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30/04/2013
Hugo Ferreira Braga Tadeu Professor e Pesquisador da Fundação Dom Cabral
Jersone Tasso Moreira Silva Pesquisador da Fundação Dom Cabral
Diversos estudos indicam que existe uma forte correlação entre o crescimento econômico e os investimentos realizados para a produção de petróleo. Além destes fatores, a importância desta fonte energética se dá pelo fato de os principais países produtores estarem constantemente associados a tensões políticas, provocando oscilações na cotação do barril, interferindo diretamente em setores relevantes para o crescimento mundial. Logo, estimular o investimento em novas fontes energéticas seria o melhor caminho para o mundo? Ou, como segunda opção, por que não investir em tecnologias que permitam a utilização do petróleo, respeitando os princípios sustentáveis?
Dados de 2012 da International Energy Agency (IEA) indicam que uma das razões para a predominância do petróleo na economia, seria a sua importância nas principais bolsas de valores do mundo, citando as de Chicago e Londres. Conforme o Departamento de Energia dos Estados Unidos (2010), grande parte dos ativos negociados nestas bolsas tem como lastro o petróleo. Logo, o estímulo para a adoção de novas fontes energéticas talvez não se tornasse viável.
No caso brasileiro, somente a Petrobras representa grande parte do volume das ações negociadas, estimulando os movimentos do mercado há anos. Da mesma forma, a OGX, do empresário Eike Batista, conseguiu provocar uma grande oscilação acionária brasileira na última semana, dadas as suas políticas de exploração abaixo do esperado e empréstimos em negociação pelo BNDES na empresa.
Além destes fatores, descobertas relevantes de reservas de petróleo no mundo, citando o pré-sal no Brasil e, recentemente, no Japão, estimulam novos investimentos pelas empresas de petróleo. Como se não bastasse, a descoberta de gás de xisto em solo americano pode representar a autossuficiência energética deste país, sendo esta fonte menos poluente do que o carvão, respeitando os princípios sustentáveis, que tanto os americanos são exigidos.
Pensar em processos sustentáveis apresenta-se como algo extremamente relevante, ainda mais para um planeta com aumentos constantes de temperatura. Dados de 2011 do Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC) indicam que as alterações climáticas em curso tornariam a vida terrena inviável, já em 2050. No entanto, outras fontes de pesquisa, como o Massachusetts Institute of Technology (MIT), em dados de 2012, contestam a responsabilidade única pela utilização do petróleo, como consequência das alterações climáticas, destacando os benefícios econômicos da sua utilização.
Finalmente, a lei de Stuart parece estar tão atual quando da sua formulação em 1956, isto é, as reservas de petróleo disponíveis no mundo não seriam finitas, mas dependentes somente dos investimentos e inovações tecnológicas para viabilizar a sua exploração, até mesmo, de forma mais limpa.
18/04/2013 Por: Raoni Pereira - Bolsista de pesquisa do Núcleo de Inovação.
A inovação passou a ser um imperativo para as empresas que buscam garantir sua competitividade, crescimento e sobrevivência no mercado. Além disso, cada vez mais estudos e casos de empresas revelam que é necessário envolver fornecedores, clientes e outros parceiros da cadeia produtiva no processo de inovação, caso a empresa queira inovar de forma mais efetiva e eficaz.
De acordo com o professor da Poli/USP, Renato Garcia, que falou sobre Inovação na Cadeia Produtiva em encontro do Centro de Referência em Inovação de Minas Gerais da Fundação Dom Cabral, antes dos anos 90 do século passado, predominavam empresas com estruturas mais verticalizadas, assumindo o compromisso em diversas etapas da cadeia produtiva. As empresas então passaram a se especializar nas suas principais competências, já que elas foram impelidas a adquirirem maior agilidade produtiva e aumentar os custos em qualidade e inovação, escolhendo, a partir das suas principais competências, áreas estratégicas para atuação.
