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Espaço de Inovação

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Portal FDC > Página Principal > Espaço de Inovação
Obstáculos para a Inovação


Por: Anderson Rossi, professor associado da Fundação Dom Cabral

A inovação é fundamental para o vigor da cadeia produtiva de um país. Para isso, as empresas precisam investir alto e, ainda, assumir os riscos em caso de insucesso na estratégia de inovação adotada.

No Brasil, agências governamentais disponibilizam várias linhas de crédito para o fomento à inovação, o que é uma solução plausível para minimizar riscos e diluir investimentos. Porém, esses recursos mal chegam até as empresas, por vários motivos e, com isso, retardam o desenvolvimento industrial e produtivo de nossos parques.

Recentemente, a Fundação Dom Cabral reuniu, em São Paulo, as maiores e mais inovadoras empresas do Brasil e os órgãos de fomento do Governo (Finep, BNDES, Fapesp e outros), além do próprio Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação, para debater sobre o financiamento à inovação e as dificuldades inerentes a esse processo.

No encontro, ficou claro que as linhas de crédito não só existem como tendem a aumentar nos próximos anos. Porém, esses recursos acabam se acumulando devido às dificuldades de acesso às linhas de financiamento, seja por causa dos entraves burocráticos, seja pela pouca qualidade dos projetos apresentados pelo setor privado.

A iniciativa privada queixa-se da extrema pulverização dos recursos e do foco de aplicação em áreas prioritárias, em especial as relacionadas à tecnologia, impedindo que sejam financiados demais processos, serviços e modelos de negócios.

As reclamações abrangem, ainda, a complexidade burocrática e a morosidade para o acesso e a liberação dos recursos destinados à inovação. Some-se a isso a falta de uniformidade, ou de “padrão”, entre as agências de fomento e as linhas de crédito. Por outro lado, os órgãos financiadores se mostram preocupados com a qualidade dos projetos submetidos pelo setor privado, o que paralisa a concessão do crédito para a inovação.

Pesquisa recente do Núcleo de Inovação da Fundação Dom Cabral, realizada com grandes empresas brasileiras, mostra que 82% delas utilizam os incentivos oferecidos pelo governo à inovação e 73% dispõem de equipes para elaborar projetos e os submeter à aprovação dos agentes financiadores.

Os órgãos com os quais as empresas mais se relacionam na busca por incentivos são principalmente a Finep e o BNDES. E a Lei do Bem, que prevê incentivos fiscais a empresas que desenvolverem inovações tecnológicas, é o instrumento de incentivo e fomento à inovação mais utilizado, por 64% das companhias.

Este panorama nos revela, de um lado, o interesse do setor privado pelos mecanismos de fomento à inovação e, de outro, a disponibilidade de recursos para financiamento por parte dos governos. Então, o que falta para avançarmos? Um caminho é a facilitação do acesso aos recursos, sem perder o foco no critério de avaliação da qualidade dos projetos.

Destravar esse aparato burocrático é importante. Além disso, a interação entre os atores do Sistema Nacional de Inovação, composto por governo, setor privado e academia, ainda é tímida e precisa evoluir com mais rapidez.

A Lei do Bem e a Lei da Inovação, que regem o campo, são recentes (2006) e propõem constantes desafios. A solução é a maior integração das partes interessadas, primando sempre pela eficiência na gestão dos recursos. Só assim a inovação terá seu impulso derradeiro. E o Brasil precisa disso.

Fonte: Jornal O Globo – 28/11/2011 - http://oglobo.globo.com/opiniao/obstaculos-para-inovacao-3342600


 

Tecnologia e inovação ao gosto do público

Por Anderson Rossi - Professor e pesquisador do Núcleo Bradesco de Inovação da Fundação Dom Cabral
 
 
A tecnologia, em estado bruto, não conduz necessariamente a um processo de inovação. Para que ela gere valor ou apresente resultados, seja à sociedade por meio de um serviço público diferenciado, seja à organização privada por meio do lançamento de um novo produto, é essencial que a tecnologia esteja fundamentada por modelos de gestão e de negócios que a suportem, tornando-a geradora de bens efetivos e perceptíveis à sociedade.

