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Gestão de Carreiras

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Características do Trabalho Atraente

 

 

 

Carlos Gustavo Fortes Caixeta,
professor convidado da FDC.


O ambiente interno inadequado, líderes fracos e a falta de treinamento são as principais razões para se deixar um emprego, de acordo com uma recente pesquisa da Quorum Brasil.

O pouco conhecimento de outros idiomas, desde que o profissional posteriormente se empenhe nesse sentido, não parece ser um grande problema para a contratação em diferentes níveis. A exigência é comum apenas para profissionais de nível superior e cargos de alta gerência e diretoria e, atualmente, há menos dificuldade em encontrar profissionais com este requisito.

O novo papel do executivo exige uma ênfase maior na sua capacidade de liderança e articulação. Também é importante saber se comunicar, antevir cenários, decidir estrategicamente, ser flexível e se adaptar rapidamente às mudanças do contexto.

Muitas empresas estão investindo no desenvolvimento gerencial, em serviços especializados de coaching ou treinamento para seus gestores serem capazes de assumir novos e maiores desafios.

Os profissionais competentes são movidos principalmente por boas oportunidades. Querem desafios que chamem a atenção pela complexidade dos projetos, gerando desenvolvimento, aceleração das competências e networking.

 

Aprendizado e Preparação

Carlos Gustavo Fortes Caixeta
,
professor convidado da FDC.


Se você quer aproveitar as oportunidades para se desenvolver profissionalmente, esteja atento a todos os movimentos do mercado e planeje estrategicamente sua carreira. Como uma empresa, você terá que entregar valor e resultados ao mercado de trabalho.

As empresas valorizam o profissional proativo e capaz de desenvolver uma postura empreendedora, marcada pela criatividade, organização e capacidade de execução, habilidade para trabalhar em equipe, visão de futuro, coragem para assumir riscos e facilidade de comunicação e de integração.

O profissional deve ter ainda facilidade para entender e participar das estratégias corporativas, da gestão dos processos, dos projetos envolvendo clientes, ações de marketing, vendas e redução dos custos e despesas. Precisará também dominar a linguagem econômica e os jargões comumente usados para tratar dos resultados desejados pelo mercado.

Converse com especialistas e consultores de sua confiança. Participe de palestras e faça cursos rápidos sobre os temas indicados. Invista numa boa especialização e atualização profissional, reaqueça urgentemente o seu networking... Lembre-se sempre que a sorte é seletiva, ela sempre aparece para quem está preparado.

 

Insatisfação no trabalho


Por Ássima Ferreira,
professora associada da FDC.

Você conhece alguém que está insatisfeito com o trabalho? Sabe aquelas pessoas que não encontram prazer na profissão, sentem-se infelizes, vêem apenas os aspectos negativos da vida, vão trabalhar todos os dias desanimadas ou acham a rotina da empresa em que atuam um verdadeiro martírio?

 

O melhor é ter um bom planejamento, definindo metas e objetivos e traçando estratégias para as mudanças que, certamente, virão.

 

Embora tenha sido comum encontrarmos indivíduos nesta situação, vale ressaltar que o futuro é pouco promissor para elas tanto na empresa em que trabalham quanto para sua própria carreira. Afinal, nenhuma empresa quer reter profissionais insatisfeitos ou pouco motivados. Além disso, tal comportamento pode acabar se estendendo a outros aspectos da vida das pessoas, minando sua energia e trazendo dificuldades também para os relacionamentos afetivos.

Bem, se você acha que precisa reagir e mudar a maneira como percebe ou tem se envolvido com seu trabalho, saiba que é possível rever sua vida profissional e, ainda, seus relacionamentos afetivos. Nesse processo, é fundamental que você invista no autoconhecimento.

É preciso descobrir o que pode lhe proporcionar maior realização profissional. Ou seja, buscar conhecer com mais profundidade seus desejos, suas competências e identificar atividades que lhe proporcionam prazer, poderão contribuir para que você se sinta mais feliz e tenha um desempenho diferenciado.