Além de se especializar em suas competências essenciais, as empresas tiveram que estreitar o relacionamento com os outros membros de sua cadeia, com a finalidade de garantir o padrão de qualidade aos insumos necessários para a produção de seus bens. Desta forma, as cadeias precisam adquirir confiança para que a relação seja benéfica e possa atingir os resultados almejados. Além disso, ao mesmo tempo em que as empresas têm mais acesso a fornecedores, elas buscam possuir menos fornecedores, tornando-os cada vez mais estratégicos, desenvolvendo atividades em conjunto e, consequentemente, aumentando o grau de dependência entre eles. Esse relacionamento é importante para que a cooperação chegue também ao processo de inovação e possibilite que as empresas, conjuntamente, possam gerar novas ideias, produtos, embalagens, processos, etc.
Sandro Valeri, gerente de inovação da Embraer, mostrou, durante a reunião do CRI Minas, como a empresa vem buscando integrar sua cadeia na busca de novas inovações. A gigante da aeronáutica brasileira possui poucos fornecedores, e busca sempre atuar em parcerias ou consórcios colaborativos com fornecedores e parceiros para diluir os custos e os riscos dos projetos. Um exemplo de um desenvolvimento em conjunto que resultou em um ganho de mercado, é o das aeronaves da Companhia Aérea Azul que possuem televisão a bordo, desenvolvida em conjunto com a Jet Blue (cujo fundador é o criador da Azul). Frederico Braga, gerente de P&D, Inovação e Conhecimento da Brasil Foods, que detém as marcas Sadia, Perdigão, Batavo, dentre outras, mostrou que, ao gerir os projetos de inovação, a empresa trabalha em duas frentes. O primeiro processo é denominado de processo propositivo, no qual clientes, fornecedores e entidades de pesquisas propõem projetos que são avaliados pela BRF. Já no processo prospectivo, a empresa mapeia as necessidades em P&D e busca parceiros para realizar o desenvolvimento.
Casos como esses demonstram cada vez mais que as empresas que queiram efetivamente inovar, seja em produtos e processos, precisam envolver seus parceiros. No entanto, é necessária uma governança e que também haja espírito de colaboração entre as partes para que essas parcerias sejam de fato proveitosas. Inovar não é tarefa fácil, exige esforços e investimentos, sem contar os riscos envolvidos. Unir os parceiros nessa dinâmica vem mostrando ser este um caminho importante para aumentar a taxa de inovação das empresas brasileiras.
08/03/2013Por: Hugo Ferreira Braga Tadeu
Professor e Pesquisador Associado da Fundação Dom Cabral
Fabiana Alves Gualberto Madsen
Pesquisadora do Núcleo de Inovação da Fundação Dom Cabral
Que tal ficar horas preso no seu veículo em um engarrafamento? Já imaginou utilizar os serviços públicos de transportes? Da mesma forma, imagine uma reunião de trabalho comprometida, em função do cancelamento de um voo? Além do desconforto e o tempo desperdiçado no trânsito, o custo pela ineficiência da mobilidade vem gerando perdas significativas no mundo. Muitos economistas atribuem as ineficiências dos sistemas de mobilidade ao baixo investimento, gerando gargalos incalculáveis. Mas seria o aumento de investimentos públicos e privados a única alternativa para solucionar estes problemas?
Se, no passado, a solução para muitos países, como o Brasil, foi o aumento dos investimentos em ativos, citando as grandes obras da década de setenta, tal solução parece ser duvidosa nos dias atuais, dada a escassez de recursos, alocação do dinheiro público e dificuldade para manutenção destes ativos no longo prazo. Estes argumentos acabam por gerar dúvidas também para a iniciativa privada, com inúmeras análises destacando as baixas taxas de retorno para estes investimentos e aplicação de capital.
Observa-se, ainda, um crescimento exponencial das grandes cidades, necessitando cada vez mais de sistemas interligados de ônibus, metrô e aeroportos, nos quais os tempos de deslocamento sejam respeitados. Por mais que existam agências regulatórias, a complexidade da mobilidade vem trazendo desafios nunca antes enfrentados.
Estudos recentes do Banco Mundial (2012) indicam que a taxa de investimentos em relação ao PIB deveria ser, em média, de 7% ao ano, como garantia para o pleno funcionamento dos sistemas de mobilidade. Todavia, esta taxa é muito superior, por exemplo, aos 2,5% do Brasil, entre tantos outros países em desenvolvimento. Dados do próprio Banco Mundial alertam, ainda, que o investimento vem caindo ano após ano no Brasil, como resultado da não priorização do tema.
