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Empresa: Take
Cargo: Diretor de Desenvolvimento de Novos Negócios
Turma: 35

Philemon Mattos trabalha há 11 anos na área de serviços digitais. É engenheiro mecânico, tem um mestrado em Desenvolvimento de Produto, um MBA pela Fundação Dom Cabral e atualmente faz especialização em Inovação e Empreendedorismo em Stanford, EUA. Durante essa trajetória, desenvolveu 22 novos negócios no Brasil. Com tanta bagagem, Philemon adquiriu uma boa visão sobre a construção de carreiras sólidas e também sobre a construção de cenários, atuais e futuros. 


1.
Conte um pouco sobre sua trajetória pessoal e profissional.

Apesar do meu nome um pouco incomum, sou brasileiro, nasci no Rio Grande do Sul, mas cresci em Minas e fui adotado por São Paulo há oito anos. Sou o irmão mais velho de dois irmãos empresários nas áreas de varejo e automação. Me formei em Engenharia Mecânica na UFMG, com ênfase em Produção, em 2002. Depois fiz o Mestrado em Desenvolvimento de Produto também pela UFMG e MBA pela Fundação Dom Cabral em 2014. Agora estou cursando uma especialização em Stanford, EUA, na área de Inovação e Empreendedorismo.

Tenho 14 anos de experiência com serviços digitais e respiro empreendedorismo tecnológico há mais de 16 anos. Já trabalhei em incubadora, atuei em consultoria de gestão e desenvolvimento de produto, manufatura de produtos eletrônicos e morei 6 meses no Canadá e EUA estudando e trabalhando, por uma empresa que tinha matriz nos EUA e filial no Brasil. Há 11 anos, trabalho na área de serviços digitais na empresa Take.

Nesse caminho, já analisei e desenvolvi cerca de 25 novos negócios nos últimos anos. Atualmente sou Diretor de Desenvolvimento de Novos Negócios da Take, Sócio do Fundo de Investimento Confrapar e empreendedor. Estamos trabalhando no Cubo, coworking do Itaú com a RedPoint, o fundo de investimento do Vale do Silício, que reúne as melhores startups de tecnologia do Brasil.

Gosto muito de viajar e já visitei 16 países. Também curto moto, contato com a natureza e conhecer novas culinárias, culturas e histórias de pessoas.

Saiba mais no Linkedin do Philemon Mattos


2.
Quais foram os fatores determinantes na sua bem-sucedida carreira? 

Se eu tivesse que elencar o principal, eu diria que foi o autoconhecimento. Quando eu estava para formar, um colega recebeu esse conselho do presidente do Citibank: invista no autoconhecimento. Só o autoconhecimento faz com que você saiba o que você quer, ajuda a entender quais são seus pontos positivos e negativos, quais você tem que alavancar e quais a trabalhar, ajuda a saber o que quer, o que gosta e não gosta, ter direcionamento de carreira e fazer escolhas de vida.

Outro ponto importante é saber escutar as pessoas: os clientes, o acionista e a equipe. Ter atitude (dor) de dono (1) também é um fator influenciador. Mesmo nos lugares em que eu não era o dono, eu agia como se fosse no meu próprio negócio. 

Um outro ponto é ter uma visão sistêmica, muito direcionada para oportunidades. Eu consegui gerar de valor para a minha carreira entendendo o ecossistema – aprendendo as peças do quebra-cabeça para saber moldar as melhores soluções, enxergando todos os lados das questões.

Bons mentores – eu tive pessoas importantes para me auxiliar e me aconselhar, como o orientador do mestrado, um cliente, um fornecedor, líderes, empresários de sucesso pessoas que me alimentaram com bons conselhos e visões diferentes.

Cultivar uma rede de relacionamentos positivos – uma rede que apoie, que compartilhe valores parecidos com os seus. Uma outra coisa que me ajuda muito, que não tem como não ter: energia, persistência e dedicação – ir além, dar o seu melhor. 

Investir sempre em formação técnica e combiná-la com a formação comportamental. O sucesso está no equilíbrio, como diria um mentor,  aliado a expandir e compartilhar o conhecimento técnico e o saber se conhecer e se desenvolver.

Ter um plano de vida – o que você quer alcançar? Mesmo que isso mude ao longo do tempo pois a vida não é linear, tem altos e baixos. Para não ficar patinando, para saber aonde vai e saber a resposta quando você se pergunta: porque eu estou fazendo isso? Saber em que tipo de caminho você está, se faz parte do seu plano, onde ele vai chegar e quais os cenários você vislumbra.