Por outro lado, é preciso ter consciência de que as organizações não são perfeitas. Nesse sentido, deve-se procurar empresas que tenham políticas e práticas de gestão compatíveis com seus valores ou com aquilo que você considera importante profissionalmente.

Além disso, todos nós temos uma possibilidade que, em várias situações, não sabemos como aproveitá-la: a capacidade de fazer escolhas. Cabe a nós mesmos tomar decisões sobre a trajetória que queremos percorrer em nossa vida e promover as mudanças necessárias em determinados momentos.

Muitas vezes, não é preciso necessariamente mudar de empresa, mas pode-se, por exemplo, procurar exercer novas funções ou atividades ou, ainda, repensar seus objetivos e metas. Novos desafios, provavelmente, levarão ao crescimento profissional e ao desenvolvimento da carreira.

De qualquer forma, é fundamental buscar um equilíbrio no tempo dessas mudanças. Não é possível passar uma vida inteira insatisfeito, sempre dizendo: “eu dependo financeiramente deste emprego, tenho medo de sair e nunca estarei livre”. Assim como não há lugar para a impulsividade e para tomar decisões quando se está tomado por fortes emoções: “não agüento mais esta empresa! Amanhã não volto mais aqui!”.

O melhor caminho é fazer um bom planejamento de vida, definindo metas e objetivos e traçando estratégias para as mudanças que inevitavelmente virão em sua busca pela felicidade e realização profissional. E, como essas mudanças de postura terão reflexos também na sua vida pessoal, procure se conhecer identificando com clareza o momento atual de sua vida e o porquê de tomar este ou aquele rumo. Em outras palavras, as mudanças também exigem planejamento, inclusive com um cronograma financeiro para que você tenha o suporte necessário até alcançar o seu objetivo. Uma guinada profissional pode implicar, por exemplo, em uma reciclagem acadêmica ou na busca de novas habilidades. Para isso uma reserva financeira é fundamental.

O importante é não deixar sempre para depois a decisão por mudar. Não encarar a necessidade de mudança quando se está insatisfeito pode trazer prejuízos ainda maiores, pois você acaba ficando acomodado, obsoleto e, sobretudo, infeliz.

Fonte: Revista Guia Pessoal Finanças - SP (Economia) | Publicado em: 03/12/2010

Entre Duas Vidas: dilemas de um executivo contemporâneo
Por Ricardo Carvalho, professor e pesquisador da Fundação Dom Cabral
 
Com que roupa estou vestindo agora meu Eu? A dúvida se instala quando não sei mais quem sou entre meu Eu Corporativo e meu Eu Pessoal. Os papéis se misturaram entre tantas solicitações. Aqui considerando sobretudo a demanda do ego que nos convida à ilusão de nos confundirmos com aquilo que temos. Sou aquilo que represento, a empresa e o papel corporativo que sou obrigado a vestir todas as manhãs?
 
Em tempos de carnaval é preciso saber distinguir entre a fantasia e a vida real. O que é real? Nada mais real do que ser autêntico nos parece indicar a bula para vivermos neste mundo cada vez mais artificial. Mas então me pergunto: serei aceito como sou? Eis a questão dilemática daquele que fez da Persona (máscara da comédia grega/ representação) seu modus-operandi.. No entanto, um dia a máscara cai ou não suportamos mais usá-la.
 
Fato que as pessoas confiam mais naqueles que passam credibilidade por meio do exemplo e, se a confiança é a palavra chave para conseguir equipes de alta performance, logo ‘Ser’ verdadeiro, neste mundo cada vez mais sedento de ética, parece estar na moda.
 
Contudo, ser verdadeiro consigo mesmo não é fácil! Esta atitude significa enfrentar limites e baixar a bola de uma certa onipotência que o “Eu Corporativo” tende a alimentar. Exige escolhas e renúncias muitas vezes dolorosas. O nosso compromisso, afinal, é conosco ou com o que os outros querem de nós?
 
Por outro lado, se essa clivagem do Eu é razão para alcançar as metas, as pesquisas em neurociências têm demonstrado justamente o contrário; estar plugado o tempo todo (no Eu Corporativo, no virtual, no palm e no laptop) cria uma espécie de síndrome da atenção difusa. Ou seja, o sujeito presta atenção em tudo e acaba não focando em nada. A overdose de estímulos nos entorpece e retarda nossa capacidade de análise.
 
