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Espaço de Empreendendorismo

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O Desafio de Ser Empreendedor

Prof. Carlos Gustavo Fortes Caixeta, professor convidado da FDC

O primeiro passo para quem quer empreender é saber o que pode oferecer ao mercado e o que o mercado deseja, definindo sua “proposta de valor” e seu plano estratégico, que vai guiar a empresa. Vai precisar também compreender quem são seus concorrentes, o perfil dos seus clientes e funcionários, estimativas de receitas e custos do negócio. Depois, é preciso transformar tudo isso em realidade.

Quando se tem um produto ou serviço a oferecer, deve-se ter a confiança de levá-lo para o mercado a um preço justo pelo valor que ele acrescenta. É preciso também que o cliente aprenda a confiar em você, e essa confiança se constrói honrando suas promessas e sendo totalmente competente em todo o seu marketing mix (atendimento, disponibilidade do produto/serviço, cordialidade no contato, pós-venda, retorno ao cliente, assistência técnica, equipe de vendas e relacionamento, ponto de venda e de reforço da experiência com a marca etc.).

O empreendedor vai navegar muitas vezes sem segurança, sozinho em suas decisões, mas dispõe de uma liberdade para errar que jamais teria num emprego fixo. Deve aprender a lidar com o mau tempo e confiar em seu plano estratégico. Com esforço, o trabalho bem feito acaba dando resultados.

Cada decisão tomada traz consigo um risco de errar. O mais importante é aprender com ele, avaliá-lo bem e criar ações para rapidamente identificar os problemas, de modo que os sinais de perigo não passem despercebidos.

Tocar novos projetos, assumir riscos e começar do zero pressupõe confiança em si mesmo e no futuro. O empreendedor impõe a si próprio desafios maiores porque acredita que tem condições de superá-los. E a sorte vem para aqueles que se prepararam enquanto outros descansavam...

Por fim, evitar o estresse é fundamental. Quanto maior o desgaste, mais vulnerável ele se sentirá a mudanças de ânimo e decisões equivocadas. Atividade física, espiritualidade e boas sessões de terapia ajudam bastante...
 
Investimento que pode transformar a sociedade

 

Afonso Cozzi,
Coordenador do Núcleo de Empreendedorismo da FDC.

 

Ajudar jovens moradores de áreas carentes a driblar as estatísticas negativas e provar que é possível ter uma vida diferente da que tiveram seus pais e avós é comprovadamente uma forma de promoção do desenvolvimento da nação, com impacto na economia e no aumento da viabilização da justiça social.

Em seu último relatório global, o Unicef revelou que investir na proteção e no desenvolvimento da população de 1,2 bilhão de adolescentes do mundo pode romper ciclos de pobreza.

Segundo o estudo, a desigualdade é um dos principais fatores que impedem os adolescentes de aumentar seu grau de escolarização, além de expô-los a situações que vão do desemprego à violência.

Muitas vezes encarada como uma etapa de riscos, a adolescência é também o melhor período para ganhos na condição social. Com o incentivo correto, esses jovens têm o poder de transformar sua realidade, criando um círculo virtuoso de conhecimento, emprego, geração de renda e desenvolvimento.

No Brasil a situação não é diferente. Infelizmente, grande massa de jovens que moram em áreas pobres, ditas de vulnerabilidade social, ainda têm pouca ou nenhuma possibilidade de acesso a programas de formação técnica, que viabilizem sua inserção na economia de forma digna.

Seja como empregado, via mercado de trabalho formal, seja como autônomo, ou mesmo abrindo um pequeno negócio, que possa gerar renda para si e seu núcleo familiar.

Fica evidente que é preciso atender às necessidades desse público, tão representativo quanto estratégico para o Brasil, seja por meio de políticas públicas ou iniciativas privadas.

Em Minas Gerais, uma iniciativa do Instituto Cultural Flávio Gutierrez demonstra que é possível dar ao jovem de área carente uma nova visão de mundo e uma qualificação profissional que a escola tradicional muitas vezes não pode oferecer.

Esse projeto, iniciado em 2008, com o apoio do órgãos federais, estaduais e das prefeituras de Belo Horizonte e Nova Lima, em parceria com a Fundação Dom Cabral, oferece cursos de qualificação na área de conservação de bens móveis e imóveis do patrimônio cultural.

No Museu de Artes e Ofícios, em Belo Horizonte, estudantes da rede pública de ensino têm contato com disciplinas específicas da área da conservação e matérias complementares como história, fotografia, empreendedorismo, ética e cidadania, entre outras.

Para manter a permanência no curso, os participantes recebem bolsa-auxílio, vale-transporte, uniforme, lanche e todo o material necessário para as aulas. Os participantes saem do curso como assistentes de restauração em um mercado com grande demanda.