Caso contrário, a tecnologia é uma forma isolada, sem estrutura que lhe dê relevância. No setor público, a tecnologia tem se tornado condutora de processos consistentes de inovação, percebidos pela população no dia-a-dia.

O sistema integrado de dados dos Departamentos de Trânsito estaduais, o uso da teleconferência para depoimentos de detentos ao judiciário, evitando deslocamentos e reduzindo custos, o voto eletrônico, os sistemas urbanos de segurança com câmeras e softwares de reconhecimento facial são exemplos, entre outros, de como a tecnologia, inserida em um modelo factível e inovador de gestão, pode oferecer resultados e melhores serviços à sociedade.

E uma vez que esses benefícios são constatados, há um ganho positivo imediato para a marca - no caso, a de governos e órgãos do serviço público. O cidadão ‘sente' o retorno de seu tributo.

Além da tecnologia como ‘ferramental' e de um modelo de gestão ou de negócios que a suporte, outro elo fundamental para um processo inovador bem-sucedido é o envolvimento do corpo de funcionários na sua execução e/ou condução. Sem o homem não há tecnologia possível - ele é sempre chamado a participar.

Neste contexto, a Fundação Dom Cabral tem promovido, nos últimos anos, treinamentos com servidores dos governos de Minas Gerais, Espírito Santo e Bahia com o intuito de aprofundar neles a percepção da tecnologia e inovação na gestão pública e, ainda, de como esses profissionais devem aproveitar o que elas têm a lhes oferecer. É imprescindível apresentá-los ao ‘novo'.

Motivá-los a usar com eficiência os ferramentais tecnológicos disponíveis e, a partir deles, gerar resultados à administração pública e ao cidadão. Desmistificar o ‘medo' da mudança que todo processo inovador traz embutido em si. Só assim se consegue o ‘corpo' que viabiliza o avanço - com entendimento.

Um caso interessante que abrange esses três eixos - a tecnologia, o modelo de gestão estratégico e o profissional que opera este conjunto - diz respeito ao uso das mídias sociais pela administração direta do Estado.

Na Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), por exemplo, o monitoramento das mídias sociais permitiu identificar as reclamações dos usuários sobre a ausência de painéis que informassem o horário do próximo trem em uma determinada estação da capital paulista.

A companhia, de posse desses dados estratégicos, implantou o painel no local e, com isso, gerou a percepção de melhoria na prestação de serviços aos usuários.

Hoje, a perspectiva é de que a tecnologia tenha cada vez mais destaque na gestão pública. Se bem amarrada a um modelo estratégico, ela pode contribuir com melhores serviços e mais eficiência da máquina pública, reduzindo o déficit de imagem provocado por longas décadas de serviços precários oferecidos por nossos governos.
Inovação para resultados
 
Por Fabian Salum, professor da Fundação Dom Cabral.
 
Diz-se que o mundo não é feito das grandes respostas, e sim das grandes perguntas. Cada descoberta, cada invenção partiu de uma pergunta essencial: “qual é o próximo passo?”.
 
É essa inquietude humana e própria dos pioneiros que move os executivos das maiores empresas de Minas Gerais em busca de respostas para melhor compreender os rumos da inovação no Estado e na sua organização. Atentas a esse processo, as empresas brasileiras estão tentando se encontrar e definir um modelo de gestão que lhes permita focar em novas metodologias, produtos e serviços que as elevem ao patamar reconhecido de empresas inovadoras. O assunto tem tomado cada vez mais corpo, especialmente nas decisões de posicionamento estratégico. Para isso, as organizações precisam absorver processos sistêmicos que possibilitem dar continuidade e estabilidade ao movimento.
 
Há sistemáticas dentro das empresas que incluem processos claros e consolidados como budgets, metas financeiras e de mercado, indicadores de controle e ações estratégicas. Mas será que a agenda de trabalho dessas empresas possui ações concretas para abrir espaço de discussão e debate sobre o tema e amadurecer o processo?  Esse comportamento sistematizado é essencial como base para uma busca contínua pela inovação, o que poderá trazer longevidade, competitividade, lucro e market share. A partir daí, surgem os desafios, a responsabilidade e a autonomia. Surge, em especial, a cobrança por resultados. E é por isso que a pergunta que gira em torno da cabeça de todo executivo é: como dar o próximo passo? Ou seja, como converter inovação em resultados?
 