Hoje, a intensidade do trabalho é exponencial. Levar trabalho para casa virou rotina no mundo executivo. Desta forma, não há Eu Pessoal que se sustente. Um certo distanciamento do Eu Corporativo faz com que ‘ele’ venha a funcionar melhor. Recarregar a bateria é necessário. Será que a falta de férias razoáveis — que parece se alastrar no mundo corporativo — no Japão intensifica o fenômeno da “implosão interna chamada de “Karouchi” ou “Burn-out”? Não perca mais tempo: aproveite para “voltar’ para o Eu Pessoal sem medo de ser feliz. Ou o famigerado estresse pode bater na sua porta e as consequências podem ser até fatais. Em outras palavras: sufocar o Eu Pessoal em prol do Eu Corporativo tem um custo altíssimo para a corporação e para nós mesmos.
 
Tirar férias do Eu Corporativo faz com que ‘ele’ se fortaleça e retribua trazendo resultados mais consistentes e eficazes. O Eu Pessoal agradece, pois afinal são irmãos e interdependentes. Algo porém pode ser o norteador em busca de um certo equilíbrio dessas “Duas Vidas”: o conjunto de valores que estabelecemos para nós mesmos. Como toda corporação tem sua missão e seus valores, devemos também estabelecer o mesmo. Isto feito fica mais clara a base de sustentação de nossos papéis e o equilíbrio que temos que ter entre eles.

Para finalizar, voltemos à epígrafe deste texto, e pensemos como Sócrates: “a Ética pode ser entendida como uma certa maneira de ser claro consigo mesmo” . Ser claro consigo mesmo é um comportamento ético, ainda que muitas vezes não seja tão atraente assim se olhar no espelho.
A questão dos erros no trabalho
Por Dayse Carnaval, professora associada da Fundação Dom Cabral
 
Lidar com o erro é, sem dúvida, uma das maiores dificuldades que as pessoas têm, tanto na vida pessoal como na profissional. Como geralmente, não conseguimos refletir sobre nossos próprios erros, também não conseguimos perceber que é possível aprender importantes lições a partir deles.
 
Geralmente, isso ocorre porque o ser humano é por demais perfeccionista e o erro pode diminuí-lo perante a família, os amigos ou os colegas de trabalho. Nesses casos, o erro torna-se um grande gerador de medo, fazendo com que o indivíduo crie bloqueios e passe a encontrar, de forma crescente, dificuldades para ser criativo, inovar ou tomar atitudes que fogem ao senso comum.
 
No universo corporativo, há ainda uma segunda questão que acaba agravando o problema: quando as pessoas não aceitam seus próprios erros, elas também tendem a ter certa resistência em aceitar as dificuldades dos outros. E é justamente, no ambiente de trabalho que esse quadro se torna mais grave, já que as relações são ainda mais complexas devido às hierarquias de cargos e funções.
Assim, se um funcionário tem como gestor uma pessoa com dificuldade de conviver com os próprios erros, muito provavelmente ele também terá muitos entraves para lidar com os problemas das pessoas de sua equipe.
 
No entanto, vale lembrar que todo erro de um membro de uma equipe é também responsabilidade do líder ou do gestor do grupo, afinal ele é co-responsável pelo que acontece. Se algo não saiu como deveria é porque, provavelmente, faltou treinamento, orientação ou mesmo desenvolvimento adequado de processos ou atividades.
 
Portanto, para ser um profissional bem sucedido nas organizações, tendo chances de desenvolver uma carreira promissora, é fundamental perder o medo de errar. Caso contrário, você se tornará cada dia mais dependente e inseguro, tal como aquele colega de trabalho que fica todo o tempo perguntando o que os outros acham do que ele fez ou deveria fazer.
 
Para superar o medo de errar, é preciso considerar, antes de tudo, que o erro é algo normal e que todos podem cometê-lo. Por outro lado, deve-se também avaliar o tamanho do erro que se pode cometer, porque há situações em que um erro pode acarretar perdas irreversíveis.
 
