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08/07/2010Por Luis Augusto Lobão, professor da Fundação Dom Cabral
Um dos fatores determinantes para a sustentabilidade de  uma empresa é a sua capacidade de promover crescimento com performance. Quando falamos em gestão estamos nos referindo sempre em como atingir resultados superiores, de modo consistente, por um longo período. Como CEO o seu principal papel é tornar sua empresa mais valiosa.
Recentemente fui convidado para fazer coaching de um presidente onde a empresa estava recebendo aporte de capital de um private equity. Ele queria saber como mudar a sua gestão face aos novos desafios e requisitos deste setor. O privite equity tem dominado as manchetes do mundo dos negócios. Este setor, que já foi relativamente discreto, até mesmo exótico, vêem ampliando a sua participação, principalmente no Brasil. Em 2001, os investimentos somaram pouco mais de 300 milhões de dólares. Em 2008, o total atingiu 3,6 bilhões de dólares. Há um verdadeiro fluxo de dinheiro esperando para ser investido lucrativamente. Se você ainda não parou para pensar neste movimento, talvez devesse começar a se preocupar em entender como os líderes de private equity trabalham.
Não pretendo esgotar o tema, mas levá-los refletir de como estes novos entrantes no mercado pesam e agem, pois mesmo a sua empresa não tendo como sócio um private equity estará competindo com uma que está sendo orientada por um. Resumindo, algumas das lições soarão familiares e algumas até parecerão óbvias. No entanto, do nosso ponto de vista, elas não estão sendo aplicadas de forma consistentes.
Como dissemos acima a sua principal tarefa como CEO é tornar sua empresa mais valiosa. Um líder se compromete a criar oportunidades e recompensas para as pessoas que ajudam a fazer a empresa bem-sucedida. É importante você reavaliar regularmente qual é o potencial máximo de seu negócio e fazer a organização se concentrar nas poucas iniciativas que realmente são cruciais para atingir este potencial máximo. Você tem que estar disposto a desafiar as pessoas em sua organização, com o dever de concentrar-se nos resultados de forma obsessiva, severa e entusiasmada. Definir o potencial máximo de uma empresa significa perguntar e responder realisticamente à pergunta: “Qual é o ponto mais alto?”. Lembre-se, nenhuma empresa pode ser bem-sucedida se divide seus recursos entre muitas iniciativas.
Identificar e implementar com sucesso as oportunidades de investimentos do seu negócio é o único modo de manter-se à frente, este investimentos devem estar alinhados com o principio fundamental de agregar valor ao cliente, oferecendo-lhes produtos e serviços atraentes e inovadores. As iniciativas devem ser suficientemente ambiciosas para nos diferenciar da concorrência, mas também realistas e alcançáveis. Lembre-se, só é possível alcançar um desempenho superior através das pessoas e da liderança tecnológica. Conhecimento, comprometimento e tecnologia são as melhores vantagens competitivas sustentáveis. Obtenha, mantenha e motive as pessoas orientadas a resultados. Compartilhe o capital social com pessoas-chave e recompense à ousadia e o sucesso.
05/05/2010Por Luis Augusto Lobão, professor da Fundação Dom Cabral
Existe uma visão predominante de que a diversificação tem impactos negativos sobre o valor das empresas e, por conta disto, as empresas deveriam focalizar as atividades em torno de suas competências essenciais. A estratégia de diversificação consiste na entrada de novos produtos ou mercados, que podem estar ou não relacionados de alguma forma com os negócios atuais. Tanto na diversificação de produtos como o de mercados possui um papel relevante no comportamento estratégico das empresas.
A literatura sobre estratégias empresariais é fortemente baseada na experiência de companhias com sede em países desenvolvidos, especialmente nos Estados Unidos. O tema das estratégias corporativas segue esta tendência. Embora pelo menos três correntes possam ser identificadas, a visão predominante é de que a diversificação conglomerada (ou não-relacionada) acarrete impactos negativos sobre o desempenho empresarial e, por conta disto, as empresas deveriam concentrar suas atividades e optar pela especialização. Isto é válido para a realidade brasileira? A bem da verdade, as business schools dos Estados Unidos acabaram se transformando, para muitas escolas de administração latinoamericanas, em um paradigma a ser emulado, seja em termos organizacionais, seja em termos de conteúdo.