Se o mundo não é feito das grandes respostas, possivelmente seria porque as respostas não são simples ou fáceis de serem encontradas. E nada melhor do que muitas cabeças pensando em conjunto para buscar as melhores soluções. As empresas partem então numa procura por novos conhecimentos e experiências na área, criando e participando de redes de colaboração e relacionamentos: parcerias com outras empresas e organizações, universidades, escolas de negócios, órgãos de fomento à inovação com vínculos a governos e institutos de ciência e tecnologia. Neste espectro de relacionamento para a geração de conhecimento, o debate entre os membros da rede é sempre rico e diverso.
 
Internamente, tornar-se uma empresa inovadora é uma opção estratégica. De fato, exige a incorporação do conceito e da cultura pró-inovação em seus processos, indicadores, planejamentos e equipe. A influência do estilo de ser e de conduzir as equipes de trabalho recai sobre a liderança nas organizações, o que, por sua vez, pode ser comprovado pelo modelo de gestão predominante nas empresas. O modelo mais tradicional e que mais encontramos é aquele que valoriza as pessoas que gostam de trabalhar em sistemas convencionais e pré-definidos. Pensar em renovar esse modelo dentro das organizações requer motivações e ambiente favorável (ROSSI; COZZI, 2010).
 
A opção por inovar deve partir da direção, porém é necessário arraigar-se pela empresa em todos os níveis, disseminando o conceito de que o processo inovativo é estratégico e que todas as diretrizes internas devem apoiar e dar suporte a um ambiente que garanta o seu sucesso. A partir do momento que a inovação é um conceito pulverizado ao longo de todos os processos e pessoas, cria-se, assim, um ambiente propício e estimulante para o surgimento de ideias que possam gerar importantes recombinações para a empresa, seus produtos, processos organizacionais, mercado e modelo de negócios.
Sustentabilidade além do discurso


 

 

 

Anderson Rossi,
professor do Núcleo Bradesco de Inovação da FDC.


Já está mais que na hora da ação corporativa transcender o discurso quando o assunto é sustentabilidade. Apesar de ainda existir a insistência de adoção de práticas sustentáveis apenas como acessórios, mais e mais empresas as adotam como se deve, tornando-as intrínsecas ao negócio e às suas mais importantes estratégias. A inovação só é prioridade quanto entra na agenda efetiva da alta gestão, ganhando destaque no plano estratégico.

Como consequência, hoje em dia, percebemos mudanças positivas. Isso porque a busca pelo equilíbrio entre questões sociais, ambientais e empresariais têm promovido medidas inovadoras, principalmente na inclusão da chamada base da pirâmide – consumidores das classes D e E - que começam a assumir uma postura sustentável. Como a lógica da inovação deve implicar em necessariamente atender ao triple botton line, novas categorias de produtos e serviços são desenvolvidas em larga escala, buscando bom preço, diminuição de danos ao meio ambiente e com bons resultados de negócios. É possível constatarmos até que o aperfeiçoamento empresarial vem mudando o perfil do consumidor, além de traduzir sua preocupação com as questões da sustentabilidade. Mas tão importante quanto considerar essa realidade é promover o aumento de boas iniciativas, de benefícios coletivos.

Há meios para isso; talvez um dos mais importantes seja o de considerar peculiaridades regionais com base principalmente em outros três orientadores: reutilização, reciclagem e redução, ou “3Rs”. Há também modelos de atuação, como a “organização consciente” que, por meio da formação de redes, sistematiza o agrupamento de indivíduos e seus processos vitais para dedicar atenção às mudanças e às interferências no ambiente.

Para citar um exemplo, lembro de um caso da G.E. Health Care que, até há pouco tempo, concentrava sua área de inovação nos Estados Unidos. Criaram um equipamento de ultrasom para atender ao mercado indiano, mas que não funcionou, por conta do seu peso, preço e tamanho em um local que exigia mobilidade e custos acessíveis. Autorizada pela matriz, a equipe atuante na Índia aperfeiçoou o produto, reinventando o processo, tornando o equipamento mais barato, menor e mais leve, o que facilitou o trabalho dos médicos nas mais remotas vilas do país, chegando a pacientes carentes. Nesse caso, houve um benefício social, redução de impacto ambiental pela fabricação regional e retorno financeiro relevante pela exclusividade de produto. É a chamada inovação reversa, quando produtos desenvolvidos em países emergentes, fora da matriz, alcançam sucesso e depois são distribuídos globalmente.