A experiência tem demonstrado que os jovens passam por um profundo processo de transformação pessoal, com ampliação da auto-estima e crença no papel que podem ter como atores na comunidade em que vivem.


Afonso Cozzi
é coordenador do Núcleo de Empreendedorismo da Fundação Dom Cabral
Fonte: Brasil Econômico - SP (Economia) | Publicado em: 06/04/2011

 

Empreendedor e inovação nas organizações


Afonso Cozzi
é coordenador do
Núcleo de Empreendedorismo da
FDC.

Vivemos na era do conhecimento, contexto em que sua criação e uso tornam-se referências para decisões econômicas. Podemos, hoje, "criar mais valor com uma idéia em 10 segundos do que com 10 mil horas de uma linha de montagem", como afirma o escritor Alvin Toffler. Basta considerarmos o aumento da proporção do trabalho relacionada ao uso de conhecimento e informação contido nos bens, e compará-la com a parte manual envolvida na produção.

Os bens baseados em conhecimento, tais como patentes, consultoria e atividades culturais, entre outros, têm rentabilidade mais elevada.

Dados recentes indicam que esses bens participam com mais de 50% da riqueza gerada no mundo.

Sendo o conhecimento fator-chave na criação de riqueza, sua utilização para gerar valor econômico está diretamente relacionada à inovação, não apenas tecnológica, nas também ligada a outras formas - por exemplo, na organização e gestão ou no modelo de negócio.

Nesse contexto, cresce o papel do empreendedorismo. Segundo Peter Drucker, a inovação é um instrumento específico dos empreendedores e o meio pelo qual exploram a mudança como oportunidade para um negócio diferente.

Na cultura empresarial voltada para a inovação, encontramos as mesmas bases formadoras de um ambiente propício aos "empreendedores corporativos" (ou intraempreendedores), onde todos os colaboradores são responsáveis pela competitividade da empresa e a alta administração apóia as iniciativas empreendedoras e os projetos inovadores.

Como, então, promover uma cultura orientada para o empreendedorismo e a inovação? A União Europeia reconheceu que seu sistema de ensino formal não tem criado as bases para uma sociedade mais empreendedora e inovadora.

Dessa forma, propôs uma profunda reforma do sistema educacional, partindo do pressuposto que atitudes e referências culturais tomam forma desde a primeira idade.

O programa de trabalho, conhecido como "Educação e Formação 2010", sugere mudanças do primeiro ciclo do ensino básico até a universidade. Essas mudanças já estão em curso em diversos paises membros da comunidade europeia.

No Brasil, a prática tem revelado um quadro semelhante, exigindo a implantação da educação empreendedora em todos os níveis.

A partir de experiência iniciada em Minas Gerais, vários municípios brasileiros já aplicam uma pedagogia especial, chamada de empreendedora, a partir da educação infantil até o segundo grau, de forma a estimular a capacidade de escolha do aluno, sem influenciar suas decisões, preparando-o para suas próprias opções, na vida pessoal e profissional. Em São José dos Campos, o método já funciona há 12 anos em escolas da rede municipal.

Cada vez mais, as grandes empresas também estão buscando soluções para desenvolver entre seus colaboradores a capacidade empreendedora e uma postura voltada à inovação. Assim, conseguem suprir a deficiência da formação escolar básica e superior, conscientes de que inovar não é função apenas do departamento de P&D, mas de toda a organização.

Estudos convergem para a visão do empreendedor como alguém capaz de desenvolver sonhos que contribuam para a evolução de sua individualidade e possam gerar valores humanos para a organização onde trabalha e para sua comunidade.

A energia empreendedora pode, então, ser despertada nas pessoas em um ambiente que estimule a competição por sonhos, com base numa estratégia e visão de futuro perceptível, que seja excitante e satisfatória para cada um e para o grupo.

Fonte: Brasil Econômico - SP (Inovação & Empreendedorismo) | Publicado em: 19/01/2011

Como despertar a energia empreendedora em seus colaboradores?

 

 

Por Afonso Cozzi,
Coordenador do Núcleo de Empreendedorismo da FDC

 

O que desperta a energia empreendedora nas pessoas? Por que os colaboradores de algumas empresas agem de forma empreendedora e de outras não?

A literatura sobre empreendedorismo dá uma ênfase especial aos sonhos dos empreendedores, à busca da realização pessoal e profissional, ao protagonismo e a uma energia que impulsiona o empreendedor a transformar o sonho em realidade.