Complementando os estudos do Banco Mundial, pesquisas realizadas pela Sauder School of Business e MIT (2012) sugerem que a inovação deveria ser o novo motor para melhorias significativas em mobilidade. A adoção de sistemas V2V (Veículo para Veículo) e V2I (Veículo para Infraestrutura) gerariam economias e maior eficiência no deslocamento. Pensar em novas tecnologias via satélite não é algo novo – há muitos anos são utilizadas por aviões, garantindo o seu deslocamento pelos ares. A proposta seria implementar esta tecnologia de forma integrada pelos demais sistemas de mobilidade.
Logo, se no passado, o foco era o investimento em ativos, o futuro talvez esteja reservando a alocação de recursos em inteligência, por meio de modernos sistemas interligados, proporcionando o respeitar do tempo, deslocamento e custos minimizados. Se, um dia, a comunicação era realizada por sistemas de rádio, com custos consideráveis e, hoje, tem-se a Internet e os seus avanços, por que não inovar na mobilidade e competitividade também?
09/01/2013
Por Hugo Ferreira Braga Tadeu
Professor e Pesquisador Associado da Fundação Dom Cabral
O processo de geração da informação no mundo moderno vem ultrapassando a capacidade de absorção humana. Basta observar o número de revistas, livros, jornais, relatórios executivos, blogs e sites continuadamente disponibilizados. Da mesma forma, sobram dúvidas sobre a qualidade de quem produz estas informações e até mesmo de quem as utiliza, observando por exemplo, o momento crítico da economia mundial.
Há dez anos, ainda era possível comprar um jornal, sentar-se em pleno domingo junto aos demais familiares e deliciar-se com artigos de alta qualidade, como os de economia, política, educação e infantil. Tratava-se, naquela época, de uma reunião para a troca de conhecimentos e para um debate até mesmo maior sobre a vida. Saudosos foram estes tempos de análises minuciosas, não importa o assunto. Atualmente, esta prática parece estar em desuso, dadas as facilidades da internet, dos buscadores no ambiente “ponto com” e da solitária vida digital.
Segundo pesquisas da Universidade de Cambridge (1993), a era da informação não seria moderna, mas datada de 1440, quando da invenção da máquina de impressão. Este equipamento, teria sido o responsável pela disseminação do conhecimento e proporcionado toda a revolução mundial, sendo um dos períodos de maior crescimento econômico mundial. Passados muitos anos e, já em 1970, pode-se perceber o crescimento da indústria tecnológica, trazendo consigo os avanços da pesquisa acadêmica, suas aplicações industriais e residenciais.
De 1440, passando por 1970, até os dias atuais, a informação parece estar diante do clique de um mouse, sem que seja necessário tempo, investimento e análises para tanto. Como diria Marcelo Tas (2009), “como um personagem de videogame, que salta abruptamente de uma fase para outra…parece ter recebido todo conhecimento do mundo num único clique...”. Logo, resta a mais simples pergunta: toda a informação e tecnologia disponíveis vêm sendo transformadas em conhecimento, de tal forma a gerar um ambiente econômico e social melhor?
Dependendo do Banco Mundial (2012), os avanços da informática têm como consequência uma queda da atividade econômica, da qualidade da pesquisa científica e consequente inovação. Na linguagem dos economistas, tem-se o “paradoxo da produtividade”, conforme proposto por Solow (1987). Sugere-se que toda a informação disponível vem sendo mal utilizada, gerando conhecimento de baixo nível e um risco para o crescimento, em todas as esferas possíveis.
Medir o progresso da informação e, consequentemente, do conhecimento, em detrimento à economia não é uma tarefa fácil. Tradicionalmente, são utilizados indicadores como investimentos em P&D (pesquisa e desenvolvimento) ou na geração de patentes. No entanto, nunca a atividade econômica e empresarial foi tão claudicante.
Sendo realista, há a necessidade para um pensamento concreto e garantias de aumento de produtividade, passando por uma educação de qualidade, ambiente de trabalho adequado e correta utilização da tecnologia, como proposto por Paul Krugman (1994). Histórias de crescimento econômico normalmente estão relacionadas ao longo prazo. Enquanto isto, tem-se a degradação do curto prazo, associado a este, a do conhecimento e do tripé econômico-empresarial-social.