A sustentabilidade apenas como discurso de impacto na imagem empresarial precisa ser superada. Assim como hoje não consideramos uma ação realmente inovadora se ela não atende às premissas sustentáveis, devemos ficar atentos como consumidores na escolha por produtos e, como gestores, nas escolhas estratégicas de nossas empresas. O compromisso de um board nesse sentido deve ter em vista a coerência entre princípios, discurso e ações; transdisciplinaridade; senso de integralidade; independência ideológica; e compromisso com a eficácia e a efetividade.

Fonte: Brasil Econômico - SP (Invovação e Empreendedorismo) | Publicado em: 09/03/2011.

Fatores que definem um país inovador

 

Anderson Rossi,
Professor do Núcleo Bradesco de Inovação da FDC.


Ao analisarmos nosso sistema nacional de inovação - que nada mais é do que a rede de instituições públicas e privadas cujas atividades e interações buscam fortalecer o desenvolvimento científico e os esforços envolvidos -, constatamos avanços significativos ao longo das últimas décadas.

Entretanto, o elo mais fraco neste processo continua sendo a interação entre empresas e academia no desafio conjunto de geração de conhecimentos e sua respectiva transformação em dinheiro novo para as empresas.

A distância ainda é abismal e a gestão dessa dinâmica precisa ser mais bem articulada e incrementada.

É fato que a inovação ocorre dentro das empresas e não dentro dos laboratórios das universidades, como já demonstrado em vários estudos mundo afora. Por inovação, entenda-se o processo completo, envolvendo desde a geração de idéias até a transformação efetiva do conhecimento em algo rentável.

O valioso conhecimento gerado nas universidades e instituições de pesquisa, que desempenham função ímpar no sistema, é imprescindível tanto para elevar a produção científica do país quanto para fazer girar a roda do inovar.

Cabe ressaltar que o conhecimento gerado nas universidades, ao ser licenciado às empresas para aplicação, alavanca enormemente a velocidade do lançamento das novidades no mercado.

Vários países inovadores já equacionaram esta questão dicotômica e conseguiram reforçar os seus sistemas regionais, sobretudo, por meio da orquestração das ações desempenhadas pelos atores envolvidos no processo de inovação - governo, empresas, instituições científicas e universidades.

O trabalho conjunto e planejado das instituições do sistema é que tornará o país e suas organizações mais inovadoras.

Lamentavelmente, o desafio de inovar ainda não faz parte das decisões estratégicas de uma grande parcela de empresas brasileiras.

Por outro lado, para um seleto time, ficou claro que não há outra saída para sobreviver no competitivo mercado.

Apesar de não contarmos com métodos e modelos padrão, fatores como a aversão ao risco, demanda por investimentos contínuos, bem como as incertezas inerentes ao processo de inovar podem ser amenizados com uma efetiva gestão do processo.

Para o filósofo e economista Peter Drucker, a gestão pode ser considerada a principal inovação do Século XX e, por esta terminologia, entenda-se resultado, e não esforço.

O jogo precisa ser de soma não zero e, sem uma efetiva gestão da inovação, dificilmente as empresas conseguirão manter um ritmo constante de crescimento, especialmente em tempos de inovação aberta.

Nesta mesma linha, sem uma eficaz orquestração dos esforços dos atores envolvidos no desafiante processo, dificilmente conseguiremos dar o salto de competitividade, tão necessário na transformação do país em uma nação efetivamente inovadora.


Fonte: Brasil Econômico Online - SP (Política) | Publicado em: 23/02/2011

 

A era da revolução ambiental




Carlos Arruda
,
Coordenador do Núcleo Bradesco de Inovação da FDC.


Aquecimento global, escassez de recursos naturais, falta de água e excesso de chuvas. Estes são alguns exemplos de ameaças ambientais cada vez mais recorrentes nos últimos anos. Paralelamente a isso, há um debate acalorado sobre os limites do crescimento econômico em relação ao futuro do planeta.