Segundo Filion, professor de empreendedorismo da HEC Montreal no Canadá, a energia, vista como um dos elementos de suporte ao empreendedor, é traduzida como o tempo alocado para atividades profissionais e a intensidade com que essas atividades são executadas. Essa energia leva o empreendedor à liderança de projetos e de equipes, de forma a completar uma visão, e à dedicação de mais tempo para criar e preservar relacionamentos. Quanto mais tempo e energia ele despender no desenvolvimento de sua visão, tanto mais benefício receberá, pois as diretrizes que desenvolver vão gerar motivação e energia naqueles que o cercam. O processo de sonhar e tentar realizar produz uma energia (emoção) que leva à ação. Essa energia vem da emoção e, por isso, é capaz de produzir mudanças que levam à concretização do sonho.

A energia tem também um papel importante nas organizações de sucesso. Essas organizações são constantemente reprojetadas para criar um ambiente que gere energia em seus líderes, em um sistema aberto às informações do mercado, dos empregados e dos concorrentes.

Para Sumantra Ghoshal, um dos principais estudiosos sobre as organizações, a coragem de aspirar, de sonhar, deve ser passada pelos dirigentes para toda a organização. E é essa visão de fazer somente coisas extraordinárias que é a fonte de energia e paixão que impulsiona uma empresa para o crescimento a longo prazo. Para ele, na competição por sonhos “a força da ambição da empresa e a vontade humana se unirão com a visão dos futuros mercados, para criar o excitante senso de objetivo que energiza todo o processo estratégico”.

Diversos estudos sobre empreendedorismo convergem para a visão do empreendedor como alguém capaz de desenvolver sonhos que tenham congruência com o seu ego, que contribuam para a evolução de sua individualidade e possam gerar valores humanos (riqueza material e/ou imaterial) para a organização que dirige, ou que trabalha, e a comunidade em que vive. Depreende-se dessas colocações que a energia empreendedora pode ser despertada nas pessoas, em um ambiente que estimule a competição por sonhos nos indivíduos e em toda a organização, com base numa estratégia e numa visão de futuro que todos possam ver e que seja excitante e satisfatória para cada um e para o coletivo.

Em uma organização empreendedora as pessoas têm um projeto comum e atuam em rede num ambiente de cooperação e interdependência, com base em estrutura organizacional que coloca no topo do organograma as pessoas e as equipes que estão diretamente na operação dos negócios. As principais características dessas organizações são:

  • as políticas e diretrizes estimulam o protagonismo, promovem a delegação e o empowerment de todos os colaboradores e não apenas dos gerentes;
  • a comunicação é clara – em fluxo constante – para todos os níveis;
  • o erro é considerado como parte do aprendizado, de modo a favorecer a inovação e a busca constante de novas oportunidades;
  • a gestão de pessoas é descentralizada e procura assegurar as melhores condições para o surgimento de múltiplos líderes;
  • os planos pessoais e os da organização empreendedora estão em sintonia, porque a política de crescimento da empresa, associada ao espaço para o protagonismo de seus colaboradores, permite que as escolhas e os sonhos individuais sejam colocados num plano coletivo de construção de algo maior;
  • o sonho coletivo é ancorado no fato de a empresa estar sempre voltada para o novo e para o aproveitamento de novas oportunidades de mercado, além da renovação de seus processos e sistemas organizacionais;
  • a cultura é de estímulo ao crescimento e de forte cobrança de resultados, mesmo para quem é recém-chegado numa determinada unidade ou área, pois os meios e as ferramentas são colocados à disposição de todos.

O empreendedor corporativo nasce e cresce nos ambientes empresariais com essas características indicadas, onde as pessoas têm um projeto comum, sem abrir mão de seus desejos e sonhos individuais.

Em contraste, modelos tradicionais de administração industrial tentam controlar a incerteza, controlando as pessoas e suas ações na corporação. Implicitamente, a direção pensa e os colaboradores obedecem. O clima é caracterizado por baixo índice de comprometimento dos colaboradores com os resultados e perda expressiva na captura de oportunidades, que ocorrem geralmente do lado de fora da empresa.

Por isso, na organização empreendedora, a estrutura organizacional é invertida e as decisões básicas de inovação são tomadas por equipes de negócios que atendem clientes e/ou produtos / mercados, e que ficam no topo do organograma. Essas equipes têm responsabilidade em focar um setor de oportunidade (não um produto ou mercado), já que estão mais próximas da interseção do corporativo com as necessidades dos mercados.

Empreendedorismo, empreendedores e empresas empreendedoras
Por Luis Augusto Lobão, professor da Fundação Dom Cabral
 
 

Embora esteja frequentemente associado a novas ou pequenas organizações, o empreendedorismo é uma competência ou prática que também pode ser aplicado em empresas grandes e maduras. Em alguns casos, empresas maiores que estão perdendo a capacidade de competir, se tornando altamente burocráticas e complexas precisam inclusive ser mais empreendedoras. Mas, o que exatamente significa empreendedorismo?
 
