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Fevereiro 08
50% das empresas alegam que os custos de distribuição urbana influenciam no preço final do produto

Estudo realizado pela Fundação Dom Cabral (FDC), melhor escola de negócios da América Latina segundo o ranking de educação executiva 2015 do jornal Financial Times, com a participação da Professora Leisle Kelli de Oliveira da UFMG, mapeia soluções para a melhoria e racionalização da distribuição urbana de mercadorias no Brasil. A pesquisa foi coordenada pelos professores Paulo Resende e Paulo Renato de Sousa do Núcleo de Logística, Supply Chain e Infraestrutura da FDC. Realizada no 2º semestre de 2016, a pesquisa teve participação de mais de 390 empresas brasileiras que representam em torno de 14% do PIB de 2015, sendo 157 indústrias, 124 do ramo de transportes e 112 do varejo. 

Indústria

O estudo foi aplicado em um mercado de atuação dividido em diversos ramos, como alimentação (20%), grande maquinário (10%), bebidas (8%), vestuário e calçados (5%), comércio eletrônico (1%), entre outros. Dentre os respondentes, 85% atuam na região Sudeste e 73% afirmaram que frequentemente conseguem entregar as mercadorias para seus clientes dentro do prazo estabelecido. 42% disseram verificar com alguma frequência rupturas no processo de distribuição dos produtos. Em relação ao formato de entregas, 59% terceirizam totalmente e 36% parcialmente, o que confirma a tendência crescente da terceirização como uma das soluções para os gargalos logísticos do Brasil. Segundo a pesquisa os custos de distribuição urbana são muito representativos no valor final de suas mercadorias para 50% dos ouvidos.  Além disso, 51% alegam manter uma boa relação de parceria com as transportadoras contratadas.

Transportes

Da amostra, 83% atuam na região Sudeste e 24% transportam alimentos, 18% bebidas e 15% vestuário e calçados. Da metade das empresas de transportes ouvidas (50%) utilizam softwares para roteirização, ressaltando que 23% programam suas rotas com base no conhecimento do motorista. Das transportadoras pesquisadas, 51% realizam entregas em estabelecimentos comerciais e 42% são realizadas das 8 às 14 horas. Em relação à distribuição nos centros urbanos, 73% entregam sempre (30%) ou frequentemente (43%) na região central das cidades, sujeitos a restrições de horários e tamanho dos veículos e 81% dos funcionários responsáveis pela área têm conhecimento sobre as políticas restritivas da circulação de caminhões no espaço. Já 72% ainda não realizam entregas por bicicletas, o que demonstra ainda o pouco uso desse tipo de transporte no Brasil. 

“As principais dificuldades relatadas são os congestionamentos, a falta de vagas para carga e descarga e a inadequação dessas vagas, a falta de segurança e problemas na entrega e esses entraves atrapalham a programação das entregas de 54% das empresas, sendo que isso ocorre frequentemente com 40% delas”, afirma o professor Paulo Resende. “Segundo os entrevistados, frequentemente isso influência o custo das operações e 70% têm contabilizado os custos econômicos relacionados aos problemas de distribuição em centros urbanos”, completa. 

Varejo

Das empresas de varejo avaliadas na pesquisa, 79% tem sua maior atuação no Sudeste, sendo 33% do setor de alimentos, 26% de bebidas e 13% de vestuário e calçados. As causas de atrasos no recebimento de mercadorias são os mesmos citados pelas transportadoras, incluindo a falta de fiscalização nas áreas de carga e descarga. Vale ressaltar que 86% dos entrevistados alegam que já tiveram perda de receita devido a atrasos na distribuição e 29% afirmaram que isso sempre ocorre. Dentre os entrevistados, 91% mantêm lojas próximas da região central das cidades e 79% costumam receber produtos nos horários de pico.

Resultados Comparados

Para os respondentes dos três setores, a criação e/ou adaptação de faixas exclusivas para caminhões melhoraria a distribuição urbana de mercadorias. Entretanto, a maior parte das empresas não estaria disposta a pagar ou só pagaria para utilizar, caso houvesse isenção de imposto. 

Para expressiva maioria das empresas pesquisadas, a consolidação da mercadoria em centros urbanos seria benéfica para a distribuição urbana. Porém, somente o varejo demonstrou disposição em pagar para utilizar esses espaços, sendo que 40% das indústrias das transportadoras rejeitam completamente essa ideia.

A pesquisa aponta que mais da metade das empresas, nos três setores, concorda que a implantação de locais pagos exclusivos para a carga e descarga melhoraria a distribuição urbana de mercadorias e mais de 60% concordam com um sistema de reserva dessas vagas. Entretanto, as indústrias não se mostram dispostas a pagar por elas, o oposto das transportadoras, em que 62% aceitariam. 

Em torno de 50% dos entrevistados concordam com entregas em horários noturnos (entre 20h e 6h).

Cerca de 70% das empresas avaliadas no setor da indústria e de transportes concordam que a existência de um sistema de informação sobre as condições de trânsito auxiliaria a distribuição, já o varejo é ainda mais sensível e 58% acreditam muito nesta proposta. Porém, ficam divididas sobre a possibilidade de pagar pelo mesmo.

Por fim, o estudo aponta que para 50% das indústrias e dos varejistas a existência de um sistema de monitoramento em tempo real da mercadoria melhoraria muito e 74% estariam dispostos a pagar por isso. Entretanto, esse número cai para 47% entre os varejistas. Além disso, a grande maioria das empresas não tem planos de começar a utilizar as bicicletas para realizar o transporte de mercadorias.

“O estudo vem para confirmar o congestionamento, a falta de vagas para carga e descarga, o uso inadequado das existentes e áreas sem fiscalização como os principais gargalos para a distribuição urbana”, conta o professor Paulo Renato. “Identificamos o aumento nos custos devido às dificuldades e que a maior parte das empresas concorda que a implantação de locais pagos exclusivos para carga e descarga; sistema de reserva de vagas para carga e descarga; entrega de mercadorias em horário noturno; existência de um sistema de informação sobre as condições do trânsito e a existência de um sistema de monitoramento em tempo real da mercadoria podem ajudar a solucionar esses entraves”, finaliza.


Clique aqui e acesse a pesquisa completa.

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