Ambientalistas enfatizam os danos irreversíveis causados pela exploração dos recursos naturais, com efeitos já visíveis no clima e nos níveis de poluição. De outro lado, os céticos rejeitam a idéia do esgotamento dos recursos ou, até mesmo, o aquecimento global.

Os primeiros são vistos por muitos como catastrofistas, enquanto o segundo grupo é composto de crentes na eterna abundância de recursos, para os quais a prioridade reside na busca constante de crescimento econômico (Sachs, 2000).

Onde há problemas, há inovação. O Brasil tem hoje uma grande oportunidade de ser líder em um novo ciclo econômico que foi denominado de green economy, de acordo com o Programa do Meio Ambiente das Nações Unidas - 2010 (Unep).

A chamada economia verde deve gerar riqueza preservando o bem-estar e a igualdade social, ao mesmo tempo em que busca reduzir o risco e o impacto ambiental. Embora isso já exista na teoria, ainda é um desafio na prática.

Para que o Brasil dê esse passo, é fundamental que as empresas, em conjunto com as universidades e os centros de pesquisa, busquem mecanismos de diálogo e de cooperação. Pesquisa recente realizada pelo Núcleo de Inovação da FDC constatou que o país ainda não entrou na era da inovação aberta - cerca de 60% das inovações nas grandes organizações pesquisadas se dão internamente, com pouca ou nenhuma cooperação.

Esta realidade requer novos padrões de comportamento. O diálogo e o envolvimento das diversas partes interessadas será base para o sucesso neste novo contexto. Alguns esforços já existem neste sentido.

A Embrapa, por exemplo, tem promovido redes de pesquisas em diversas áreas do conhecimento, como no caso do desenvolvimento de uma variedade de eucalipto para a indústria de papel e celulose melhor adaptado ao meio ambiente brasileiro. Empresas, universidades e centros de pesquisa colaboram compartilhando conhecimento.

A FDC, em parceria com a Secretaria de Ciências e Tecnologia e Educação Superior de Minas Gerais e a Fapemig, agência de fomento para pesquisa do governo de Minas Gerais, formalizou um projeto que visa incentivar e promover redes de cooperação para a inovação ambiental.

Esta rede visa aproximar empresas, universidades e centros de pesquisa e de desenvolvimento do Brasil e do mundo de forma tal que tenham um ambiente favorável ao compartilhamento de problemas e conhecimento, promovendo o encontro de demandas e soluções.

Cabe aos empresários, pesquisadores, especialistas e ao poder público transformar esta crise potencial em oportunidades de geração de riqueza de forma sustentável. A revolução ambiental faz parte do nosso futuro. Esta é a oportunidade para um país que souber inovar por meio da cooperação.

Colaboraram Flavia Carvalho e Paulo Savaget, pesquisadores da FDC.

Fonte: Brasil Econômico - SP (Política) | Publicado em: 22/12/2010

Ruptura como um passo da revolução

Por Anderson Rossi*

 

Hoje em dia, a inovação tem sido apontada como fator determinante para a sobrevivência de empresas nos mais variados setores da economia. Inovar virou palavra de ordem para aqueles que pretendem alcançar competitividade e longevidade empresarial.

O conceito em si não é novo. De certa forma, a humanidade inova desde a descoberta do fogo. O que mudou foi a importância que a inovação passou a ter como ferramenta de gestão, capaz de gerar maior eficiência operacional e, assim, alavancar os negócios.

A concorrência acirrada faz com que as empresas busquem soluções inovadoras para oferecer serviços e produtos de qualidade, com preços cada vez mais atrativos. Nesses casos, o uso eficiente da tecnologia oferece vantagens, já que os processos são otimizados. No início, toda inovação tecnológica tem um custo considerável, no entanto, a entrada de novos players no mercado e o aprimoramento constante dessas tecnologias promovem uma baixa nos preços, gerando um ciclo virtuoso de valor para o consumidor.

Para atender às necessidades locais, grandes empresas utilizam a inovação reversa, ou seja, desenvolvem suas tecnologias fora de suas matrizes, nos mercados tradicionais, apostando em suas filiais mundo afora, para depois adotarem as inovações em escala global. Como é o caso da General Electric, que desenvolveu, na Índia, um moderno aparelho de ultrassom com tamanho e custo reduzidos, para que a numerosa e carente população do país fosse atendida de forma efetiva.