De modo geral, o empreendedorismo está associado a métodos e processos de descoberta, avaliação e realização de oportunidades ou com os indivíduos que as descobrem, avaliam e implementam. Essas pessoas, tidas como empreendedores, podem ser os fundadores ou proprietários, bem como gestores ou executivos, que conseguem desenvolver uma competência para observar o ambiente e captar suas mudanças.
 
Empreendedorismo é, portanto, a identificação e exploração de oportunidades não exploradas anteriormente por indivíduos ou empresas. Ao considerar que os empreendedores são hábeis observadores – tanto das oportunidades do ambiente externo quanto dos aspectos internos da organização –, eles acabam desenvolvendo ações velozes e intuitivas.
 
Dessa forma, são capazes de perceber situações por ângulos diferentes de modo a encontrar alternativas para uma mesma questão: enquanto para algumas pessoas o mercado está saturado, esses indivíduos descobrem nichos para atuar e se adaptar a novas situações, não apenas relacionadas a novos produtos e tecnologias, como também à reformulação dos produtos e serviços já existentes ou à entrada em outros mercados.
 
Além disso, as mudanças da sociedade, que acontecem com uma velocidade superior às demais épocas, exigem das pessoas comportamentos e habilidades diferenciadas para serem eficazes no desempenho das suas funções. Assim, o indivíduo precisa preparar-se para as mudanças, até mesmo porque as constantes transformações podem deixar as empresas em dificuldade para fazer frente às novas exigências do mercado.
 
Mesmo sendo um elemento vital para a perenidade das organizações, o empreendedorismo corporativo ainda é, de fato, pouco praticado e muito complexo para ser implementado. Muito do sucesso da empresa empreendedora está relacionado com a cultura da empresa.
 
Um passo importante para as organizações que pretendem ser empreendedoras é, sem dúvida, a tolerância aos erros bem intencionados. Ou seja, os profissionais devem ter a liberdade e autonomia para conduzir iniciativas, sem ignorar os fracassos decorrentes, mas, sobretudo, aceitando o erro como parte do processo de aprendizado. E, nesse sentindo, um empreendedor eficiente também deve ser capaz de avaliar as situações de risco que surgem em decorrência de suas ações.
 
Também é fundamental incentivar e desenvolver competências empreendedoras. Se você quiser transformar sua empresa prepare-se para começar uma longa jornada com final imprevisível. A única certeza é que, como qualquer iniciativa empreendedora, os benefícios potenciais irão compensar os riscos e o investimento.
O mercado e a mulher empreendedora

Rosângela Pedrosa - Gerente de projetos da Fundação Dom Cabral

 

Nos últimos anos, uma nova tendência vem se desenvolvendo no mundo dos negócios. Em diversos países, a sociedade está se mobilizando para estimular o crescimento da participação das mulheres no mercado de trabalho e, em especial, seu perfil empreendedor. Tal tendência se baseia em pesquisas segundo as quais o resultado do investimento profissional em mulheres tem um excelente retorno: avalia-se que para cada dólar investido são gerados três dólares, ou seja, um investimento com retorno três vezes maior.

Além do retorno quantitativo, esses estudos apontam que a mulher tende a aplicar uma fatia expressiva do que ganha na saúde e na educação dos filhos, contribuindo para a redução da mortalidade infantil, o crescimento saudável das crianças e a elevação dos anos de permanência desses jovens na escola. Dessa forma, o impacto social, econômico e cultural decorrente da elevação da renda da mulher é maior do que o do homem, que, por sua vez, tende a focar sua renda na própria vida profissional ou na aquisição de bens de consumo pessoal.

Diante da capacidade das mulheres em gerar maior desenvolvimento socioeconômico nas comunidades em que estão inseridas, elas têm se transformado em uma alavanca fundamental para o crescimento econômico de muitos países e, em especial, daqueles
em desenvolvimento.

Essas constatações têm contribuído, em nível global, para maior estímulo ao desenvolvimento de mulheres empreendedoras. Na Índia, por exemplo, alguns bancos populares têm linhas de crédito exclusivas para mulheres. De acordo com estatísticas locais, 97% delas pagam seus empréstimos
em dia.

No entanto, há ainda um grande entrave a ser enfrentado e superado nesse processo de valorização profissional das mulheres, já que, por questões culturais e econômicas, elas ainda levam uma grande desvantagem em relação aos homens no mercado de trabalho.

Por apresentarem, historicamente, níveis educacionais inferiores aos dos homens, menor acesso ao aprimoramento de conhecimentos e desenvolvimento de habilidades para lidar com questões financeiras, as mulheres geralmente optam por negócios informais ou de porte muito pequeno (ligados à alimentação, artesanato, confecções e artigos femininos em geral), limitando, na maioria das vezes, que elas desenvolvam negócios mais competitivos, rentáveis ou com maior potencial de crescimento.

