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Espaço de Competitividade

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O Brasil não é um player global: análise dos indicadores internacionais de competitividade

Por Carlos Arruda e Fabiana Madsen. Carlos Arruda é Coordenador do Núcleo de Inovação da Fundação Dom Cabral e Fabiana Madsen é Pesquisadora.



O retrospecto da economia brasileira no indicador de Comércio Internacional analisado anualmente no relatório World Competitiveness Yearbook não é nada favorável. Entre os anos de 2009 e 2011, o país ficou na 57ª colocação e, agora, em 2012, o país chegou à 56ª posição, entre os 59 países analisados. Apesar do ganho competitivo no último ano, a permanência do Brasil nas últimas posições do ranking é preocupante, apesar de ser um reflexo de práticas empresariais e políticas públicas dominantes.

No último ano, conforme dados do Banco Central, o Brasil apresentou um déficit de US$ 52,6 bilhões em seu balanço de transações correntes. Este déficit recorde no país ocorreu apesar do superávit de US$ 58,6 bilhões no balanço de pagamentos em 2011, e de um saldo de US$ 29,8 bilhões na balança comercial do mesmo ano. Uma vez que a conta de transações correntes é a soma da balança comercial e da balança de serviços e rendas – apesar do saldo comercial do país ter sido muito favorável – tem-se como resultado que o saldo de serviços e rendas foi desfavorável e significativo (US$ 85 bilhões).

Ainda segundo o BACEN, a tendência para 2012 é de piora nesse cenário. No acumulado do ano de janeiro a maio, o déficit em conta corrente foi de US$ 20,958 bilhões, o equivalente a 2,19% do PIB. Parte desse resultado deve-se à remessa de lucros e dividendos realizada por empresas multinacionais instaladas no Brasil, que somou US$ 2,420 bilhões em abril (ante US$ 2,1 bilhões remetidos em abril de 2011). O resultado de maio, segundo o BACEN, foi menos deficitário do que o de abril, quando o saldo ficou negativo em US$ 5,403 bilhões. No acumulado dos últimos 12 meses até maio, o saldo em conta corrente é negativo em US$ 50,881 bilhões, o que representa 2,11% do PIB.

Para galgar posições na variável comércio internacional, o Brasil necessita aumentar suas exportações, não apenas de commodities, mas também de produtos de maior valor agregado. Para tanto, necessita inovar com aumento da oferta de produtos e serviços com diferenciais competitivos sustentáveis (diferenciação na oferta de soluções a custos compatíveis com o interesse do mercado). Na prática, o que se observa é o oposto, com a redução no volume de recursos investidos em PD&I como aponta a ANPEI em seu relatório anual. Pesquisas de opinião realizadas pela equipe da FDC indicam que 80% dos investimentos em inovação em grandes empresas são voltados para atividades de melhoria, com apenas 9% das empresas tendo projetos de inovação com o objetivo de fazer uma oferta de soluções diferenciadas para o mercado internacional.

Para tornar-se um player global, as empresas do país precisam também mudar de patamar de produtividade. Os relatórios demonstram que o crescimento da produtividade no Brasil é insuficiente para alcançar as posições competitivas dos países mais globais. A variável medida pela produtividade do trabalho (relação crescimento do PIB força de trabalho) ficou estagnada na 52ª posição no relatório tendo, em 2011, caído 24 posições. Quando analisado o comportamento do indicador de crescimento real da produtividade total, verifica-se um ligeiro aumento entre os dois últimos anos. Em 2010, essa variável fechou em -0,96% (em relação ao PIB) e no ano de 2011 a taxa de crescimento foi de 0,62%. Ainda assim, esse valor é muito aquém do ideal quando comparado à taxa de crescimento médio da produtividade das demais economias mundiais, que foi de 2,06%. A produtividade do trabalho em paridade do poder de compra (indicador que elimina a diferença entre o custo de vida nos países) indica que o trabalhador brasileiro produz, em média, o equivalente a US$ 12,56 por hora trabalhada, enquanto a média mundial é de US$ 31,84 por hora trabalhada.