Outra forma de inovar é por meio da quebra de tradicionais monopólios, onde o consumidor tem ganho de valor agregado sem, necessariamente, pagar mais por isso. Trata-se do conceito de inovação de ruptura, defendido pelo professor Clayton Christensen: “A ruptura traz, inicialmente, um produto pior em relação ao modo como o mercado faz sua avaliação. Mas também traz um novo conjunto de atributos que permitem ao produto ser usado de uma maneira diferente dos que existiam antes”.

A inovação de ruptura é essencial para reduzir custos, ampliar o acesso e melhorar a qualidade em muitos setores. No Brasil, um bom exemplo foi visto na área da aviação. Novas empresas entraram no mercado oferecendo serviços mais modestos, porém, a preços mais baixos. O movimento popularizou o setor e trouxe novos passageiros aos aviões dessas companhias. Já na área da saúde, tradicionais planos de assistência médica presenciaram a chegada de companhias que trouxeram consumidores de outras classes ao setor.

Inovar nem sempre quer dizer começar do zero. Muitas vezes, um olhar atento para dentro da empresa permite recombinar processos já existentes, que levarão a um modelo completamente novo de negócio. Em outros casos, o modelo de Open Innovation (inovação aberta), onde as empresas colaboram entre si, pode ser utilizado para buscar novas possibilidades de atuação. Para revolucionar o mercado é preciso reinventá-lo.

*Professor e pesquisador do Núcleo Bradesco de Inovação da Fundação Dom Cabral nas áreas de gestão da inovação, empreendedorismo corporativo e competitividade; Doutorando pela Universidade de Quebec (Canadá) e Mestre em Administração de Empresas.

 

Novas dimensões da inovação

*Anderson Rossi, Professor do Núcleo Bradesco de Inovação.

 

Merece destaque a ampliação do conceito de inovação adotado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em recente pesquisa divulgada. Em sua quarta edição, a Pesquisa de Inovação Tecnológica (Pintec), que analisou dados de 2008, “inovou” e atendeu ao pleito empresarial ao ampliar as fronteiras para a compreensão do conceito de inovação, sobretudo a organizacional. Pode-se considerar como um avanço na Ciência e Tecnologia Brasileira, na medida em que nos permite entender melhor a complexidade do processo de inovação.

De acordo com a pesquisa, o percentual de indústrias brasileiras inovadoras cresceu 21% nos últimos oito anos, saindo do patamar de 31,5% em 2000 para 38,1% em 2008, o que representa a maior taxa de inovação no segmento industrial desde que a pesquisa começou a ser realizada, em 2000. Segundo a pesquisa, cerca de 38.000 empresas declararam ter implantado algum produto ou processo novo ou substancialmente modificado no período de 2006-2008. Deste total, 3.232 empresas desenvolveram produtos ou serviços inovadores para o mercado nacional e somente 267 criaram inovações para o mercado mundial. Este último dado é preocupante e mostra como ainda somos fechados, no que diz respeito ao desenvolvimento e inovação. A maioria das empresas participantes da pesquisa ainda mantém o esforço inovativo nos limites da organização e voltados ao atendimento do mercado doméstico, dando as costas ao que é desenvolvido no mundo. Tal fato, que vai à contra mão do processo de inovação aberta, pode minar a competitividade do negócio e a otimização dos empreendimentos.