Em âmbito mundial, o resultado para essa questão indica a necessidade premente de as mulheres investirem, de forma crescente e consistente, na aquisição de conhecimentos em gestão de negócios. Esse é um caminho importante para que elas consigam, efetivamente, fazer com que seus empreendimentos cresçam de maneira mais sustentável e com maior perspectiva de sucesso.


 

Estes Maravilhosos Empreendedores Visionários

Por Luis Augusto Lobão Mendes

Na linguagem mercadológica, os visionários são geralmente colocados em segundo plano, sendo vistos na fronteira entre a genialidade e a loucura. O que é até lógico se pensarmos que negócios são negócios e invenções são negócios iminentes. Assim, os livros de management prestigiam com ênfase, ensinando a valorizar aqueles que empreendem, pois eles sabem trazer à tona a palavra mais mágica nas empresas: resultados.

O visionário é aquele que tem visões, é um sonhador ou um utopista, muitas vezes com idéias mirabolantes e outras com poder para mudar o mundo. Já o empreendedor é aquele que possui comportamento arrojado, ativo e proativo, que tem a capacidade de transformar as idéias em negócios. Agora, imagine a combinação dessas duas características! Um indivíduo cujos olhos não se limitam a observar a rotina cotidiana, porque insistem em estar no futuro. Não para esperar passivamente que ele chegue, mas para correr ao seu encontro a fim de moldá-lo e construí-lo com os arrojados contornos do seu sonho e, por meio dele, criar valor para a sociedade.

Estamos vivendo um período de hipercompetição, em que é possível perceber mudanças profundas no ambiente de negócio. Para entendê-las melhor, deve-se considerar três fenômenos. O primeiro é relativo ao ciclo de inovação, ou seja, o tempo entre a descoberta e a utilização da tecnologia para fins comerciais. Podemos observar que ele diminui exponencialmente com o passar dos anos. Por exemplo, entre a descoberta e utilização da fotografia se passaram 120 anos, o radar foram 35 anos, a televisão somou 12 anos, os novos processadores para computador já são menos de 6 meses, um produto ou serviço bancário estão ativos em menos de uma semana.

Esse fenômeno faz ainda com que uma tecnologia atinja um maior número de usuários de uma forma nunca vista. Vamos avaliar alguns produtos lançados e o tempo em anos para atingirem algo em torno de 50 milhões de usuários: a eletricidade – 46 anos, o rádio – 22 anos, o microondas – 30 anos, o celular – 13 anos, a internet – 4 anos. Dessa forma, o atual impacto da inovação nos negócios é sem precedente, principalmente, se pensarmos que o Skype, o Google e o Youtube gastaram menos de dois anos para atingir este número de usuários.

O segundo seria a quantidade de produtos oferecidos com a mesma qualidade e preço. Vocês já observaram quantos produtos similares com as mesmas funcionalidades conseguimos encontrar? Algo em torno de 60 tipos de molhos de tomate, 120 tipos de cerveja, 450 modelos de caros novos. É praticamente impossível diferenciar um produto somente pelos seus atributos funcionais. Já o último fenômeno, e ainda mais grave, é que a competição não é mais entre produtos, mas sim de valor. Para entender este conceito, lembro de uma conversa com o presidente de uma grande empresa de sapatos. Durante anos, a avaliação da sua concorrência era feita em função apenas dos outros fabricantes do mesmo segmento. A grande mudança, de fato, aconteceu quando o consumidor deixou de comprar sapatos como comprava antes, pois a concorrência passou a ser com a conta do telefone celular, a assinatura da TV a cabo, a despesa de acesso à internet, etc. Dessa forma, o importante hoje é ser uma opção no momento de decisão de compra do cliente, ou seja, a guerra está na renda do consumidor e não somente entre os produtos.

Nesse cenário, a grande saída é buscar a inovação de negócio. Mesmo nesse processo de comoditização acelerada dos produtos e serviços, é possível achar uma saída. À medida que os produtos se tornam cada vez mais iguais e a competição se desloca para o preço, a análise da cadeia de valor do cliente e a combinação dos atributos fora do setor permite que a organização inicie um processo de descomoditização. A lógica parece simples, porém o problema é que as organizações não entendem o conceito de inovação de negócios e não conseguem ver além do produto.

Quando falamos em inovação, a primeira coisa que vem à nossa mente são produtos de alta tecnologia em grandes empresas a toda velocidade. Sendo assim, parece existir pouca esperança de inovação nas pequenas e médias empresas. Contudo, a inovação de negócio está associada ao entorno do produto em características não convencionais do setor e não com produtos e tecnologias avançadas.