Fonte: Jornal Brasil Econômico – 07/01/2013 – pag. 39
17/10/2012
Por: Hugo Ferreira Braga Tadeu - Professor e Pesquisador Associado do Núcleo de Inovação da FDC
A Revolução Industrial proporcionou uma série de impactos no processo produtivo mundial, sendo de absoluta relevância para o mundo econômico, gerando tecnologias como o motor a vapor, melhorias nos sistemas de transportes, criação do telégrafo e, a posteriori, desdobramentos para novos sistemas de produção do aço, da invenção do fonógrafo e, até mesmo, dos cabos submarinos. Graças a esta “revolução”, o mundo do campo cedeu espaço para as máquinas, gerando uma cultura do trabalho em escala e intensiva em tecnologia.
Toda esta dinâmica de transformação só foi possível em função do pensamento liberal econômico, resultado também das constantes inovações da época e minimização dos custos produtivos. Neste contexto, vale a pena destacar os princípios da moderna gestão organizacional, segundo os pensamentos de Adam Smith, em que o capitalismo seria uma fonte inesgotável de novos negócios, desde que a busca pelo lucro e o respeito às regras de mercado fossem assim executados.
Seguindo esta lógica, estariam o mundo e o Brasil vivenciando uma nova revolução industrial, mediante um processo de constante inovação? Qual o ambiente econômico (macro e microeconômico) para propiciar uma reinvenção industrial?
Já está bem evidente que a crise dos títulos subprime nos Estados Unidos desencadeou uma avalanche em todo o mundo devido à conectividade dos sistemas bancários internacionais, estimulando a atuação de grande parte dos Bancos Centrais para uma redução das taxas de juros o que, em tese, poderia ser algo positivo, desde que os sinais de inflação crescente não se manifestassem. No caso específico brasileiro, as tentativas do governo em fomentar a economia, reduzindo as taxas básicas de juros e a desoneração tributária de setores de interesse, parecem não estar surtindo efeito para o crescimento sustentado.
Temas que deveriam estar em pauta, com maior grau de importância do que os juros ou a desoneração, seriam o investimento de longo prazo em infraestrutura, a busca por um ambiente de negócios saudável, a redução da carga tributária, o estímulo para a abertura de novos empreendimentos e a manutenção do crescimento industrial, ainda mais em um contexto de queda na arrecadação e menor pagamento de impostos.
Ao mesmo tempo, pode ser percebida a busca pela inserção de novas tecnologias pelas empresas, como as impressoras 3D, que resultarão em uma revisão dos modelos atuais de fabricação, distribuição, vendas de produtos, relações trabalhistas e consumo em todo o mundo. Esta não é a única revolução percebida no ambiente corporativo, com mudanças graduais no consumo de bebidas, alimentos, tecnologia móvel, produção veicular, sistemas de transporte urbano, entre outros.
Como a história do mundo sempre acontece em ciclos de crescimento e contração, vale a pena relembrar Eric Hobsbawm, em “A Era dos Extremos (1994)” e “Tempos Interessantes (2002)”, em que diversas análises conectadas sobre a humanidade, Grandes Guerras Mundiais e sobre o Século XX são realizadas, destacando os aspectos relacionados ao trabalho e à industrialização. Da mesma forma, outros pesquisadores, citando os estudos contemporâneos de Chris Anderson, em “Makers – The New Industrial Revolution (2012)” argumentam que, sem uma indústria forte, pautada por reformas microeconômicas adequadas e a busca por constantes inovações, não seria possível estimular o crescimento.
Pensar em empresas robustas, em práticas de inovação, em novos produtos e serviços, sem antes pensar em um ambiente industrial forte, não seria relevante. Países como a Inglaterra do século passado ou, recentemente, os Estados Unidos, somente experimentaram um crescimento sustentado, quando presenciaram uma indústria pujante, em correlação ao setor de serviços em pleno vapor.
Caberia ao Brasil estimular uma série de reformas microeconômicas, com maior velocidade, e proporcionar às empresas um ambiente de negócios em que o repensar do seu modelo de negócios seja o determinante, e não somente a busca por soluções para reduzir os impactos dos impostos ou da concorrência internacional. Logo, reinventar a indústria nacional seria uma prática muito bem-vinda, conforme a experiência outrora e atualmente vivida por diversos países do mundo.