Com relação à diversificação de empresas com sede em países em desenvolvimento, precisamos considerar que em vários mercados domésticos não são suficientemente grandes para permitir o crescimento da empresa em apenas uma indústria. Ademais, algumas economias estão sujeitas a grandes riscos e à instabilidade decorrente da rápida mudança estrutural. Isto estimularia a diversificação como meio de se evitar o risco da especialização em apenas uma indústria. Em muitos países em desenvolvimento existiria a tradição de que cada membro da família tenha uma parte igual na empresa para administrar. E a falta de tecnologia proprietária por parte das empresas implicaria a inexistência de competências a serem exploradas em atividades relacionadas. Pelo contrário, a aquisição externa de tecnologia possibilitaria uma trajetória de crescimento baseado na diversificação conglomerada.
Nos países em desenvolvimento, em geral, na América Latina, em particular, a estrutura de propriedade e o grau de especialização produtiva são bastante distintos dos padrões verificados nos Estados Unidos. Na economia latinoamericana, as grandes empresas privadas domésticas são controladas por famílias, que também se encarregam da gestão, e o grau de diversificação produtiva é maior (formato que é usualmente denominado de “grupo econômico”). Em suma, o formato empresarial típico de empresas privadas latinoamericanas é muito distinto do que se poderia denominar de “paradigma anglosaxão”.
A opção pela estratégia de diversificar o negócio da empresa poderia então impulsionar grupos econômicos, permitindo a estes um crescimento em negócios diversificados. O cuidado aqui é a capacidade do grupo econômico de realizar os investimentos necessários para manter os negócios competitivos e em crescimento. 28/04/2010Por Rivadávia Drummond de Alvarenga Neto, professor da Fundação Dom Cabral
Diante da necessidade de inovar e ter um desempenho diferenciado no mercado torna-se vital que as organizações promovam um ambiente de compartilhamento de conhecimento, incentivando idéias e inovações e investindo na aprendizagem de seus colaboradores.
 Porém, muitas empresas ainda não sabem como criar um ambiente propício para a gestão do conhecimento. Embora, tradicionalmente, se associe a gestão do conhecimento à idéias de compartilhamento, aprendizagem, autonomia e abertura às idéias e inovações, dentre outras, todas essas questões são absolutamente anti-naturais, ou seja, XXX. Se informação e conhecimento significam poder nas organizações, então, por que compartilhá-los? E a aprendizagem em organizações trata-se de processo natural, linear, indolor e confortável? Na prática, como está o grau de abertura e receptividade da sua organização às novas idéias e sugestões por mais “esquisitas” e curiosas que elas possam parecer?
É importante ressaltar que a gestão do conhecimento em si é uma impossibilidade já que o conhecimento é algo que só existe na mente humana. Portanto, o que é passível de gerenciamento não é o conhecimento em si, mas apenas o contexto e a prontidão no qual ele é criado e se manifesta na organização.
Nas pesquisas que desenvolvi, nos últimos anos, sobre gestão do conhecimento no ambiente brasileiro de negócios, obtive como principal resultado a constatação de que a eficácia da criação do conhecimento organizacional depende de um “contexto capacitante” – a idéia japonesa do “Ba” (lugar) ou “ espaço” organizacional do conhecimento que pode ser físico, virtual, mental ou, mais provavelmente, todos os três juntos.
Em outras palavras, um contexto capacitante é um espaço de estímulo e promoção no qual as pessoas se sentem à vontade e recompensadas para compartilhar o que sabem e o que não sabem, para aprenderem conjuntamente, sempre abertas a novas idéias e, ainda, capazes de tolerar ou até recompensar os “erros honestos”.
No atual complexo e turbulento contexto de negócios do século XXI, os líderes das organizações estão sempre se questionando: “como posso continuamente criar as condições favoráveis que encorajem, estimulem e recompensem comportamentos como o compartilhamento, a aprendizagem, a abertura às novas idéias e inovações, a tolerância aos erros honestos e a solução colaborativa de problemas? Como conectar cérebros, conhecimentos e experiências para a inovação contínua em um processo de gestão para o conhecimento?”