Um fator importantíssimo para um país ser um global player é ter mão de obra qualificada o suficiente para tal. Entretanto, em seu momento atual, o Brasil gera empregos, mas não riqueza (a taxa de crescimento do emprego saiu do nível de 0,3% entre os anos de 2009/2010 para o nível de 2,1% entre os anos de 2010/2011. Estão sen¬do criados empregos que exigem menor qualificação do trabalhador, em setores que agregam pouco valor à economia, o que acaba reduzindo a produtividade. Ou seja, apesar dos óbvios benefícios econômicos e sociais que acompanham a positiva geração de postos de trabalhos, estes não estão sendo adequados para a reestruturação e crescimento do setor produtivo brasil¬eiro.

Uma amostra de como o Brasil não está inovando o suficiente para tanto, é uma pesquisa recente feita pela FDC com cerca de 220 gestores. Seus resultados mostraram que aproximadamente 80% deles estão investindo em inovação para atender ao seu cliente, o que é uma medida de curto prazo. Apenas 9% estavam aplicando recursos no desenvolvimento de novos produtos.

É necessário o desenvolvimento de uma “ação de país” que associe os setores público e privado para investir no aumento da produtividade dos investimentos em inovação e no reposicionamento da competitividade brasileira. O Brasil continua em evidência aos olhos do mundo mas, ao mesmo tempo, está perdendo grandes oportunidades de se reposicionar globalmente. Sem o desenvolvimento de uma nova agenda de trabalhos, as más notícias serão recorrentes e o país não conseguirá avançar para deixar de ser um (belo) país em desenvolvimento.

 
O desafio da competitividade brasileira


Por: Carlos Arruda - Coordenador do Núcleo de Inovação e Competitividade da Fundação Dom Cabral


O Fórum Econômico Mundial divulgou o Global Competitiveness Report (GCR), o Relatório Global de Competitividade que relata as condições de competitividade de 142 países. No ranking geral, o Brasil ganhou cinco posições, passando a ser a 53ª economia mais competitiva do mundo. A princípio, esta é uma boa notícia e revela um certo avanço, mas a comemoração deve ter bom senso. Temos que analisar porque ainda estamos nessa posição, mesmo sendo a 7ª economia do mundo.

No ranking, o Brasil está atrás de países como Estônia e Hungria, e de países com sérios problemas econômicos como Portugal, Espanha, Irlanda e Itália. Explicar tal fato é um desafio tanto para os analistas do Fórum Econômico Mundial quanto para os da Fundação Dom Cabral, responsável por coletar e analisar os dados do Brasil. A resposta pode estar nas diferenças do que entendemos por competitividade. Enquanto temos a tendência de entender competitividade como um fator diretamente relacionado ao tamanho de nossa economia, o ranking do Fórum Econômico Mundial considera uma extensa lista de variáveis, que inclui estrutura regulatória, sistema tributário, eficiência das ações do governo, investimentos e qualidade da educação, saúde, infraestrutura, disponibilidade e qualidade de tecnologias de informação e de comunicação, performance do setor empresarial, questões relacionadas à corrupção, sonegação de impostos, governança pública e privada, valores e segurança pessoal e patrimonial.

Assim, nesta rigorosa análise do Fórum Econômico Mundial, encontramos o Brasil, o País da promissora e sétima maior economia do mundo, no 53º lugar entre os 142 países pesquisados. Analisar este paradoxo é importante para entender nossos desafios. O Global Competitiveness Report revela que os nossos pontos fortes são resultados de políticas que soubemos estabelecer ao longo dos anos. Por outro lado, o documento mostra que os pontos fracos são exatamente aqueles que já sabemos há décadas.

O Brasil vem demonstrando capacidade de incluir na economia milhões de novos brasileiros que antes viviam em condições miseráveis. O esforço coletivo de criar um ambiente empresarial sofisticado com qualidade e desempenho acima da média faz com que o País tenha empresas reconhecidas em todo o mundo e que seja um ambiente atrativo para novos investimentos estrangeiros. O Brasil está também entre os 10 principais países do mundo na geração de conhecimento científico de relevância internacional. Apesar de não termos nenhuma universidade classificada entre as 200 melhores do mundo, nossos professores e pesquisadores se destacam na publicação científica especializada.