24/09/2012
Por: Hugo Ferreira Braga Tadeu, Jersone Tasso e Carlos Arruda – respectivamente Professor e Pesquisador Associado, Pesquisador Convidado e Coordenador do Núcleo de Inovação da Fundação Dom Cabral.
Tradicionalmente, o departamento de Cash Management (CM) relaciona-se ao desenvolvimento de soluções de pagamento, com inovações direcionadas a instrumentos como cartões de débito, crédito e boletos, este último, com grande relevância para o modelo de negócio dos bancos brasileiros. No entanto, com o advento da crise econômica americana e europeia, a pressão para a redução dos juros e dos spreads bancários tem sido relevante no contexto nacional, cujo foco seria o estímulo ao consumo doméstico. Logo, seria o CM brasileiro, de fato inovador?
Diante dos desafios encontrados pelas instituições financeiras no Brasil, o projeto de pesquisa “Inovações Financeiras”, desenvolvido pelo Núcleo de Inovação da Fundação Dom Cabral, buscou responder às seguintes questões: quais são os principais direcionadores para o investimento no contexto atual brasileiro? Quais são os principais setores do Brasil passíveis de financiamento? Como regionalizar os produtos do CM? Estaria o setor financeiro retornando as operações de hedge e securitização, como realizado em décadas passadas?
Para responder a estas perguntas, coube uma profunda investigação das práticas de CM no mundo, avaliando o modelo de negócios dos principais bancos americanos e europeus, bem como a elaboração de uma rede de especialistas em finanças, para validar o projeto desenvolvido pela Fundação Dom Cabral. Um dos aspectos relevantes foi a descoberta de que os bancos brasileiros vem retomando o desenvolvimento de instrumentos similares aos de bancos de investimento – prática adotada pelo CM no passado, não somente com atuações para o varejo, mas também para o atacado, sendo esta prática única no mundo.
A partir da elaboração de um modelo econométrico único, tendo como base técnica relatórios de economistas oriundos do Banco Mundial, Universidade de Chicago, Universidade de Princeton, Universidade de Harvard, Ipea e PUC-Rio, utilizando variáveis como a taxa de juros, formação bruta de capital do setor público, câmbio, capacidade industrial, investimentos em infraestrutura, investimentos diversos, bens de capital e recursos provenientes do BNDES, tornou-se possível correlacionar os dados macroeconômicos com os resultados dos fluxos de caixa de várias empresas de interesse.
Ficou evidente, em um primeiro momento, que um dos principais problemas do Brasil não seria somente a redução das taxas de juros, muito menos a carga tributária, pois o empresário brasileiro vem realizando investimentos com recursos próprios. O principal gargalo é a qualidade da infraestrutura logística e a ausência de políticas sérias para o tema, com desdobramentos para toda a economia nacional.
Estes resultados somente foram possíveis por meio das análises de dados dos períodos de 1996-2011 e 2011-2017, descontando as sazonalidades e as suas tendências de longo prazo. No entanto, a maturidade dos projetos relacionados à infraestrutura logística, pode tornar o investimento no setor não atraente.
Para tanto, o modelo econométrico desenvolvido sugere oportunidades em setores diversos, como o de alimentos, têxtil, celulose, álcool, produtos químicos, borracha, plásticos, minerais não metálicos, máquinas e equipamentos, montagem de equipamentos e metalurgia, com uma diversidade de atuações de empresas de grande, médio e pequeno porte. A partir destes resultados, o apontamento de empresas com fundamentos interessantes de curto e longo prazos, segundo o seu patrimônio líquido, torna-se relevante.
Contrariando grande parte das práticas internacionais, o CM deveria ser a unidade de negócio responsável por toda a avaliação proposta pelo modelo econométrico desenvolvido, com avaliações de pagamentos e tecnologias associadas, mas também dos riscos de mercado, dos aspectos regulatórios, das melhores práticas de fluxo de caixa e da maior integração de processos nos bancos, para uma resposta mais rápida de financiamento. Torna-se possível já observar estas práticas em bancos de absoluta relevância no mundo, devido à redução dos juros e menor propensão ao retorno do capital empregado.