Porém, não há ferramentas milagrosas por que simplesmente não há receitas prontas para uma gestão de conhecimento eficaz! A criação de conhecimento na empresa não é um processo que pode ser controlado, mas unicamente nutrido e estimulado.
É importante então começar a pensar em quais são os conhecimentos críticos da sua organização diante de uma análise do ambiente de negócios. É papel da liderança – e não somente do RH – o desenho de um processo de aprendizagem organizacional para a geração de conhecimento estruturado ao redor da estratégia e dos fatores críticos de sucesso do negócio.
Minhas pesquisas apontam ainda que as organizações comprometidas com a gestão do conhecimento evitam a reinvenção da roda, a duplicação de esforços e o re-trabalho, reduzindo os ciclos de inovações e acelerando o tempo de entrega de soluções aos seus clientes.
Assim, é preciso estimular a ampliação de nossos modelos mentais, introduzindo temas como filosofia, sociologia e arte na educação de nossos executivos. Precisamos criar espaços para discutir as novas organizações dialéticas e paradoxais do século XXI.
27/04/2010Por Luis Augusto Lobão Mendes, Professor da Fundação Dom Cabral
O desejo de perpetuação repousa no imaginário do ser humano. A vida eterna e a imortalidade vêm se constituindo num mistério e, ao mesmo tempo, numa hipótese que muitos vêm tentando, de algum modo, comprovar. Quando uma pessoa nasce, pode-se dizer que tem uma expectativa de vida de 70 ou 80 anos em muitas regiões do mundo. E as organizações? O tempo de duração de cada organização, além de vários outros fatores, depende principalmente do meio e do contexto em que ela está inserida, da capacidade de seus dirigentes e, acima de tudo, da eficácia com que é feita a sucessão da liderança.

Outros fatores também já foram comprovados como determinantes para a longevidade empresarial. O crescimento vigoroso e contínuo, a capacidade de passar por momentos de turbulência se moldando com flexibilidade aos desafios do ambiente e a competência de antecipar o futuro antes que ele se torne óbvio demais.
Ainda são poucos os dirigentes que se perguntam uma questão fundamental: "queremos ou não controlar nosso próprio futuro”? Para aqueles que respondem afirmativamente, cenários têm um valor incalculável.
Cenários são como sondas para o futuro. Seu valor está em sensibilizar os dirigentes para as possibilidades que eles dificilmente perceberiam de outra forma. Cenários reduzem as chances de surpresas indesejáveis e capacitam os dirigentes a tomarem melhores decisões, em melhor timing.
A construção de cenários não pode de forma alguma ter uma visão projetiva, ou seja, levar em consideração somente os fatos e dados que aconteceram no passado. Cenários são uma ferramenta para ordenar a percepção sobre ambientes alternativos futuros, nos quais as decisões pessoais podem ser cumpridas, portanto, cenários dependem das visões e expectativas dos dirigentes e especialistas. Chamado de “pensar cenariamente”, este processo incentiva o desenvolvimento de histórias divergentes sobre o futuro, deixando a organização preparada para as eventualidades que possa enfrentar, “ensaiando para o futuro”.
Frente a um processo de decisão sob incerteza, temos que analisar os possíveis futuros, as alternativas e decisões e calcular as conseqüências das decisões. A seguir passamos à chamada fase da informação, onde atribuímos probabilidades de ocorrência para cada tendência. Finalmente, adota-se a alternativa que conduz a um impacto na organização. A elaboração de cenários é um procedimento de aprendizado sobre o futuro.
Cenários são narrativas plausíveis sobre o futuro, consistentes e cuidadosamente estruturados em torno de idéias. O processo de construção de cenários leva a uma melhor compreensão das nossas percepções e a uma melhor avaliação dos impactos que julgamos relevantes.
Diante do futuro, os homens e organizações podem escolher quatro atitudes: avestruz (atitude passiva em que a organização acaba “sofrendo” a mudança), bombeiro (atitude reativa e que aguarda que o “fogo” se declare para combatê-lo), precavido (atitude pré-ativa, pois se prepara para as mudanças possíveis, já que a reparação é mais cara que a antecipação) e conspirador (atitude pró-ativa, pois atua no sentido de provocar as mudanças desejadas).