Uma inovação de negócio têm como objetivo facilitar aos clientes a condução de negócios. Em outras palavras, é uma inovação centrada no cliente. Ao oferecer propostas de valor cada vez mais atraentes, a empresa evita a cilada de competir por preço. Colocar o cliente no centro não é mera retórica, é pré-requisito para o crescimento rentável e sustentável. Entretanto, é rara a organização que entende o que realmente significa ser centrada no cliente, mas é justamente aí que as empresas podem fazer a diferença.

Para isso, as organizações precisam contar com empreendedores visionários, que conseguem perceber a mudança do ambiente e converter as ameaças em grandes oportunidades. Para ser um visionário empreendedor é fundamental adiantar-se, ter coragem e se lançar às novas oportunidades, tornando a concorrência irrelevante por meio de uma oferta singular.

Seja também um empreendedor

Afonso Cozzi
Coordenador do Núcleo de Empreendedorismo da FDC

 

Imagino que você já ouviu falar das vantagens de se tornar um empreendedor, abrir seu próprio negócio e procurar inovar em busca de novos mercados. Sem dúvida, essa é uma boa opção para muita gente que quer se arriscar.

 

No entanto, se você não quer nem pretende abrir sua própria empresa, saiba que tem crescido no mercado um perfil de empresas que têm espaço para a presença de profissionais empreendedores em seu quadro de funcionários – conhecidos como intra-empreendedores. Essas empresas fazem opção por uma cultura de empreendedorismo corporativo que privilegia a autonomia e estimula o empregado a pensar e agir como o “dono” do negócio ou da área em que atua.

 

Em outras palavras, intra-empreendedorismo é o empreendedorismo aplicado às organizações, envolvendo o reconhecimento de oportunidades no mercado, o desenho do projeto de desenvolvimento do novo negócio, produto ou serviço e a implementação desse projeto. São projetos geralmente inovadores e de alto valor agregado para a empresa. Os intra-empreendedores são visionários e buscam a realização de seus sonhos, como os empreendedores que criam suas próprias empresas, mas atuando em um ambiente mais restritivo e com menor controle sobre o sistema social à sua volta.

 

Se você quer se tornar um profissional com este perfil, preste atenção: o intra-empreendedor não é guiado pela segurança do emprego, mas pela responsabilidade de  manter a competitividade do negócio em que está envolvido e, por isso, deve estar preparado para conviver em ambientes de incerteza, de constante experimentação e possíveis erros. Ele é energizado pela busca da inovação e pelos desafios que surgem diariamente no contato com os clientes, parceiros, fornecedores e outros atores do mercado. Geralmente tem paixão por novas idéias e fome por aprendizado e se entedia com tarefas repetitivas.

 

Essas organizações empreendedoras optam por um modelo de descentralização do poder e, conseqüentemente, investem na transformação de pessoas comuns em líderes que alcançam resultados extraordinários. A coragem de desejar algo inovador e de sonhar deve ser passada para toda a organização por meio dos dirigentes, mas isso não é uma tarefa fácil.

 

Na prática, o intra-empreendedorismo gera uma relação de ganha-ganha entre as partes. Para os dirigentes, esse caminho significa o desenvolvimento dos empregados para trabalhos mais complexos, que requerem mais responsabilidade e inovação. Ao mesmo tempo, esse esforço gera maior produtividade e melhores resultados para a empresa. Por sua vez, o funcionário convive em um ambiente de trabalho de maior respeito às individualidades e competências pessoais e profissionais, com a possibilidade de ganhos adicionais pelo sucesso dos projetos propostos e abertura de novas frentes de negócios.

 

Os estudos realizados mostram que esse modelo de gestão, que valoriza as pessoas e apóia as iniciativas empreendedoras, otimiza o potencial empreendedor de seus empregados e impulsiona as organizações para o crescimento no longo prazo. Não por outro motivo, empresas de médio e grande porte de várias partes do mundo têm buscado implementar equipes intra-empreendedoras de alta performance para sustentar o seu desenvolvimento.

 

Há um senão nessa história. De maneira geral, nossa experiência tem demonstrado que poucas organizações estão preparadas para implantar esse modelo de empreendedorismo corporativo e estimular o profissional intra-empreendedor. Mesmo sabendo que esse tipo de empresa não se encontra ali na esquina, esperando por você, vale a pena correr atrás. Porque encontrá-la certamente representará uma mudança significativa em sua vida.

Empreendedorismo em Tempos de Crise
por Patricio Cortés D.
Diretor Executivo do Centro de Emprendimiento e Innovación da Universidad del Desarrollo, do Chile
 

As crises sempre são fontes de oportunidades, é a frase que mais se repete quando estamos em meio a uma. E, é claro, o mundo sempre pode ser dividido em otimistas e pessimistas. Entre os que vêem o copo meio cheio ou meio vazio. Isso é um fato. Mas, o que há de verdadeiro nessa afirmação? Há oportunidades nas crises? Ou a frase se refere ao fato de que aqueles que não estão em crise podem comprar barato dos que a estão vivendo? Não há dúvida de que estas oportunidades existem. Mas, do ponto de vista do empreendedorismo, nos referimos sempre àquelas que permitem formar um negócio que possa – por si mesmo – sustentar-se no tempo. E aqui temos três fenômenos.