Se um dia o CM foi interpretado como uma área responsável por soluções de pagamento, talvez o momento seja oportuno para repensá-lo como um setor estratégico e com funções relevantes, tais como análises para o varejo, atacado, gestão de riscos & pagamentos, hedge e previsões de demanda, antes que esta seja uma solução de bancos de investimento, com seus fundos de venture e private equity.
Destaca-se neste ambiente, também, a necessidade de um novo perfil de gestores de CM, com uma visão das melhores práticas de mercado e não somente com soluções operacionais. Para este novo perfil, a demanda está para análises customizadas dos clientes e suas demandas, desenvolvendo técnicas sofisticadas de análises da economia nacional versus o perfil financeiro da empresa demandante por recursos financeiros.
Uma das propostas do Núcleo de Inovação da Fundação Dom Cabral está na avaliação rigorosa do setor de serviços, as tendências para o varejo, operações de hedge, securitização e práticas internacionais, preparando, assim, o novo gerente de CM para os desafios do novo mercado financeiro brasileiro.
28/08/2012
Por: Raoni Henrique de Faria Pereira, bolsista de pesquisa do Núcleo de Inovação da FDC
O setor de serviço no Brasil, assim como na maior parte das economias mundiais, é responsável pela maior parcela de participação no PIB, frente aos demais setores. Diante dessa importância, como as empresas podem pensar seus negócios na lógica de serviços, inovando para que possam entregar cada vez mais valor e, assim, fidelizar seus clientes? Esse e outros questionamentos foram colocados durante em encontro promovido pela Fundação Dom Cabral com empresas inovadoras do estado de Minas Gerais e especialistas do tema.
Mesmo com a maior capacidade de gerar empregos e renda - no Brasil a prestação de serviços é responsável por cerca de 70% do PIB, de acordo com dados do IBGE - o setor foi tradicionalmente visto como um complemento da atividade industrial, sendo deixado de lado pelos estudiosos da economia e administração. No entanto, a ideia do setor de serviços como um campo da economia que vem a reboque da indústria não se sustenta mais. Hoje, setores como o de telecomunicações, baseado em serviços, é que tem levado a indústria a reboque. Exemplos como os produtos da Apple, mostram que as empresas que conseguiram transformar seus produtos em um ecossistema de serviços têm obtido mais êxito na atual dinâmica econômica.
Uma das dificuldades em se estudar o setor de serviços e pensar em um modelo de inovação em serviços deve-se à falta de categorização do que é serviço. Muitos setores concentram atividades que podem ser consideradas de características industriais e de serviço. Como exemplo, podemos citar um hospital, que possui essas duas facetas, a industrial, referente à parte técnica, que depende da inovação tecnológica para diferenciação, e a parte de serviços, relacionada ao trato com o paciente, serviço de quarto, almoço etc.
De acordo com o professor Eduardo Raupp, da UNB, que esteve presente no encontro promovido pelo Núcleo de Inovação da FDC, serviço é um produto que é utilizado em sua própria prestação. Desse modo, a participação do cliente é um fator primordial para falarmos de serviço. Outros aspectos podem ser usados para se definir serviço, como a intangibilidade, a variabilidade, inseparabilidade e perecibilidade. Cada setor irá operar com uma lógica diferente com maior ou menor interação com o cliente. Pensando na inovação em serviço, ela pode ocorrer ao se mudar a tecnologia ou a forma de interação com o cliente. Podem surgir inovações que recombinam o que já está estabelecido como, por exemplo, no setor de seguros. Inovações também podem surgir nas interfaces entre clientes e fornecedores.
Um exemplo de empresa baseada em inovação focada em serviços é a Buscapé Company. A empresa nasceu como um comparador de preços na internet, cresceu e foi vendida e, hoje, é uma holding de várias empresas que surgiram como startups e foram incorporadas. Ao colocar o consumidor como a prioridade, a empresa busca projetos que tenham um modelo inovador e que possam atender uma demanda latente em serviços virtuais. Exatamente por estar muito ligado ao consumidor, o setor é muito dinâmico, com clientes cada vez mais exigentes, o que demanda não só a capacidade técnica de entrega, mas a capacidade de inovar e estabelecer modelos de negócios que garantam uma vantagem competitiva.