É perdoável ser derrotado, mas nunca surpreendido!
16/04/2010
Por Marco Túlio Zanini, professor da Fundação Dom Cabral
 Mudanças institucionais ocorridas nas últimas décadas, como a comoditização produtos e serviços em larga escala derivado do aumento da competição global, a revolução das tecnologias da informação e comunicação e o crescente aumento da aplicação intensiva do conhecimento nos processos produtivos, marcando a transição de um paradigma de produção industrial para o de produção baseado no conhecimento, transformaram o mundo dos negócios nos dias atuais.
No entanto, o surgimento dessa nova dinâmica de negócios criou novos desafios para a gestão das empresas contemporâneas: o aumento da incerteza no ambiente de negócios, aumentando o risco das transações econômicas, acarretando maior necessidade de mudança e adaptação organizacional; o aumento da velocidade das transações econômicas que requer maior capacidade de inovação em produtos e serviços e maior integração das cadeias de suprimentos; e uma profunda mudança da natureza da transferência do valor econômico nos processos produtivos, aumentando o risco relativo ao comportamento dos indivíduos para a realização das transações.
Estes novos desafios da gestão empresarial aliados a um mundo mais veloz e complexo passaram a exigir estruturas organizacionais mais descentralizadas e flexíveis, capazes de oferecer respostas rápidas às constantes mudanças de ambiente. Torna-se necessário, portanto, desenvolver formas organizacionais mais cooperativas e integradas, atribuindo maior autonomia aos profissionais e aplicando novos mecanismos de motivação, em substituição àqueles praticados nas tradicionais burocracias.
O conceito da gestão orientada por princípios nasce exatamente neste cenário, pois flexibilizar significa aumentar a autonomia e reduzir o controle e a monitoração formal, confiando maior poder de decisão a todos os níveis gerenciais e permitindo proporcional acesso a recursos financeiros, políticos e informacionais. Ou seja, é preciso confiar em pessoas, o que significa aumentar o risco relacionado ao comportamento destas pessoas, apostando em suas competências e escolhas como sujeitos autônomos.
Com o aumento da aplicação intensiva do conhecimento nos processo produtivos, criatividade, inovação, liderança e gestão de equipes de alto desempenho tornam-se tarefas atribuídas aos mais diversos níveis hierárquicos, o que pode representar um grande diferencial competitivo numa época em que a inovação organizacional deixa de ocorrer de forma centralizada, e passou a ocorrer a partir de micro estratégias emergentes advindas de todos os membros da empresa, principalmente aqueles que estão nas linhas de produção – um exemplo relevante nesta direção é o caso Toyota.
Mais do que declarar um conjunto de valores e competências organizacionais, a prática da gestão orientada por princípios busca identificar e capacitar gestores que possam refletir sobre sua própria realidade e atribuir maior significado para a rotina de trabalho, dentro de uma racionalidade econômica.
Portanto, identificar e interiorizar princípios que possam orientar a ação individual e coletiva, como mecanismos informais de coordenação e motivação, tornou-se uma tarefa fundamental para as empresas e suas lideranças. Esteja também atento a estas questões, já que tais mudanças nas organizações refletem também em novas posturas e competências profissionais.
28/01/2010
Por Luis Augusto Lobão, professor da Fundação Dom Cabral
Vários líderes gostam de pensar que o manda-chuva está isento de gerenciar os detalhes. É uma forma agradável de ver a liderança: você fica no topo da montanha, pensando estrategicamente e tentando inspirar as pessoas com visões, enquanto os gerentes fazem o trabalho monótono. Liderar é muito mais do que pensar alto. O líder precisa estar envolvido de forma pessoal e profundamente no negócio. A execução requer um entendimento abrangente no negócio. O líder é a única pessoa em posição de conseguir um entendimento abrangente do negócio e seu entorno. Cabe ao líder gerenciar três processos-chave: escolher outros líderes, estabelecer o direcionamento e conduzir as operações.