 

O primeiro é o empreendedorismo por necessidade. Esse dos anos 80 de que todos os que dançamos ao som de Gloria Gaynor nos lembramos. O da mulher que tem que apoiar o marido. O do empregado que ficou sem trabalho, mas que não desiste, e que depois de procurar sem sucesso decide montar um pequeno negócio. Mas que na primeira oportunidade de ter um emprego estável, deixa de ser empresário e se torna de novo empregado. E o faz feliz. Estas oportunidades sempre existem. Muitas. E são mais comuns em tempos de crise. E diz tanto da flexibilidade (e não do desejo) das pessoas para adaptar-se, como também da falta de flexibilidade dos mercados de trabalho, que os obriga a aproveitar estas oportunidades.

 

O segundo tipo é o empreendedorismo por oportunidade. Aquele que responde a uma oportunidade de negócio real e estável no tempo. O tipo de oportunidade daquele que quer ser empresário e continua sendo-o ainda que lhe ofereçam um trabalho. O empresário com vocação. Este é o que nos interessa. E é claro que ele existe. O que acontece é que durante as crises as oportunidades mudam de forma. Quando a economia vai bem, os produtos estrela são os de luxo. Como os produtos gourmet: o patê de azeitona, o queijo azul (que antes conhecíamos como roquefort), o pão com ervas, etc. Tudo isso agora é supérfluo, porque é necessário economizar. Ou, pelo menos, ser prudentes. O que acontece é que as oportunidades surgem nos produtos de baixo preço. Esses que antes eram esquecidos por serem pouco glamorosos e que agora serão relembrados. De um dia para o outro vocês vão se lembrar de que os presentes de aniversário devem ser significativos pelo que representam e não pelo seu valor. Ou que a margarina é tão saborosa quanto a manteiga. E não tem colesterol.

 

A terceira alternativa é provavelmente a que deu origem à lenda. A de que em tempos de crise muitos ativos baixam de preço. E de que muitos destes são essenciais para os negócios. O exemplo mais simples é a possibilidade de negociar o arrendamento, e inclusive o preço dos insumos. Muitas vezes isto é feito sob a forma de um desconto ou um pagamento em parcelas sem juros. Tudo isto oferece a possibilidade de capitalizar uma empresa aproveitando o desconto. O que não se poderia conseguir numa situação de crescimento econômico. Mas isto ainda parece simples. Por isso, talvez o melhor exemplo seja um que ouvi de um dos maiores empresários do Chile hoje em dia. Ele – e seu sócio e amigo – eram altos executivos de uma grande empresa que entrou em crise na depressão dos anos 80. Ficaram sem trabalho e endividados para o resto da vida. Mas tinham sua inteligência e o conhecimento do mercado. E seu empreendedorismo. Decidiram propor ao banco que trocasse a dívida que eles tinham por ações de uma empresa que eles sabiam que estava subvalorizada. Algo, no mínimo, audaz. Convenceram o presidente do banco a emprestar-lhes mais dinheiro e a comprar uma porcentagem que lhes permitiu modernizar a empresa, pagar suas dívidas e estabelecer as bases de sua atual riqueza. Tudo isto sem capital; pelo contrário, com dívidas.

 

A pergunta agora é onde estão as oportunidades e, é claro, como faço para aproveitá-las. É melhor responder a isso com um exemplo. Faz alguns anos, em meio à crise argentina do corralito, um amigo se debatia entre regressar ou não ao seu país, uma vez que sabia que as oportunidades de trabalho seriam escassas. Então se lembrou de que um dos seus professores em Boston lhe tinha falado de uma empresa de capital de risco. Lembrou-se também de que seu sogro era arquiteto e engenheiro civil. Resumindo: ele criou um fundo de investimento nos EUA para comprar apartamentos em Buenos Aires, aproveitando que eram muito baratos em dólares. Em seguida, reformava-os com a ajuda profissional de seu sogro e vendia-os um ou dois anos depois. Vocês dirão que esse é um novo exemplo de comprar barato. Mas não é. É um exemplo de como fazer um negócio de seis milhões de dólares sem ter tido nenhum.