O que ficou claro nas discussões foi que oferecer serviços aos clientes e não apenas produtos, garante às empresas uma maior aproximação e relacionamento com o seu cliente. No entanto, o pensamento industrial ainda traz muitos desafios na hora de se ter uma lógica de serviços. O que ficou evidente na discussão com os executivos das empresas foi que ainda há muito a se realizar e a se inovar quando se tratam de serviços. O desafio foi posto às empresas que vêm percebendo, cada vez mais, que precisam não só inovar em produtos mas, também, em processos e em modelos de negócio. Pensar em serviços e nas inovações que são necessárias pode ser uma saída para aumentar a receita e reinventar os negócios em tempos de crise.
16/08/2012
Por Ricardo Carvalho - professor e pesquisador da Fundação Dom Cabral
Para muitos, a simbiose entre arte, trabalho e gestão parece, a um primeiro olhar, incongruente e mesmo impensável. Entende-se, intimamente, que a rigidez do mundo corporativo não comporta a abstração e a criatividade intrínsecas à arte, como se um e outro campo pertencessem a esferas díspares e estanques.
Pesquisa recente realizada pela Fundação Dom Cabral, ‘Inserção da Arte na Educação de Executivos’, procurou analisar a questão, isto é, os processos de concepção artística e suas possíveis ligações com a atividade da gestão. Foram consultados 52 executivos para identificar a percepção que eles têm da relação e da importância da arte e sua interface com a gestão.
A maioria dos entrevistados (96%) reconhece: há uma conexão entre arte, trabalho e gestão, e praticamente a metade deles associa essa ligação ao desenvolvimento de habilidades e perfis úteis às empresas, os quais se manifestam, na prática, em um espírito criativo, empreendedor e gerador de novas ideias e, por consequência, de mais valor para a empresa. Os dados mostraram que 98% dos executivos consultados acreditam na possibilidade do desenvolvimento de dons artísticos que possam ser associados à natureza do negócio. Os resultados evidenciam a crescente importância das diferentes formas de expressões artísticas na vida pessoal e profissional dos executivos, notadamente na sua relação com a gestão. Eles percebem a natureza concreta e aplicável da atividade artística nos negócios, seja como ingrediente de mudança dos modelos mentais ou na adoção de novas abordagens e criação de oportunidades que agreguem valor aos negócios.
Para eles, a prática da gestão tem muito a ver com a arte, seja a pintura, a escultura, a música, a dança, o teatro, a fotografia ou o cinema. No entanto, esse discurso ainda não é internalizado ou consciente e, em muitos casos, precisa ser provocado ou estimulado para que se efetive. Há reclamações no universo organizacional de que os profissionais que passam pelas escolas de negócios são competentes, mas sem inspiração – se saem bem na técnica, mas pecam na imaginação.
Hoje, as escolas de negócios têm tentado suprir essa carência ‘imaginativa’ ou ‘criativa’ com cursos mais inovadores. O desafio é oferecer uma nova perspectiva de desenvolvimento da carreira e dos negócios, não apenas para enfrentar os preconceitos ainda existentes sobre arte e criatividade, mas também para redesenhar conceitos. A ideia é, justamente, expandir esses conceitos, demonstrando sua plasticidade e elasticidade, com inúmeras possibilidades de aplicação nas mais diferentes organizações, para que se tornem celeiros de ideias.
Recentemente, o professor de arte e educação Elliot Eisner ressaltou que, como a arte não tem o monopólio do artístico, o maior título que se pode dar a alguém é o de ser ‘artista’ naquilo que faz, independente da profissão. Cabe ao executivo, ao gestor, se imbuir deste espírito singular também na esfera do trabalho, para que, aliado à técnica, possa criar propostas inovadoras em todos os sentidos, transformando suas empresas e a si mesmo.
Fonte: Brasil Econômico – 15/08/2012
01/08/2012
Por: Hugo Ferreira Braga Tadeu, Professor e Pesquisador Associado ao Núcleo de Inovação da Fundação Dom Cabral
Diversos economistas vêm dedicando o seu tempo a uma reflexão que, a priori, para ser tola, mas que apresenta algo muito instigante e desafiador: seria possível medir a felicidade? Dinheiro traz felicidade? O mundo atual em que vivemos estaria no seu ponto de equilíbrio? Quão inovadoras são as organizações contemporâneas?