Na maioria das situações, o erro decorre de tentativas de inovar, de melhorar processos e, até mesmo, de se sair da mesmice. Nesses casos, devemos valorizar os que se arriscam. Lembrando sempre que situações de riscos também envolvem o que chamamos de erros honestos, ou seja, o erro que advém da boa intenção.
 
Empresas sintonizadas com os desafios das organizações no atual contexto global devem aprender a tolerar o erro, incentivando a criatividade e a ousadia para se propor novas idéias. E, para se produzir o novo e aprimorar processos é preciso dar autônima, arriscar e questionar convicções.
 
Se errar é humano, não se deve persistir no erro. Aquele que está sempre se desculpando e procurando justificativas para seus erros não é, definitivamente, um bom candidato a ter grande reconhecimento profissional.
 
Tempo e Produtividade
Por Carlos Gustavo Caixeta, professor convidado da Fundação Dom Cabral
 
 Como lidar com as centenas de e-mail por dia? O assunto tem de estar bem claro na mensagem, pois cada minuto perdido atrapalha o resto da semana. O melhor é não abrir e-mails a todo o momento. Defina dois horários por dia para essa tarefa. E lembre bem, não há nada mais chato que piadinhas e excesso de intimidade no ambiente corporativo...

Como organizar reuniões bem planejadas? Marque o horário de início e término da reunião, bem como o assunto e a responsabilidade de cada um que participará da reunião. Se possível avise com uma semana de antecedência, para todos se programarem. Ao final registre todas as ações que foram decididas, os responsáveis pela implementação e os prazos onde darão retorno sobre essa implementação. A próxima reunião precisa retomar os resultados alcançados.

Como manter a equipe motivada? Comece a semana com uma interação em equipe, onde todos devem participar, apresentando os resultados da semana anterior e alinhando as ações da semana que inicia... O reconhecimento do desempenho positivo da equipe é fundamental. Se algo deu errado isso deve ser encarado como aprendizado e melhoria, definindo ações para corrigir e obstinadamente conduzir os resultados para o caminho desejado.

 
Como manter a implementação da estratégia? Pelo menos uma vez por mês o gestor precisa convocar a chamada “reunião da execução estratégica”, onde cada diretriz estratégica precisa ser analisada, por meio do seu indicador de desempenho, juntamente com seus responsáveis e apoiadores. Ações de correção e melhoria da performance, bem como de padronização da eficiência fortalecerão a implementação estratégica. É preciso lembrar sempre que a empresa é aquilo que ela mede e recompensa...
Lições da crise
Por Carlos Gustavo Caixeta, professor convidado da Fundação Dom Cabral
 
 Todo profissional que deseja ter uma carreira promissora deve estar atento às oportunidades de crescimento e aperfeiçoamento presentes no mercado. Porém, não é só nos momentos aparentemente favoráveis que profissionais perspicazes e organizações com boa visão de gestão e do futuro conseguem aproveitar boas oportunidades.

Hoje, não resta dúvidas de que os solavancos da recente crise econômica foram muito positivos para o despertar empresarial, na direção de mudanças para o fortalecimento dos negócios e construção da confiança com seus atuais e potenciais clientes. Talvez uma das maiores aprendizagens que podemos extrair deste contexto é que os profissionais precisam estar dispostos a colocar em prática um processo contínuo de questionamento e autodesenvolvimento.
É preciso compreender que o presente e o futuro são construídos a partir dos aprendizados do passado e da incansável vontade de fazer a cada dia melhor, de entregar mais valor e satisfação não só aos clientes, mas a todos os envolvidos com os bons resultado da empresa. Assim, a melhor maneira de combater a crise é estreitar os laços de confiança com todos os públicos que, de alguma forma, estão relacionados ao sucesso do negócio – os chamados stakeholders.

A empresa também precisa entender onde pode ser mais eficiente e fazer uma boa gestão de custos e processos. Um bom começo é desenvolver a consciência sobre seus problemas e capacidades competitivas, o que tem de forte e o que precisa ser melhorado (“áreas de oportunidade”) em todos os setores. Para isso, precisa fazer uma discussão estratégica lúcida para construir o futuro com base nas experiências acumuladas.