As pessoas acreditam que executar é o lado tático do negócio. Esse é o primeiro grande erro. As táticas são a parte central da execução, mas executar não é tática. Execução é fundamental para a estratégia e deve moldá-la. Nenhuma estratégia que valha a pena pode ser planejada sem levar em conta a habilidade da organização em executá-la. Execução é um processo sistemático de discussão exaustiva dos comos e quês, questionando, levando adiante o que foi decidido e assegurando que as pessoas terão sua responsabilidade específica pela execução. O maior erro cometido pela liderança é permitir que o não-atingimento da meta fique sem a devida avaliação. Se não houver a análise do mal resultado, é preferível não conduzir uma gestão por resultados. A força deste gerenciamento é a boa avaliação.
Esta reflexão significa analisar através de informações (fatos e dados) a diferença entre o resultado obtido e o valor previsto no contrato de resultados, identificar as causas que geraram tal diferença e apresentar as contramedidas a essas causas. Esta reflexão não pode resumir-se numa “desculpa” ou numa “explicação”. “Explicações” não garantem a sobrevivência de uma empresa. Existem organizações que executam um planejamento esplêndido. No entanto, não existe gestão. As metas não são alcançadas na sua totalidade e nada acontece apesar disto.
O sucesso de qualquer estratégia, nos dias de hoje, depende muito mais de uma ação rápida do que de um planejamento detalhado. As exigências de um ambiente complexo e em constante mutação, agravado pelo crescimento exponencial dos concorrentes e substitutos, nos impõem novos desafios. Mas, como estabelecer uma ponte entre os resultados desejados e o que realmente se alcança? A disciplina na execução de uma estratégia lançada para atingir resultados requer líderes comprometidos e preparados. Liderar este processo é o principal papel dos dirigentes atuais.
O objetivo do líder genuíno é construir um lugar em que as pessoas desfrutem de liberdade criativa e desenvolvam o verdadeiro senso de realização – um ambiente que desperte o melhor de cada um. Os atuais modelos organizacionais nos induzem a utilizar no trabalho apenas parte de nossa capacidade individual. Precisamos aprender a reconhecer e explorar esta capacidade ociosa que todos os dias cada pessoa traz para a organização.
27/08/2009
Autor: Luiz Augusto Lobão Professor da Fundação Dom Cabral
Recentemente ganhei de um amigo um livro com um título bastante original: O Princípio da Cenoura – Adrian Gostick e Chester Elton. Particularmente acredito que uma boa gestão por resultados está baseada no desenvolvimento de uma cultura que trabalha muito bem com consequências. O que me chamou a atenção neste livro foi a discussão de como gerir a cenoura e principalmente as questões ainda relacionadas à “cenourofobia” nas empresas, que ainda diante da evidência inquestionável de que o reconhecimento e a recompensa funcionam, encontram desculpas e justificativas para não implementá-los.
Mas o que é uma cenoura? Para um líder de sucesso, é uma ferramenta impulsionadora. Na gestão, uma cenoura é o que é utilizado para inspirar e motivar um empregado. De fato, está no topo da lista de coisas que os empregados afirmam que gostariam de receber dos seus empregadores. Quando os colaboradores sabem que os seus pontos fortes e potenciais serão elogiados e reconhecidos, é mais provável que venham a gerar valor.
Mas cuidado, não confunda a cenoura com bônus e gratificações em dinheiro somente. Esta é uma confusão constante quando se trata de montar um programa de reconhecimento e recompensa. Na realidade, o dinheiro não é uma recompensa tão poderosa como muitos pensam. De fato, um terço das pessoas a quem se atribui um prêmio em dinheiro utiliza-o para pagar contas. Um quinto não terá, em poucos meses, idéia de onde gastou o dinheiro, ou sequer quanto recebeu.
Os empregados apenas dão algo à empresa quando ela lhes oferecer algo em contrapartida (por exemplo, em troca de uma compensação, os empregados disponibilizam apenas o tempo e esforço exigido pelo seu contrato – por vezes, menos, mas nunca mais). Quando nada mais é oferecido pela empresa, nada mais é dado pelos empregadores. Se o empregador retira qualquer benefício que seja do empregado, este faz uma redução correspondente nas suas contribuições. Gestores eficazes criam bases para o sucesso dos empregados no trabalho e na vida pessoal e estão sempre atentos a como estabelecer esse equilíbrio.