3.
Qual é o papel da educação executiva na vida dos profissionais de hoje?

É muito importante expandir a visão em 360o, não ficar só no técnico, mas ex
pandir o humano, o físico e o espiritual. O papel da educação executiva, não só no MBA ou em qualquer outra formação, é do desenvolvimento completo, não só da parte profissional, mas de tudo o que o ser humano pode ser de forma a realizar o seu potencial.


4.
Como você enxerga os próximos anos, para o seu setor e para o Brasil?

Eu entendo este momento que o Brasil está passando como a primeira vez que uma geração (a minha) está passando por uma crise tão grande. Isso está fazendo as pessoas desenvolverem uma resiliência muito grande, com um padrão diferente de comportamento, de questionamentos. Dessa forma, surgem muitas oportunidades, principalmente para as empresas de tecnologia, como formas de redução de custo, de ganho de eficiência e até de geração de receitas alternativas. Pelo lado social, é um movimento muito oportuno de tomada de consciência, do que é política, do que é importante para a sociedade. Estão falando de política, do que está acontecendo, do que cada um acredita. É um processo de transformação que está só começando. Estava na hora de uma renovação mesmo, uma renovação social, aproveitando que o momento é de informação, de circulação de informações, de muito diálogo, de reeducação da sociedade.

A área de telecomunicações é um segmento que cresceu exponencialmente nos últimos 10 a 15 anos. Ainda vamos ver muitas ações de fusões e aquisições, e também de Corporate Venture, que está chegando no Brasil com muita força (2). Eu vejo que o valor migrou para as redes, com uma tendência de colaboração muito forte. Também vejo que vamos avançar muito nas conexões, em breve vamos estar todos conectados: conversar com a geladeira, com seu carro, com a casa toda. Outra coisa que eu vejo de tendência são os serviços baseados na troca de mensagens, em diversas plataformas (SMS, Whatsapp, Telegram, Facebook Messenger etc), mas principalmente como chatbots (3) – robôs que automatizam a conversa entre clientes e empresas para venda, atendimento e entrega de conteúdo e serviço via plataforma de mensagens, com o intuito de reduzir custo, gerar novas receitas e melhoras a usabilidade/qualidade, pois as pessoas querem ser atendidas 24x7. Tudo isso faz com que as empresas conversem mais com os seus públicos, de forma automatizada, ganhando escala e qualidade no atendimento (4).

Poucas pessoas estão vendo algo que está acontecendo de forma silenciosa, mas que é muito forte: a digitalização das empresas, em especial nos setores financeiros, de saúde e educação. Entretanto, muitas áreas ainda não entraram nessa onda e isso vai ser uma mudança mais cedo do que esperamos. Podemos perceber isso na figura do CDO – Chief of Digital Office – executivo que vai trazer essa visão para o restante da empresa (5). Estão começando a surgir oportunidades para essa posição, junto com a percepção da importância da tecnologia na hierarquia da empresa. É um desafio muito grande conciliar o tradicional e o novo, dando prioridade e peso a toda a transformação digital que estamos vivendo. Essa posição, CDO, não vai ficar por muito tempo, pois vai ser tão transformadora para as empresas que vai mudar toda a estrutura a ponto da própria posição poder deixar de existir, sendo incorporada em todos os níveis da empresa.


Dicas do Philemon Mattos para aprofundar em alguns temas:

(1)
Vídeo sobre "Founder Mentality":
https://www.youtube.com/watch?v=wahdsez-fAk&list=PLn3AawD1OmvFJaXfNpUIMpX0OX_GT5bJX&index=12

(2)
Artigo sobre Corporate Venture em empresas de base tecnológica:
http://bgi.inventta.net/radar-inovacao/noticias/corporate-venturing/

(3)
Artigos sobre chatbots: 
https://chatbotsmagazine.com/the-complete-beginner-s-guide-to-chatbots-8280b7b906ca#.hz3bhabnv
http://www.economist.com/news/business-and-finance/21696477-market-apps-maturing-now-one-text-based-services-or-chatbots-looks-poised

(4)
Sobre os principais sistemas de troca de mensagens e o Case WeChat: 
http://a16z.com/2015/08/06/wechat-china-mobile-first/ 
http://chatbotsbrasil.take.net/os-poderosos-messengers-da-asia-quatro-cases-de-sucesso/

(5)
Sobre a tendência da criação da posição do CDO – Chief Digital Officer – para liderar a transformação digital nas empresas: 
​​
http://www.deloittedigital.ca/chief-digital-officer​


 

Comentários

Re: Entrevista: Philemon Mattos

Gostaria de parabenizar a FDC e o Phil pela entrevista. Foi bastante interessante verificar como o Phil vê os próximos anos (pos crise) e as transformações em curso, principalmente a transformação digital nas empresas e as oportunidades que ela gera.

Grande abraço,
Luis Resende
Luis Resende em  30/11/2016 17:55
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