Nesse contexto, a percepção positiva em torno da marca é importantíssima, bem como a confiança característica da boa reputação, construída nos menores contatos com todos os stakeholders, onde todos da empresa são os responsáveis diretos por esse resultado. Agir com coerência e consistência, alinhando a prática ao discurso corporativo, é fundamental para construir e manter uma boa reputação ao longo do tempo.

A reputação é uma blindagem competitiva, pois ela constrói um elo importante entre a empresa e todos que com ela se relacionam baseados na admiração, confiança e estima. Dessa forma, atualmente, apenas o desempenho econômico não é capaz de garantir uma boa reputação... A crise nos mostrou a fragilidade de grandes corporações diante de um cenário de queda na confiança e incertezas sobre o futuro. As empresas que investiram no fortalecimento de sua reputação corporativa certamente sofrerão menos e se recuperarão mais rápido.

Se você quer, portanto, aproveitar as oportunidades para se desenvolver profissionalmente, esteja atento a todos os movimentos do mercado e planeje estrategicamente sua carreira. Tal qual uma empresa, você terá que entregar valor e confiança ao mercado de trabalho. Nesse sentido, perseverança, trabalho árduo e disciplina são imprescindíveis para qualquer realização. Genialidade sem “mão na massa” dificilmente gera resultados duradouros. Como dizia Einstein: “o sucesso é fruto de 10% de talento (inspiração) e de 90% de suor (transpiração)”.
Insatisfação no trabalho

Por Ássima Ferreira, professora associada da Fundação Dom Cabral

Você conhece alguém que está insatisfeito com o trabalho? Sabe aquelas pessoas que não encontram prazer na profissão, sentem-se infelizes, vêem apenas os aspectos negativos da vida, vão trabalhar todos os dias desanimadas ou acham a rotina da empresa em que atuam um verdadeiro martírio?

Embora tenha sido comum encontrarmos indivíduos nesta situação, vale ressaltar que o futuro é pouco promissor para elas tanto na empresa em que trabalham quanto para sua própria carreira. Afinal, nenhuma empresa quer reter profissionais insatisfeitos ou pouco motivados.  Além disso, tal comportamento pode acabar se estendendo a outros aspectos da vida das pessoas, minando sua energia e trazendo dificuldades também para os relacionamentos afetivos.

Bem, se você acha que precisa reagir e mudar a maneira como percebe ou tem se envolvido com seu trabalho, saiba que é possível rever sua vida profissional e, ainda, seus relacionamentos afetivos. Nesse processo, é fundamental que você invista no autoconhecimento.

É preciso descobrir o que pode lhe proporcionar maior realização profissional. Ou seja, buscar conhecer com mais profundidade seus desejos, suas competências e identificar atividades que lhe proporcionam prazer, poderão contribuir para que você se sinta mais feliz e tenha um desempenho diferenciado.

Por outro lado, é preciso ter consciência de que as organizações não são perfeitas. Nesse sentido, deve-se procurar empresas que tenham políticas e práticas de gestão compatíveis com seus valores ou com aquilo que você considera importante profissionalmente.

Além disso, todos nós temos uma possibilidade que, em várias situações, não sabemos como aproveitá-la: a capacidade de fazer escolhas. Cabe a nós mesmos tomar decisões sobre a trajetória que queremos percorrer em nossa vida e promover as mudanças necessárias em determinados momentos.

Muitas vezes, não é preciso necessariamente mudar de empresa, mas pode-se, por exemplo, procurar exercer novas funções ou atividades ou, ainda, repensar seus objetivos e metas. Novos desafios, provavelmente, levarão ao crescimento profissional e ao desenvolvimento da carreira.

De qualquer forma, é fundamental buscar um equilíbrio no tempo dessas mudanças. Não é possível passar uma vida inteira insatisfeito, sempre dizendo: “eu dependo financeiramente deste emprego, tenho medo de sair e nunca estarei livre”. Assim como não há lugar para a impulsividade e para tomar decisões quando se está tomado por fortes emoções: “não agüento mais esta empresa! Amanhã não volto mais aqui!”.

