Por Hugo Ferreira Braga Tadeu
Professor e Pesquisador Associado da Fundação Dom Cabral
O processo de geração da informação no mundo moderno vem ultrapassando a capacidade de absorção humana. Basta observar o número de revistas, livros, jornais, relatórios executivos, blogs e sites continuadamente disponibilizados. Da mesma forma, sobram dúvidas sobre a qualidade de quem produz estas informações e até mesmo de quem as utiliza, observando por exemplo, o momento crítico da economia mundial.
Há dez anos, ainda era possível comprar um jornal, sentar-se em pleno domingo junto aos demais familiares e deliciar-se com artigos de alta qualidade, como os de economia, política, educação e infantil. Tratava-se, naquela época, de uma reunião para a troca de conhecimentos e para um debate até mesmo maior sobre a vida. Saudosos foram estes tempos de análises minuciosas, não importa o assunto. Atualmente, esta prática parece estar em desuso, dadas as facilidades da internet, dos buscadores no ambiente “ponto com” e da solitária vida digital.
Segundo pesquisas da Universidade de Cambridge (1993), a era da informação não seria moderna, mas datada de 1440, quando da invenção da máquina de impressão. Este equipamento, teria sido o responsável pela disseminação do conhecimento e proporcionado toda a revolução mundial, sendo um dos períodos de maior crescimento econômico mundial. Passados muitos anos e, já em 1970, pode-se perceber o crescimento da indústria tecnológica, trazendo consigo os avanços da pesquisa acadêmica, suas aplicações industriais e residenciais.
De 1440, passando por 1970, até os dias atuais, a informação parece estar diante do clique de um mouse, sem que seja necessário tempo, investimento e análises para tanto. Como diria Marcelo Tas (2009), “como um personagem de videogame, que salta abruptamente de uma fase para outra…parece ter recebido todo conhecimento do mundo num único clique...”. Logo, resta a mais simples pergunta: toda a informação e tecnologia disponíveis vêm sendo transformadas em conhecimento, de tal forma a gerar um ambiente econômico e social melhor?
Dependendo do Banco Mundial (2012), os avanços da informática têm como consequência uma queda da atividade econômica, da qualidade da pesquisa científica e consequente inovação. Na linguagem dos economistas, tem-se o “paradoxo da produtividade”, conforme proposto por Solow (1987). Sugere-se que toda a informação disponível vem sendo mal utilizada, gerando conhecimento de baixo nível e um risco para o crescimento, em todas as esferas possíveis.
Medir o progresso da informação e, consequentemente, do conhecimento, em detrimento à economia não é uma tarefa fácil. Tradicionalmente, são utilizados indicadores como investimentos em P&D (pesquisa e desenvolvimento) ou na geração de patentes. No entanto, nunca a atividade econômica e empresarial foi tão claudicante.
Sendo realista, há a necessidade para um pensamento concreto e garantias de aumento de produtividade, passando por uma educação de qualidade, ambiente de trabalho adequado e correta utilização da tecnologia, como proposto por Paul Krugman (1994). Histórias de crescimento econômico normalmente estão relacionadas ao longo prazo. Enquanto isto, tem-se a degradação do curto prazo, associado a este, a do conhecimento e do tripé econômico-empresarial-social.
Fonte: Jornal Brasil Econômico – 07/01/2013 – pag. 39