Para aproveitar melhor estes pontos positivos, no entanto, precisamos resolver problemas históricos. Nosso marco regulatório e nosso sistema tributário estão defasados; nossos investimentos em infraestrutura, educação básica e saúde não têm sido suficientes; e a ineficiência e o desrespeito no uso do dinheiro público têm sido uma marca histórica que ainda não conseguimos superar. De 2009 até hoje, o relatório nos mostra, por exemplo, uma preocupante queda nos índices de educação básica e saúde. Em 2009, nossa posição era a 79º neste quesito, em 2010 caímos para 87º e agora´, em 2011, mantivemos a mesma colocação. A análise de infraestrutura deste ano tem resultados muito parecidos com os do último relatório: estávamos em 62º lugar em 2010 e agora ocupamos o 64º, uma posição nada confortável para um País que pretende crescer ainda mais.

O Brasil do passado nos persegue com problemas básicos e pode atrapalhar nossos planos de futuro. Superar estas deficiências vai exigir um comprometimento de todas as esferas do governo e também da sociedade. Sim, é importante comemorar o ganho de cinco posições no ranking de competitividade internacional, mas também é hora de uma análise lúcida pelo bem do futuro do País. Ainda temos grandes desafios históricos e de base a superar e temos que nos concentrar neles se quisermos que todo nosso potencial competitivo venha a se tornar uma realidade condizente com nossa posição de 7ª economia do mundo.

Fonte: O Estado de S. Paulo - SP (Economia & Negócios) | Publicado em: 07/09/2011 

Aviso aos emergentes


 

Por Paulo Paiva, professor da Fundação Dom Cabral
 
 
 
 

Preocupado, o mundo acompanha os desdobramentos da crise de 2008/2009. Na Europa, as finanças da Grécia, Irlanda, Portugal, Espanha e Itália estão fragilizadas. Os Estados Unidos vivem momentos difíceis, com necessidade de ampliar o seu já elevado nível de endividamento para fazer face às despesas correntes do governo. O mercado reage rapidamente, como se pode verificar pelo comportamento das bolsas por toda parte, e a insolvência pode atingir vários bancos que carregam títulos dos países em dificuldades.

Por envolver também riscos soberanos, e não apenas desequilíbrio do sistema financeiro, a crise agora é muito mais grave. É o centro da economia de mercado que está em risco. O dólar, que ainda é usado como meio de pagamentos, medida e reserva de valor nas transações comerciais e financeiras internacionais, pode perder seu lugar privilegiado no mundo.

As economias emergentes, mais uma vez, parecem imunes às turbulências ou, quem sabe, surgem como a própria solução da crise.

Como no clássico conto de Nikolai Gogol, lendo os jornais diários, diria o dedicado funcionário público, em rápido processo de esquizofrenia: "Na Espanha estão acontecendo coisas estranhas... o trono está vago".

Logo após a 2.ª Guerra Mundial, acordo celebrado em Bretton Woods fixou a paridade do ouro ao dólar, permitindo estabilidade nas relações entre as diferentes moedas e, em consequência, a expansão do comércio internacional. Isso foi fundamental para o crescimento da economia mundial entre as décadas de 1950 e 1970. Mesmo com o abandono da paridade, decidido no início dos anos 70 unilateralmente pelo governo americano, o dólar continua sendo a moeda utilizada nas transações comerciais entre as nações. A perda gradativa da supremacia econômica dos Estados Unidos sugere que o dólar poderá, em futuro não tão distante, ser substituído por outra moeda. Esse tema foi objeto de um interessante livro - Exorbitant Privilege - publicado no início deste ano pelo professor da Universidade de Berkeley Barry Eichengreen.

O euro, que poderia substituir o dólar em suas funções nas transações internacionais, vive atualmente sob grande estresse. Diante do agravamento da crise e do risco de sua propagação para outros países europeus, não é absurdo supor que um dos cenários possíveis será o rompimento do acordo de moeda comum - o fim do euro. A Inglaterra não o adotou e a Alemanha e a França terão dificuldades em assumir, sozinhas, o ônus da crise de outros países da comunidade europeia apenas para salvar sua moeda única. Poderão, então, abandonar o euro.

No lado asiático, as possibilidades são poucas. O Japão vive um período de baixo crescimento, sua economia é relativamente pequena e sua política externa do pós-guerra nunca foi da busca de hegemonia, como assinalou Eichengreen.