O melhor caminho é fazer um bom planejamento de vida, definindo metas e objetivos e traçando estratégias para as mudanças que inevitavelmente virão em sua busca pela felicidade e realização profissional. E, como essas mudanças de postura terão reflexos também na sua vida pessoal, procure se conhecer identificando com clareza o momento atual de sua vida e o porquê de tomar este ou aquele rumo.

Em outras palavras, as mudanças também exigem planejamento, inclusive com um cronograma financeiro para que você tenha o suporte necessário até alcançar o seu objetivo. Uma guinada profissional pode implicar, por exemplo, em uma reciclagem acadêmica ou na busca de novas habilidades. Para isso uma reserva financeira é fundamental.

O importante é não deixar sempre para depois a decisão por mudar. Não encarar a necessidade de mudança quando se está insatisfeito pode trazer prejuízos ainda maiores, pois você acaba ficando acomodado, obsoleto e, sobretudo, infeliz.

A importância de saber dizer "não"
Autor(a): Rijane Mont´Alverne, Professora convidada da Fundação Dom Cabral
 
Quantas vezes na vida você relutou diante da necessidade de dizer um “não” para alguém? Com os filhos, pais, amigos e, principalmente, com o chefe ou um subordinado no local de trabalho? Geralmente, é sempre mais fácil e agradável dizer ou ouvir um “sim”, pois implica aceitação ou possibilidade de você ser querido, prestigiado e, por que não, admirado. Por sua vez, o não representa a rejeição, o mal- estar e a negação diante de inúmeras situações.
 
Essa questão é tão presente na cultura brasileira que muitas pessoas dizem sim mesmo em momentos em que deveriam ou queriam dizer não. Imagine uma situação comum: você é convidado para um evento e, mesmo tendo a certeza absoluta de que não vai, acaba dizendo um sim, que mais tarde será substituído por uma desculpa qualquer, para evitar o mal-estar de dizer não. O não, muitas vezes, pressupõe uma rejeição com a qual é difícil conviver.
 
Nas últimas décadas, as famílias abandonaram antigos padrões de comportamento que eram marcados por características mais autoritárias. Assim, a nova geração de gestores trouxe novas práticas para as organizações. Além disso, o próprio dinamismo do mercado mudou, valorizando o capital intelectual e exigindo que os profissionais atuem conjuntamente em busca de soluções diferenciadas e inovadoras.

Mas são as pessoas que não estão prontas para falar não ou elas preferem não ouvi-lo? Por um lado, mesmo com as mudanças de comportamento das novas gerações, isso não quer dizer que todas as pessoas estejam preparadas para as negativas, apesar de muitos profissionais buscarem cursos que os ensinem a ser bons gestores, incluindo habilidades para negociar e dar retorno.
 
Por outro lado, é preciso coragem e saber dizer não, especialmente em ambientes profissionais, nos quais as relações são muito complexas. Dizer sim é mais seguro, confortável e valorizado do que contra-argumentar, questionar, divergir e avaliar outras possibilidades. É possível dizer não com habilidade, educação e firmeza aos colegas, aos subordinados e, inclusive, ao chefe.
 
Para dizer não é preciso, sobretudo, que se apresente uma argumentação consistente de tal forma que se mantenha o respeito e a confiança conquistados na organização. Até mesmo porque dizer sim a todas as solicitações também pode acarretar problemas.
 
Mas, ao negar um pedido, é preciso avaliar as prioridades da empresa, considerando aquelas de maior relevância em relação às demais atribuições ou aquelas que se apresentam como desafios para o desenvolvimento de novas competências. Deve-se ainda abrir espaço para diálogo e propor soluções e alternativas para a questão.

A forma de lidar com a negativa depende, inevitavelmente, do perfil do gestor e da cultura da organização. Dessa forma, é fundamental conhecer o modo de pensar do gestor, reconhecendo o melhor momento para negar um pedido e prever possíveis reações em situações adversas, buscando uma estratégia para se posicionar.
 
