzindo o ciclo de vida dos produtos e gerando um volume absurdo de lixo em todo o planeta. Neste caso, cabe às empresas adotarem estratégias de coleta e tratamento dos descartes, em função do seu uso pelos consumidores.
Se no passado, a logística reversa era entendida simplesmente como pós-venda e pós-consumo, atualmente, deve ser compreendida como estratégia de sobrevivência e imagem. Esta nova forma do pensamento já é um grande avanço para a sociedade moderna, que deveria estruturar os processos educativos e promover uma revisão dos padrões atuais de consumo, evitando assim problemas mais graves para as gerações futuras (como a redução dos recursos naturais e ambientais) como condição central para a sobrevivência do planeta.
29/04/2011
Por Hugo Ferreira Braga Tadeu – professor convidado da FDC
Peço licença aos leitores deste blog para a escrita de um texto mais informal. Recentemente, iniciei uma das minhas aulas com a seguinte frase “pense fora da caixa”, recordando-me dos inúmeros e alongados debates sobre gestão e cadeias de suprimentos com os amigos da Sauder School of Business, no Canadá.
Usualmente, quando se pensa em gestão da cadeia de suprimentos, remete-se o conhecimento para a gestão de estoques, demandas, fornecedores, transportes e no pleno atendimento aos consumidores. Ao mesmo tempo, busca-se a adoção de indicadores de desempenho atrelados à estratégica corporativa, e no trabalho por margens adequadas.
No entanto, ao iniciar a aula com uma nova abordagem, diversas perguntas foram levantadas e discutidas, tais como: como obter uma cadeia de suprimentos sustentável? Como desenhar a minha cadeia de valor, melhorando o nível de serviço e reduzindo riscos? Seria possível adotar os conceitos da inovação para produtos e processos nas cadeias de suprimentos? Quais os benefícios para as empresas de uma cadeia de suprimentos otimizada?
Em linhas gerais, uma aula é tempo suficiente para o pensamento sistêmico e para a revisão da importância das cadeias de suprimentos no mundo atual. Concluindo, cabe aos pesquisadores do tema uma análise aprofundada e novas aplicações, em benefício da sociedade e modelos de gestão.
25/04/2011
Por Hugo Ferreira Braga Tadeu – professor convidado da FDC
Muitos analistas econômicos de todo o mundo vem justificando a ampla necessidade pela reforma dos aeroportos nacionais, devido à proximidade da Copa do Mundo, em 2014. Porém, não é preciso esperar este evento esportivo para tanto. Observando os dados do setor, somente nos primeiros meses deste ano, houve um crescimento de 24% em comparação aos 16% de 2010. Estes números representam a ascensão da classe C aos terminais brasileiros e um maior número de embarques internacionais.
Não é preciso esperar mais três anos para resolver os gargalos do setor, pois já existe uma Copa do Mundo de preocupações e problemas para serem resolvidos agora. Há a necessidade de atendimento com segurança, conforto, tecnologia e gestão eficiente. Neste caso, peca-se pelo atraso e ausência de respostas às seguintes perguntas: privatizar ou não privatizar? Obras para ampliação de terminais ou respeito pleno ao meio ambiente? Flexibilizar ou não a lei das licitações? Aumento de capital internacional nas empresas brasileiras ou não?
Enquanto isso, cabe ao governo a criação de uma nova secretaria especial para os aeroportos, em contra-senso à existência da ANAC e do Conselho Nacional de Aviação Civil, criados para tal. É preciso maior reflexão, gestão, planejamento de curto e longo prazo para a aviação, volátil ao desempenho econômico.
15/04/2011
Por Hugo Ferreira Braga Tadeu – professor convidado da FDC
Qual a participação da logística na estrutura organizacional das empresas? Para responder a esta pergunta, torna-se necessário entender a própria definição da função “logística”. Segundo o Council of Supply Chain Management Professional – CSCMP – Conselho de Gestão da Cadeia de Suprimentos, sediado nos Estados Unidos), a logística é um “processo de planejamento, implementação e controle de custos, movimentos e qualidade, em busca da eficiência de transportes, estoques e vendas, em função das necessidades dos consumidores finais”.
A partir desta definição é possível compreender que a visão do passado, associando logística somente a gestão de fretes, compras ou como uma função de apoio às organizações está totalmente ultrapassada. Se outras áreas do conhecimento, citando a Tecnologia da Informação, saindo do antigo CPD – Centro de Processamento de Dados –, para uma unidade estratégica, a logística vem propondo algo similar.
Em função das pressões por eficiência, custos, maior agilidade para a entrega e dos inúmeros problemas de infraestrutura no Brasil, as organizações industriais e as de serviços já compreendem a necessidade por uma área independente, com o nome de “Logística”, “Suprimentos” ou “Operações”, em função da sua atividade fim. Trata-se de uma evolução importante e do reconhecimento estratégico de uma função que engloba as demais áreas da gestão e as suas fronteiras do conhecimento.
08/04/2011
Por Hugo Ferreira Braga Tadeu – professor convidado da FDC
Qual o futuro da indústria automobilística? A partir desta pergunta inúmeros estudos vêm sendo conduzidos pela Fundação Dom Cabral para antecipar as tendências da produção veicular, novas tecnologias associadas e em respeito à sustentabilidade. Atualmente, denota-se a importância dos países em desenvolvimento, representados pela sigla BRICs, em alusão ao Brasil, Rússia, Índia e China. No entanto, não se deve esquecer do maior demandante veicular do mundo, os Estados Unidos.
Cada país possui a sua particularidade quanto à sua capacidade de fornecimento de aço, peças, produção, vendas e infraestrutura urbana. Porém, a regra geral é a redução do peso dos carros em 30%, em média, adotando novos componentes como o alumínio e nióbio.
Paralelamente, a inserção de novas fontes energéticas como o etanol, lítio (para baterias) e hidrogênio estão na pauta das grandes montadoras. Resta saber qual o melhor modelo a ser utilizado para um mundo que necessita reduzir as emissões de CO2 e ser mais sustentável.
Outras questões importantes estão relacionadas ao crescimento econômico e mobilidade urbana, de tal forma que a produção anual de veículos seja satisfatória, mas em respeito às restrições apresentadas no momento. Ganhará a organização que conseguir antecipar tendências e estruturar as suas ações.
01/04/2011
Por Hugo Ferreira Braga Tadeu – professor convidado da FDC
O setor de aviação apresenta uma correlação direta com o crescimento econômico. Eventos recentes como o ataque às torres gêmeas nos Estados Unidos e a elevação dos preços do petróleo mostram a sensibilidade deste segmento ao comportamento do mercado.
Para o Brasil, o momento é de bonança, com crescimento do PIB e demanda por passageiros. Porém, a existência de gargalos na infraestrutura dos aeroportos é uma séria ameaça. Caso este tema não seja analisado de forma eficiente, o risco de ruptura e possível aumento de preços é latente. É urgente uma solução que não impacte setores estratégicos como o turismo e movimentação de cargas, por exemplo.
Exemplos internacionais indicam que os aeroportos com participação privada e gestão estratégica atrelada a indicadores de desempenho trazem inúmeros benefícios aos consumidores. Assim sendo, a solução seria a privatização ou a concessão? O que se sabe mesmo é que o modelo atual, centralizado na gestão governamental não é viável, em função das suas inúmeras restrições. Tirem as suas conclusões.
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