Resta a solução vinda, desta vez, dos emergentes. A China, em expansão, deverá nos próximos 20 anos ter sua economia equiparada em tamanho à americana. Contudo, a fragilidade de sua estrutura financeira e seu regime político não favorecem a aceitação do yuan como moeda nas transações comerciais e financeiras internacionais.

O Brasil é uma democracia consolidada, o real está forte e a economia brasileira está em expansão, com um pujante mercado interno e um sistema financeiro consolidado. Então, Poprichin, o dedicado funcionário público do Diário de Um Louco, voltaria a dizer: "A Espanha já tem um rei... Esse rei sou eu".

Não vamos cair em tentação, mas sim cair na real. Nos anos 70, o governo militar nos legou uma crise muito maior do que aquela que teríamos tido se não tivéssemos, à época, acreditado que o Brasil era uma ilha de prosperidade. É hora de cautela, humildade e austeridade na gestão da economia para enfrentar as ameaças externas. Dessa crise os emergentes não estão protegidos. Vamos deixar as fantasias para os contos e os loucos.
 
Fonte: O Estado de São Paulo - SP - 23/07/2011
Editoria: Economia e Negócios - pag. B2
O Brasil aproveita da crise e avança no ranking mundial de competitividade em 2009

Por Carlos Arruda e Marina Araújo[1]

O World Competitiveness Yearbook (WCY), preparado pelo IMD com o apoio da Fundação Dom Cabral, vem servindo, desde fins dos anos 80, como um importante indicador das principais vantagens e desvantagens competitivas enfrentadas por 57[2] países. O WCY é uma ferramenta de análise da capacidade de um país em prover um ambiente no qual as empresas possam competir (eficientemente) e crescer. Entre os dez primeiros colocados no ranking há poucas surpresas. O único destaque foi a volta da Finlândia ao grupo de países mais competitivos e a queda de sete posições de Luxemburgo que se deslocou da 5ª para a 12ª posição.

Nesse cenário turbulento de crise, alguns países conseguiram galgar novas posições competitivas ou, então, houve aqueles que não se sustentaram frente ao “vendaval” econômico vivido nos últimos meses de 2008 e no primeiro quadrimestre de 2009. Entre os países que mais perderam está a Estônia que apresentou uma perda de 12 posições (35ª posição). Em seguida estão Grécia, Colômbia e Taiwan com 10 posições perdidas, Romênia perda de 9 posições e Luxemburgo, Hungria, Irlanda e Jordânia com perdas de 7 posições. Por outro lado, países com Indonésia, África do Sul, México e Brasil destacaram-se em 2009 por ganhar novas posições e apresentar melhora em suas estruturas competitivas. Já os Estados Unidos, epicentro da crise, se manteve na primeira colocação do ranking no geral e no ranking de desempenho econômico. Apesar da queda da taxa de crescimento real do PIB e aumento do déficit publico a manutenção dessa posição foi ancorada na intensidade de suas relações comerciais e de investimento; além de poder contar com a qualidade de sua infra-estrutura básica, científica e tecnológica.  

No relatório de 2009 o Brasil volta a ganhar posições no ranking geral (da 43ª posição para 40ª posição) acumulando um ganho de nove posições relativas nos últimos dois anos. Assim como em 2008, as variáveis macroeconômicas e o ambiente empresarial foram os principais responsáveis por este significativo ganho de competitividade. Apesar da crise financeira e econômica mundial, variáveis básicas da economia apresentaram melhoras, como a manutenção do crescimento real do PIB em 5,2%. Na contra-mão deste crescimento, as perdas causadas pelo aumento do desemprego e da desvalorização cambial resultaram em perda de posições importantes no sub-fator emprego e preços. Perdas importantes mas não suficientes para impactar o ganho de 10 posições que o país apresentou em sua base econômica que o ajudaram a subir no ranking geral.