Ao receber uma negativa, o profissional não deve entendê-la como julgamento pessoal ou uma desqualificação. Basta explicar de maneira clara para que se compreenda a razão da negação. O contrário também é válido: o sim pode vir acompanhado de um elogio: “Sim, afinal, você merece!”.
É preciso tomar cuidado para evitar aquelas situações quando se diz sim “com cara” de não, atenuando e tendendo a relativização do não, ou seja, substituí-lo por “talvez”, ”quem sabe”, “vamos ver”, “volte amanhã”, “talvez seja possível”. Dessa forma, você acaba se posicionando de uma maneira que, na verdade, não denota o que gostaria realmente de dizer ou expressar.
 
Nesse contexto, não existem verdades absolutas ou respostas definitivas. Como regra geral, vale a dica mais simples: o ideal é falar não quando se quer dizer não e, sim, quando é.
Novos conceitos e reflexões sobre o trabalho

por Ricardo Carvalho*

*Professor da Fundação Dom Cabral.

 

O Dia do Trabalho é uma oportunidade propícia para refletirmos um pouco sobre os novos conceitos que o termo “trabalho” passa a incorporar na sociedade contemporânea. Porém, é preciso ressaltar que a expressão vai muito além da questão do emprego em si, mas abrange aquelas atividades que tem como objetivo, geralmente, produzir alguma coisa de útil.

 

A própria filosofia já define o trabalho como a via real da realização do ser humano na Terra. Desde os primórdios, o homem transforma os mais diversos instrumentos em ferramentas e passa a cultivar a terra e produzir, criando diversas culturas até os avanços da época atual. Nesse sentido, o trabalho exerce um papel fundamental na vida das pessoas e no desenvolvimento das sociedades

 

Ao longo de centenas de anos, desenvolvemos vários modos de produção até que, nos últimos dois séculos, houve uma atrofia das esferas do trabalho e do Estado indiretamente proporcional a uma hipertrofia da esfera do capital. Mais recentemente, ocorre um grande descolamento entre o capital produtivo e o capital financeiro – fato responsável, inclusive, pela atual crise mundial.

 

É nesse contexto mais amplo que se deu a evolução dos mercados e das relações de trabalho, sendo que o trabalho deve ser visto como um fenômeno relacionado também à realização pessoal. É preciso considerar ainda o valor gerador e a utilidade do produto do trabalho já que é por meio dele que o indivíduo se insere no mundo, definindo-se, exercendo seus talentos e desenvolvendo seu potencial. Em outras palavras, é através do trabalho que o indivíduo prova sua existência, se reconhece e é reconhecido.

 

Não restam dúvidas de que a nova geração que chega ao mercado vem com conceitos bastante distintos das anteriores em relação ao trabalho. Já intitulada Geração Y – para se diferenciar da anterior (a geração X), esses novos profissionais estão focados no desenvolvimento de sua carreira, visando o sucesso profissional, que vai muito além da garantia do emprego e de um determinado nível salarial.

 

Trata-se de uma geração que não tem expectativas idealizadas em relação à empresa em que trabalha e, por isso, não vê empecilhos em mudar de emprego. São profissionais que não se importam em trabalhar muito, mas querem equilibrar satisfação no trabalho com qualidade de vida pessoal.

 

Contudo, não se pode deixar de registrar alguns problemas e dificuldades criadas por esses profissionais que chegam ao mercado de trabalho. Essa geração não tem senso de coletividade e nem preocupação com o relacionamento interpessoal – até porque esses valores não ganham aderência na sociedade virtual que assume grandes proporções.

 

Porém, por outro lado, a humanidade caminha para um relacionamento que leva em consideração a consciência planetária, na perspectiva de um mundo interligado e conectado em redes humanas e tecnológicas. É nesse mundo, que a compreensão do sentido do trabalho pode se tornar um importante fator de vantagem competitiva, já que o senso de pertencimento e reconhecimento a algo que de fato tenha utilidade e contribua para a sociedade pode promover o desempenho e a eficácia profissional, assegurando, inclusive, a perenidade das organizações.

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