Outra observação relevante na pesquisa, que envolveu 100.496 indústrias, é a mudança do enfoque e da coleta de informações para se entender a inovação no Brasil. Nas edições anteriores, o caráter tecnológico imperou na tentativa de se compreender o fenômeno e as praticas de inovação nas empresas brasileiras. Nesta edição, foram incorporadas ao processo tradicional, novas janelas e ferramentas para a compreensão das principais barreiras à inovação nas empresas. Comprovadamente, o desafio da inovação é muito mais amplo do que a conversão de ciência em tecnologia, com a usual distinção entre ciência básica e aplicada. A inovação não é resultado de eventos esporádicos e decorrentes de causalidades, mas sim processos sistematizáveis e, portanto, influenciados pelas técnicas e ferramentas de gestão. Neste sentido, mesmo que ainda tenha um longo trajeto pela frente, a PINTEC 2008 representou um esforço público expressivo em abranger a inovação de forma mais holística do que em suas pesquisas anteriores. Cabe destacar que 68,7% das empresas inovadoras participantes do levantamento afirmaram que realizaram ao menos uma inovação organizacional e 59,3% alguma inovação de marketing no período de 2006 a 2008. Nestas categorias estão incluídas as inovações relacionadas aos serviços, modelos e gestão de negócio, entre outros. Finalmente, estamos saindo da chamada versão 1.0 na inovação, onde o que importa são os investimentos em P&D e patentes, para uma versão mais ampliada e direcionada na gestão e na sustentabilidade dos negócios. O foco passa para os outcomes ou outputs e não somente nos inputs.

No que tange às barreiras gerenciais à inovação organizacional, diversos estudos foram desenvolvidos pelo núcleo de inovação da Fundação Dom Cabral. Dentre elas, grande destaque é atribuído à aversão ao risco, decorrentes das incertezas inerentes ao processo inovativo. Estas incertezas levam a uma incoerência entre o discurso estratégico e a prática: ou seja, a inovação é top priority nas estratégias das empresas, mas estas acabam investindo seus recursos e esforços às atividades rotineiras, às tradicionais e míopes práticas gerenciais, que visam apenas o curto prazo. Negligenciam, desta forma, as atividades de longo prazo, mais arriscadas, porém grandes responsáveis pela diferenciação e longevidade empresarial. O impacto deste posicionamento sobre a cultura organizacioanal é extremamente negativo, dado que se torna irraigada uma cultura pró-eficiência, porém avessa à inovação. Portanto, querer inovar não é o bastante. É preciso primeiramente inovar nos nossos modelos, na gestão, no mindset da organização. É preciso um movimento interno na empresa, envolvendo, sobretudo, as decisões estratégicas, investimentos, com participação de todos e muita dedicação e persistência.

Por fim, apesar de perceptível a evolução no processo de inovação nas empresas brasileiras, como pode ser constatada na Pintec 2008, ainda temos muito trabalho conjunto e em parceria para conseguirmos, definitivamente, inserir a inovação na agenda empresarial e no DNA das organizações. O desafio é coletivo e exige um jogo onde a soma não é zero, onde todos saem ganhando.

 

Empreendedores Sustentáveis


 


Carlos Arruda

Coordenador e professor do Núcleo Bradesco de Inovação da
Fundação Dom Cabral


Ao estudar como as economias poderiam desenvolver mecanismos para superar o downturn do ciclo econômico, o economista Joseph Schumpeter (1883 –1950) identificou que a principal causa para que a economia cresça e saia do estado de equilíbrio é a inovação.

Segundo ele, inovar cria condições para o aumento da riqueza de um país. No entanto, estas mudanças espontâneas no fluxo circular e as perturbações do centro de equilíbrio aparecem na esfera da vida industrial e comercial – não nas esferas das necessidades dos consumidores.

O economista dizia que “é o empreendedor que inicia a mudança econômica e os consumidores são educados por ele, se necessário; ensinados a querer coisas novas, ou coisas que diferem em um aspecto ou outro daquelas que tinham o hábito de usar.” Para ele, o agente gerador destas mudanças que hoje chamamos de inovações não é o ambiente, o mercado ou os stakeholders: são os indivíduos que estão em condições de descobrir ou criar possibilidades. Logo, estes agentes de transformação são fundamentais e intrínsecos ao sistema capitalista, que é baseado no processo contínuo de mudança econômica.

As mudanças sempre transformam as condições econômicas e sociais, mas eles não são os fatores determinantes. O impulso fundamental que estabelece e mantém a máquina capitalista em movimento vêm das novas tecnologias, novos produtos, novos arranjos de produção e distribuição, dos novos mercados e das novas formas da organização que o empreendedor e as empresas criam. O que é causa vira efeito em um ciclo continuo de renovação e de transformação.
Hoje, vemos a necessidade de identificar, compreender e promover a ação de novos tipos de empreendedores, que criem modelos em que as condições de vida e a geração de riqueza não confrontem com os recursos ambientais, em que o acesso a energia, ao conforto e ao luxo não signifique competição por uso de recursos escassos no planeta.