Antes de começar a criar uma cultura da cenoura, deve-se ponderar até onde terá de ir para chegar lá. O primeiro passo é o entendimento dos fatores básicos: satisfação e envolvimento. À primeira vista, talvez pense que não há diferença, no entanto existe. Um empregado satisfeito está contente com a retribuição atual, com os benefícios e o ambiente de trabalho – tão feliz que poderá sentir-se relutante em alterar o status quo através de iniciativas e conquistas. Na realidade, uma força de trabalho empenhada representa uma empresa repleta de pessoas que estão dispostas a fazer de tudo o que for necessário para ajudar a companhia a ter sucesso, incluindo a liderança de mercado, a inovação e o serviço ao cliente. Não é difícil identificar quais empregados estão empenhados.
Criar uma cultura que celebra é a principal responsabilidade de um líder. E para começar, crie um programa baseado em quatro pilares: reconhecimento no dia-a-dia – inclua nas suas atribuições de líder os tapinhas nas costas, os almoços em equipe, os certificados de mérito, as palmas nas reuniões e as mensagens de agradecimento (esse tipo de reconhecimento tem custo baixo, mas é muito significativo); o reconhecimento do desempenho extraordinário é outra forma bastante útil para quando seus empregados vão um passo além do esperado – esses prêmios são uma forma estruturada de recompensar desempenhos significativos –; reconhecimento da carreira, que é o mais estruturado e fácil de se implementar, contudo, na prática, é o menos utilizado; e para finalizar, desenvolva eventos de celebração, eles reforçam o seu agradecimento a todas as pessoas da equipe. 28/07/2009Por Luis Augusto Lobão Mendes, Professor da FDC
Que o futuro será (é) livre e colaborativo não tenho dúvidas. A questão agora é quão rápido essas tecnologias de compartilhamento e administração da inteligência coletiva se incorporarão ao cotidiano das organizações. As tecnologias open source e colaborativas chegam ao mercado e as organizações de vários modos. Quer sejam CMS - sistemas de gerenciamento de conteúdo (Zope, Drupal, B2evolution, Wordpress, etc..), quer sejam LMS - sistemas de gerenciamento de aprendizagens (Moodle, Dokeos, etc…) ou mesmo ferramentas focadas no gerenciamento da inteligência coletiva como o ICOX, ou ainda plataformas abertas de invação e negócios (Peabirus, NewIdeaTrade.com, Yet2.com, InnoCentive, YourEncore, etc...) . O fato é que cada vez mais, o modelo de criação de valor é chamado de peer production, ou peering – uma descrição do que acontece quando grupos de pessoas e empresas colaboram de forma aberta para impulsionar a inovação e o crescimento.
Hoje , as coisas estão mudando. O acesso crescente à tecnologia da informação coloca nas pontas dos dedos de todos as ferramentas necessárias para colaborar, criar valor e competir. Isso libera pessoas para participarem da inovação e da criação de riqueza em cada setor da economia. MySpace, YouTube, Linux e Wilipédia, os exemplos atuais da colaboração em massa, são apenas o começo. Novas infra-estruturas colaborativas de baixo custo permitem que milhares de indivíduos e pequenos produtores criem conjuntamente produtos e acessem mercados e encantem os clientes.
Essas mudanças, entre outras, estão abrindo caminho em direção a um mundo no qual o conhecimento, poder e capacidade produtiva estarão mais dispersos do que em qualquer outro período da história – um mundo no qual a criação de valor será rápida, fluida e perturbadora. Num passado ainda muito próximo a maioria das grandes corporações costumavam guardar suas patentes, arcas registradas e outras propriedades intelectuais tão bem quanto as jóias da coroa. Mas agora, sob a pressão de engordar suas receitas, as companhias estão oferecendo, para a venda em portais de negócios online de propriedade intelectual, desde que, obviamente premiados, os segredos de pesquisa e desenvolvimento (P&D) e dos sistemas de TI desenvolvidos internamente. Os compradores são compostos por outras grandes corporações que buscam reduzir os custos em P&D comprando pesquisas já em desenvolvimento. Atualmente, existem cerca de 20 portais de negócios com esta fórmula, como por exemplo o NineSigma.