O alicerce da recuperação competitiva está no crescimento da posição absoluta e relativa do país em três dos quatro pilares analisados. Os destaques foram os pilares Eficiência dos Negócios, que apresentou o seu melhor desempenho nos últimos 5 anos (27ª posição), e Performance Econômica, que volta a ocupar o 31º lugar (mesma posição de 2005). Como exaustivamente defendido pelos pesquisadores do Núcleo de Competitividade da FDC, o setor empresarial é um dos grandes responsáveis pelo grau de competitividade do país bem como pelo seu bom desempenho frente a outras economias no mercado internacional. O que tem compensado a baixa performance dos pilares Eficiência do Governo que ocupa agora a 52ª posição e do pilar Infra-estrutura, que apesar do ganho de quatro posições ocupa ainda a 46ª posição entre os 57 países analisados. Esse avanço sugere uma possível efetividade dos planos do governo na recuperação da infra-estrutura básica do país.

Os ventos sopram favoravelmente tanto para o presente quanto para o futuro da competitividade Brasileira. No novo indicador lançado pela instituição o Brasil apresentou-se como a 22ª nação com maior capacidade de resiliência econômica. Nesse indicador o país esta à frente de nações como Alemanha (24º lugar), Japão (26º), USA (28º), Reino Unido (34º) e França (44º) e, pela primeira vez, após anos de criticas ao posicionamento mais conservador das políticas econômicas do país, o Brasil parece estar mais bem preparado para enfrentar esse momento de crise econômica global. Com um setor empresarial forte, um sistema financeiro rigoroso e políticas econômicas baseadas na formalização ortodoxa de forte controle inflacionário e dos níveis de dívida externa, o Brasil pode sair menos afetado pela crise do que nações como Alemanha e Japão. Mesmo assim, o país não sairá ileso. As empresas, principalmente as mais internacionalizadas, perderam em vários sentido. Seja no seu valor patrimonial (afetado pelas fortes perdas do mercado de capitais), seja pela queda da produção promovida pela forte redução do consumo global, seja na falta de crédito para investimentos e operações de longo prazo. A importante ressalva nesse ponto é que todas essas conseqüências observadas na economia real são conseqüências de uma crise financeira e de expectativas. 

 



[1] Equipe responsável pelos estudos de Competitividade da Fundação Dom Cabral, contato: Marina Araújo, marinaaraujo@fdc.org.br

[2] Em 2009 o Qatar e o Cazaquistão entraram no estudo ocupando a 14ª e 36ª posições respectivamente.

Competitividade na América Latina
Por Carlos Arruda - Professor da Fundação Dom Cabral
 
Apesar de apresentarem dinamismo industrial e uma economia internacionalizada, os países da América Latina não conseguem enfrentar solidamente seus problemas sociais. Os governos da região foram marcados pelo populismo e pelo autoritarismo durante a segunda metade do século XX, carecendo de políticas públicas capazes de alterar substancialmente a estrutura socioeconômica da população. As políticas adotadas por esses regimes possuíam dois principais objetivos: proteger o trabalhador assalariado, persuadindo-o a conferir sustentação ao regime autoritário, e apoiar a consolidação de grupos sociais com a capacidade de demandar os novos bens manufaturados nacionais. Após a transição democrática dos anos 80 e 90, o apoio a regimes autoritários passou a não fazer mais sentido. No entanto, o emprego dado por muitos governantes esquerdistas a políticas semelhantes remetem ao populismo, por serem utilizadas por motivos eleitoreiros. A consolidação de um mercado interno também perdeu sua importância no contexto da globalização. Atualmente, países com uma economia aberta e com a pauta de exportação geograficamente diversificada são capazes de desfrutar da entrada de uma enorme população consumidora de países como China e Índia.

O gargalo social da América Latina salta à vista quando comparamos o continente com regiões do globo em que mudanças estruturais vêm sendo realizadas. Apesar de a educação básica ter sido universalizada em grande parte dos países dos quais este texto trata, a qualidade do ensino ainda deixa muito a desejar como revelam os resultados do exame PISA. Outra tendência é de saltar o próximo passo nesta área que seria a universalização do ensino médio. A maioria dos países prefere investir mais no ensino superior que traz resultados econômicos em um tempo menor. Enquanto isso, a China, que possui uma desigualdade social maior que os países latino-americanos ranqueados pelo IMD, conseguiu avançar mais e em um tempo mais curto do que qualquer um destes países educacionalmente.

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