Avaliar o crescimento das nações somente pelo PIB não seria um instrumento adequado, segundo estudos recentemente publicados por professores, como o filósofo e economista Eduardo Gianetti da Fonseca, bem como pelo ex-presidente do Banco Central do Brasil e também economista Gustavo Franco. Pelo mundo afora, gente séria, como o Prêmio Nobel Joseph Stiglitz e o autor do livro Freakonomics, Steven Levitt, vem dedicando o seu tempo na revisão dos fundamentos da economia moderna.
Segundo a Comissão de Sarkozy (formada por especialistas das Universidades de Harvard, Chicago, Princeton, Warwick, Stanford, Paris 5, OCDE, entre outras), responsável por avaliar o crescimento da economia mundial e o seu impacto social, a felicidade poderia ser medida, em função dos seguintes critérios: consumo, perspectivas de crescimento econômico, saúde, distribuição de renda, qualidade da educação, segurança, políticas públicas eficientes e sustentabilidade.
Como um contrassenso aos critérios propostos pela Comissão de Sarkozy, aprende-se nos bancos das escolas de administração e psicologia que os indivíduos buscam suprir as suas necessidades básicas segundo os preceitos de Maslow. Logo, avaliar a felicidade somente por indicadores econômicos não seria uma boa opção.
Diversos relatórios apontam que o número de horas trabalhadas nos países desenvolvidos vem subindo consideravelmente, tanto por homens, quanto pelas mulheres, trazendo aumento da riqueza, medida pela renda per capta, bem como da capacidade industrial. No entanto, nunca se pôde perceber uma insatisfação tão grande na população. A demanda presente advém da necessidade por mais tempo para atividades como a prática de exercícios, assistir programas de televisão, comer, viajar, ler, dormir e estar em contato constante com a comunidade.
Talvez, se estas atividades fossem compreendidas no pensamento de longo prazo para as políticas econômicas, os problemas relacionados ao custo da saúde e até mesmo da felicidade, por mais empírico que isto pareça, fossem reduzidos. Enquanto isto, o debate está muito associado ao gasto público com os desempregados.
O ditado popular que diz que “dinheiro não traz felicidade” parece ter seu fundo de verdade. Para Graham e Lora (2010), a correlação entre o crescimento da renda e a felicidade é baixa, depondo, inclusive, contra o tradicional índice de GINI, que mede a desigualdade da distribuição de renda e riqueza. Paralelamente, estudos conduzidos pelo Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC) em 2011 atestaram que o modelo econômico atual é um perigo para o desenvolvimento do planeta e para as futuras gerações, por ser insustentável ambientalmente.
Finalmente, dados recentes sugerem que o PIB, a qualidade da infraestrutura e a competitividade em geral, tradicionalmente estudados por instituições como a IMD Business School e o World Economic Forum (WEF), não estariam relacionados à felicidade humana, muito menos às expectativas de vida da população. Fatores como a história do país, a sua cultura e o ambiente de negócios – com viés inovador -, bem como o comportamento coletivo, implicariam na felicidade.
Para o Brasil, historicamente, uma nação com passado recente de hiperinflação, elevado gasto público e baixa competitividade internacional, a felicidade poderia ser bem avaliada, independente do aumento recente do poder de compra das classes sociais e dos tradicionais modelos econométricos vigentes, pois o poder do “capital humano” para a geração de riqueza é enorme, em detrimento dos países ricos. Resta saber se, no futuro, a felicidade será a mesma dos tempos atuais. Somente o tempo dirá, quiçá, por meio das estatísticas econômicas ou pelo bom senso.
27/07/2012
Por: Henrique Dornas Dutra, pesquisador do Núcleo de Inovação da Fundação Dom Cabral
Durante a Rio+20, um evento organizado pela GE do Brasil em parceria com a COPPE-UFRJ e a BSR (Business for Social Responsability) foi discutido o futuro dos combustíveis em uma perspectiva de concomitância entre inovação e desenvolvimento sustentável. As discussões contaram com a presença de líderes do setor privado que expuseram seus posicionamentos acerca da temática proposta, e foram discutidas alternativas, oportunidades e práticas em prol do meio ambiente. No debate, foram expostos dois grandes desafios envolvendo as questões inerentes ao combustível e ao seu futuro.
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