A Procter & Gamble ajudou a criar a NineSigma, uma das várias firmas que conectam companhias com problemas de ciência e tecnologia a outras companhias, universidades, laboratórios de governos e privados e consultores que podem desenvolver soluções. Digamos que haja um problema que você queira resolver para a P&G, por exemplo as lavagens a baixas temperatura. A NineSigma cria um resumo tecnológico que descreve o problema e o envia para a sua rede de milhares de provedores de possíveis soluções no mundo inteiro.
Qualquer um pode submeter uma proposta não-confidencial para a NineSigma, que a transmite para a empresa contratante. Se a companhia gostar da proposta, a NineSigma conecta a companhia a quem ofereceu a solução e o projeto continua daí. E quais os resultados para a P&G? Desde do início do programa em 2000, o número de produtos originado externamente subiu de 20% para 35% em 2006, Em 2006, cerca de 45% dos produtos lançados incorporam algum tipo de tecnologia descoberto fora da P&G, Diminuição dos gastos de P&D de 4,8% das receitas (2000) para 3,4% (2006) com aumento de 60% da produtividade do P&D no mesmo período e duplicação do valor das ações no período de 2000 ~ 2006.
A capacidade de uma empresa de competir é uma combinação do potencial das suas pessoas, a qualidade da informação que essas pessoas possuem, e a vontade de partilhar conhecimento com outros na organização. O desafio para os líderes é unir estes componentes ao máximo. Posso assegurar-lhe que existe imenso potencial desaproveitado na sua organização que espera ser libertado, e conhecimento que espera ser partilhado some-se a isto a possibilidade de contribuição que pode ir além dos próprios muros da organização, ou seja, uma oportunidade ilimitada de criação de valor.
29/04/2009
Trechos extraídos da entrevista dada por Elson Valim, diretor da FDC, à revista Gestão RH
Para a empresa que está em crise, que vantagens ela pode encontrar em buscar conhecimento em escolas de negócio?
Mesmo as empresas bem sucedidas e duradouras estão sujeitas a passar por períodos de crise. O que as distingue das demais é que sobrevivem à crise, exatamente porque dispõem de pilares sobre os quais se sustentam nos momentos difíceis. No entanto, esses pilares são erguidos ao longo do tempo, a partir do investimento na educação dos profissionais e, conseqüentemente, no desenvolvimento das organizações que se tornam mais fortes para superar as crises. Por outro lado, nos momentos de crise, as empresas tendem a cortar custos, inclusive possíveis investimentos em programas de treinamento e desenvolvimento. Não obstante, sabemos que as crises trazem sempre consigo novas oportunidades. Assim, mesmo com recursos limitados, esse pode ser um momento de começar a construir os pilares de uma empresa bem sucedida.
Embora a realidade de cada empresa seja diferente, podemos dizer que uma boa opção é começar pelo desenvolvimento de sua liderança, pois em uma crise a atuação da liderança é fundamental. Para isso, a FDC tem diversas soluções com foco no desenvolvimento da liderança de executivos e gerentes, como o programa “Alta Performance em Liderança” (em parceria com a ESADE da Espanha) e o programa “Liderança Transformadora”. Outra opção é o desenvolvimento das competências em gestão, também muito importante num momento de crise. A FDC oferece bons programas de gestão como o “PGA – Programa de Gestão Avançada” (em parceria com o Insead), voltado especialmente para a alta direção, além do “PDE – Programa de Desenvolvimento de Executivos” ou o “PCR – Programa de Capacitação para Resultados” para gestores operacionais.
As empresas que desenvolvem pilares sólidos e estão mais aptas para enfrentar a crise, normalmente não descontinuam seus investimentos no desenvolvimento das pessoas e da organização. Sabem, por experiência própria, que este é um investimento de longo prazo e de alto retorno. Para essas organizações, a FDC oferece soluções inovadoras visando o desenvolvimento de seus dirigentes, executivos e gerentes, como o programa “STC Executivo – Skills, Tools & Competencies” (em parceria com a Kellogg) ou soluções customizadas, construídas junto com a empresa de acordo com suas necessidades, ou ainda apoio a constituição ou desenvolvimento de suas “universidades corporativas”. Sem dúvida, a experiência e o aprendizado acumulado por uma instituição como a Fundação Dom Cabral no desenvolvimento eficaz das pessoas e organizações, podem ser de grande valia para as empresas neste momento de crise.