A cidade de Curitiba vem dando exemplos de que é possível promover soluções sustentáveis. Como reconhecimento deste processo, recebeu este ano o Prêmio Internacional de Cidade Sustentável (Sustainable City Award 2010) concedido pelo Globe Award, uma ONG sueca que reconhece iniciativas de sustentabilidade, empresas e institutos de pesquisa básica e aplicada. Longe de ser uma cidade sem problemas, Curitiba foi premiada por ter demonstrado profundidade no entendimento da essência para o desenvolvimento sustentável. Investiu esforço em políticas públicas e em ações delineadas e gerenciadas de forma holística, numa clara demonstração de participação da comunidade para questões ambientais, intelectuais, culturais e sócio-econômicas. Este é um exemplo de como se criar espaços para que novos empreendedores sustentáveis tenham condições de desenvolvimento da economia, ao mesmo tempo em que preserve o meio ambiente e permita a promoção de ações de cunho social.

Fonte: Jornal Brasil Econômico - 19/10/2010

Sem projeto não há inovação

Ricardo Jacobina, Coordenador da Ênfase de projetos do curso de Especialização da Fundação Dom Cabral

A inovação nas esferas pública e privada nem sempre busca tornar real uma ideia por meio de um processo adequado de concretização. Esta característica preocupa. Com data marcada na agenda mundial para os Jogos Olímpicos e a Copa do Mundo de Futebol, o Brasil enfrenta um desafio inédito que vai exigir do governo e da sociedade civil uma mudança de postura. Se não adquirirmos uma cultura de planejar mais para executar melhor, problemas na realização dos maiores eventos da história nacional serão amplificados. Em um cenário conturbado no qual medidas básicas podem estar comprometidas, só será possível inovar com bons projetos.

Para citar um exemplo, assim que Londres foi escolhida como sede das próximas Olimpíadas, reservou 18 meses somente para pensar e planejar tudo. Criticada no início pelos mais ansiosos, a resposta veio com a conclusão que antecipa em um ano as obras e ações necessárias para receber os Jogos. O período de “sobra” servirá para testar todo o aparato.

De acordo com o Project Management Institute (PMI), um projeto adequado se divide em quatro fases: a concepção da ideia, o seu planejamento, sua execução, monitoramento e controle e um encerramento adequado. Em cada uma destas fases, oito áreas de conhecimento devem ser atendidas: escopo, custo, prazo, qualidade, riscos, comunicação, recursos humanos e suprimentos. Tudo gerido de forma integrada.

Depois da ideia, da necessidade ou da vontade de empreender, um gestor precisa planejar e saber se é realmente possível alcançar os objetivos. No planejamento, defini-se com apurado nível de detalhamento e precisão qual é o escopo do projeto; quanto vai custar; quando precisa ficar pronto; como alcançar os níveis de qualidade desejada; quais as restrições e premissas; os canais de comunicação, os stakeholders e suas necessidades de informação; que profissionais precisam ser contratados; e o que precisa ser adquirido. De acordo com o PMI, um projeto ideal deve ter no máximo entre 5% e 10% de desvios de seu planejamento inicial, e no mundo apenas uma minoria atende a esta métrica.

É na fase de execução do planejamento que erros e acertos aparecem, exigindo do gestor um ininterrupto monitoramento, controle e ações corretivas. Cabe a ele saber que eventuais alterações precisam ser realizadas e conduzir o empreendimento com o máximo de acertos possível. Para os riscos, o projeto deve prever um plano de respostas. Sempre haverá mudanças, mas não existe a menor possibilidade de atrasos na Copa e nos Jogos Olímpicos.

E somente registrando-se a satisfação dos stakeholders, os acertos, e avaliando criteriosamente os equívocos de planejamento, será possível mensurar o legado real para a população, no caso desses eventos tão importantes. Aproveitando o ingresso de recursos que o país terá por conta desse contexto de desenvolvimento, a inovação precisa passar pela sustentabilidade. Do setor público ao pequeno empresário, será possível incluir projetos sustentáveis para promover ações economicamente viáveis, socialmente justas e ambientalmente corretas.

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