 

Um último exemplo. Este é o daquela empresa que fabricava roupa de algodão para crianças. Tudo de altíssima qualidade, mas que não conseguiu sobreviver à concorrência de preço baixo que vinha da China. Justo quando só restavam o gerente (e dono) e a estilista chefe, tiveram uma idéia, colocaram-na em prática e foi um sucesso. Ofereceram à conhecida marca de roupa Target arrendar-lhe a marca de sua empresa quase morta, mas mantendo o controle sobre a criação. Assim, a roupa seria fabricada na China, com o nome de uma marca conhecida nos EUA, e com a qualidade do design que as pessoas conheciam. Quando ouvi esta história da boca do fundador, ele dizia que agora ganhavam mais do que antes.

 

E é claro que ganhava. O que acontece é que em tempos de crise a criatividade fica mais aguçada. E criatividade é algo que o chileno tem de sobra. E que aplicada e bem focalizada está atrás das oportunidades. Agora sabemos por que Voltaire uma vez disse: “Deus não está do lado dos grandes arsenais, e sim do lado dos que atiram melhor”.

ExpoManagement 2008 - Afonso Cozzi fala sobre Intra-empreendedorismo
O que é o intra-empreendedorismo?
O intra-empreendedorismo é o empreendedorismo aplicado às organizações. Como tal, envolve o reconhecimento de oportunidades e a preparação e implementação de projetos, em busca da inovação de produtos e serviços que agreguem valor ao negócio, além de mudanças significativas em tecnologia, modelos de negócios, busca de recursos financeiros e realização de planos de expansão. O intra-empreendedorismo depende, essencialmente, das pessoas que atuam nas próprias organizações, sejam de pequeno, médio ou grande porte. Esses intra-empreendedores trabalham para transformar boas idéias em realidade e se sentem responsáveis pela competitividade da empresa, além do seu próprio aprendizado e desenvolvimento profissional. Nesse sentido, seu trabalho é mais complexo que o do empreendedor que cria e dirige seu próprio negócio, pois ele não tem controle sobre o sistema social à sua volta.
 
Como desenvolver o intra-empreendorismo nas organizações?
O também chamado “empreendedorismo corporativo” é, essencialmente, um conjunto de princípios e práticas que integra ações voltadas para revitalização do negócio como um todo e a busca da inovação em todos os níveis organizacionais. É um processo ganha-ganha e que pode ser implementado em todos os níveis das organizações. O modelo organizacional deve criar condições para que decisões básicas de inovação e de captação de novas oportunidades sejam tomadas por intra-empreendedores, pessoas que estão na linha de frente, em contato direto com o cliente. Nesse caso, a alta administração dá suporte e facilita o trabalho desses profissionais.
 
Geralmente, empresas inovadoras estimulam uma cultura interna empreendedora. Nessas empresas, a alta administração apóia as iniciativas empreendedoras de seus empregados, incentiva a experimentação e lida bem com o erro. Os empregados são encorajados a atuar como intra-empreendedores e a desenvolver inovações e novas oportunidades de negócios dentro da estrutura corporativa existente. Porém, empresas de médio e grande porte, de várias partes do mundo, tem buscado implementar práticas intra-empreendedoras para sustentar o crescimento e constituir equipes de alta performance.
 
Como o tema pode contribuir para o desempenho das organizações?
O empreendedorismo corporativo representa o caminho para um futuro econômico promissor e as organizações que o praticam acabam por otimizar o potencial empreendedor de seus empregados. Para os dirigentes, esse caminho significa o desenvolvimento dos empregados para trabalhos mais complexos, a difusão da responsabilidade de inovação e a busca de maior produtividade, por meio da vinculação de resultados e o sistema de remuneração. Para os empregados, significa um ambiente de trabalho com regras mais flexíveis e a possibilidade de ganhos maiores, com base em um sistema de remuneração ligado ao lucro e melhoria da produtividade.
 
Quais são as principais características desse profissional intra-mepreendedor?
Esse modelo valoriza o profissional focado na superação de desafios e na capacitação contínua e cria condições para a desconcentração do poder e a formação de múltiplos líderes. Os principais estudos apontam para a visão do empreendedor como alguém capaz de desenvolver sonhos que tenham congruência com o seu ego, contribuam para a evolução de sua individualidade e possam gerar valores humanos (riqueza material e/ou imaterial) para a organização em que trabalha e a comunidade em que vive.
 
As empresas estão capacitadas para implantar o intra-empreededorismo?
De forma geral, nossas organizações ainda não estão preparadas para implantar um modelo de empreendedorismo corporativo e estimular o profissional intra-empreendedor. A coragem de desejar e de sonhar deve ser passada pelos dirigentes para toda a organização. Essa visão de fazer somente coisas extraordinárias que é a fonte de energia e paixão que impulsiona uma empresa para o crescimento no longo prazo. Assim, a energia empreendedora pode ser despertada nas pessoas, em um ambiente que estimule a competição por sonhos nos indivíduos e em toda a organização, com base numa estratégia e numa visão de futuro que todos possam ver e que seja excitante e satisfatório para cada um e para o coletivo.

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