Para a empresa que quer crescer, ampliar conhecimento, que tipo de cursos ela pode buscar numa escola de negócios?
São diversas as soluções educacionais que as escolas de negócios oferecem para o crescimento e a ampliação do conhecimento. Há a opção de programas especificamente voltados para esse tipo de demanda, como por exemplo, no caso da FDC, o programa “Estratégias para o Crescimento” (em parceria com a Olin School of Business da Washington University in St. Louis) ou o programa “Fronteiras do Management”, que explora temas de vanguarda e suas potencialidades na busca da excelência empresarial. Existe também a opção de programas customizados com foco em “estratégia” como vetor importante para empresas que desejam crescer ou, ainda, voltadas para a “internacionalização”, que alguns casos específicos podem ser um dos caminhos do crescimento da empresa.
Outro caminho oferecido pela FDC às organizações empreendedoras, que desejam crescer e ampliar o conhecimento, é integrar-se a uma das Parcerias Empresariais, através das quais a FDC promove a cooperação entre empresas para a troca de experiências e a construção de novos caminhos. Para as grandes empresas, há a “Conexão Organizações Mundo – COMn”, que visa conectar os executivos das principais empresas do Brasil em torno de propósitos comuns por meio da construção, intercâmbio e aplicação de novos conhecimentos. Nessa parceria são criados ambientes de aprendizagem compartilhada entre presidentes ou executivos de desenvolvimento organizacional ou, ainda, centros de referência em áreas de conhecimento do interesse de um conjunto de empresas. Para as médias empresas, temos a “Parceria para a Excelência – PAEX” que reúne empresas de médio porte, em grupos regionais, de forma que possam trocar experiências, discutir modelos de gestão e colocar em prática nas suas empresas ferramentas estratégicas e gerenciais na busca por resultados empresariais.
14/04/2009Luiz Augusto Lobão Mendes Professor da FDC
Não é habitual as Organizações terem uma estratégia de crescimento devidamente planejada e sustentada. É um dado preocupante e, acima de tudo, real. Em diversa conversas que tenho com presidentes e diretores de empresas, durante o período de “arrefecimento econômico”, os Gestores atravessam 3 fases distintas: negação, reação exagerada com “cortes” excessivos e nocivos ao bom funcionamento da Empresa e, por último - quando começam a haver sinais de recuperação - assiste-se ao que poderíamos chamar esbanjamento.
Empresas que não tenham planejado, em devido tempo, o seu posicionamento estratégico irão, obrigatoriamente, fazê-lo em tempo de crise ou, até mesmo, recessão profunda. Este fator conduz, invariavelmente, a mudanças significativas dentro da Organização, com as conseqüências que são, infelizmente, do nosso conhecimento: redução abrupta do investimento e descapitalização do Ativo Humano da Empresa, mediante demissões mais ou menos numerosas.
A adoção de medidas drásticas para controlar os custos revelar-se-á, a médio/longo prazo uma estratégia profundamente errada. É crucial que os Gestores atuem de uma forma consistente e estável, no que concerne à política de investimentos em recursos Humanos e Materiais, quer em momentos de “euforia”, quer em momentos de “depressão”.
Sem sombra de dúvida, as Empresas que ressurgirão mais fortes deste período conturbado serão aquelas que conseguirem fazer da incerteza uma vantagem competitiva. Consolidarão o seu posicionamento no Mercado através de investimentos na sua esfera específica de intervenção, dotando-se de mais capacidade e, porque não, de maior Qualidade. Investirão em aquisições “baratas”, dentro do seu core business, para conquistar quota de Mercado e garantir posições de liderança. Evitarão, a todo o custo, diversificar as suas atividades, pois, tal estratégia, a verificar-se, enfraqueceria de uma forma dramática o seu foco principal, ou seja, o seu negócio.
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